InícioAtualidadeInternacional6 países que começam 2022 no meio de disputas geopolíticas

6 países que começam 2022 no meio de disputas geopolíticas

Centro de estudos Crisis Group, de Bruxelas, elenca contextos nos quais conflitos internos ou internacionais podem perturbar a paz e a estabilidade internacional

O ano de 2022 terá pelo menos dez pontos de tensão geopolítica que demandam atenção mundial, de acordo com análise publicada na quarta-feira (29) pelo Crisis Group, um centro de estudos criado em 1995, em Bruxelas, na Bélgica, que se dedica à pesquisa e à busca de soluções para os conflitos armados ao redor do mundo.

Num cenário preocupante, a organização vê, no entanto, duas características positivas: o número de pessoas mortas em guerras cai de forma consistente desde 2014, em grande parte por causa do arrefecimento do conflito na Síria, iniciado em 2011. Além disso, os conflitos são cada vez mais internos e locais, sem o envolvimento direto das grandes potências militares, a envergadura e o impacto humanitário.

Neste texto, o Terra Nova elenca seis dos dez conflitos mencionados pelo Crisis Group, segundo critérios de relevância geopolítica e distribuição geográfica, dando o contexto atual de cada um deles e projetando possíveis cenários para 2022.

Ucrânia

QUAL A SITUAÇÃO

O país do leste europeu é uma ex-república soviética, disputada hoje como uma espécie de satélite pela Rússia e pelas potências que fazem parte da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Isso porque a Ucrânia é um ponto estratégico tanto do ponto de vista militar quanto económico, servindo de ligação entre a Europa central e o Leste Europeu.

QUAL A PROJEÇÃO

No fim de 2021, o presidente russo, Vladimir Putin, posicionou tropas na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia, e pode, em 2022, tentar uma anexação forçada de pelo menos parte do território ucraniano, como já fez com a Crimeia e, em parte, com a região de Donbass. A hipótese não foi dissipada nem mesmo pelo telefonema que Putin manteve com o presidente americano, Joe Biden, na quinta-feira passada (30). Caso haja conflito, ele pode, no pior dos cenários, envolver a ação de tropas russas e da NATO. Mais possivelmente, pode se materializar no enfrentamento por meio de grupos de mercenários locais.

China

QUAL A SITUAÇÃO

A China consolida-se como a única potência capaz de ultrapassar os EUA economicamente e militarmente. A disputa é latente e não se dá de forma direta, mas os dois países rivalizam na defesa de princípios e de visões de mundo. As principais rusgas têm relação com dois contextos simbólicos: Hong Kong e Taiwan.

QUAL A PROJEÇÃO

Os EUA se reposicionam no sudeste asiático, fortalecendo suas laços com aliados regionais, como a Austrália e o Japão. O risco de confronto direto entre chineses e americanos é remoto, mas ambos países agem por atores interpostos – com os EUA pressionando por maior liberdade nos territórios semi-autônomos de Taiwan e de Hong Kong, enquanto Pequim aumenta a perseguição contra dissidentes locais.

Afeganistão

QUAL A SITUAÇÃO

O Taleban voltou ao poder no Afeganistão em agosto de 2021, depois do fim de 20 anos de presença militar americana. O retorno ao poder foi marcado pela volta da aplicação de leis draconianas, que penalizam sobretudo as mulheres. Os avanços obtidos em relação ao acesso à educação e as doações internacionais recuaram, embora o país tenha se livrado de uma ocupação estrangeira.

QUAL A PROJEÇÃO

O Taleban não tem credibilidade para reaver de imediato os programas de cooperação internacional que vigoravam com o governo anterior, alinhado com os EUA. Isso deve provocar graves consequências humanitárias para a população civil. Além disso, o Taleban mantém a hegemonia, mas é desafiado por outros grupos locais, como o Isis-K, cuja ação violenta pode desestabilizar ainda mais o país em 2022.

Etiópia

QUAL A SITUAÇÃO

Depois de dois anos de avanços num processo de paz que levou o PM etíope, Abiy Ahmed, a receber o Prêmio Nobel de 2019, o conflito interno, entre forças do governo e rebeldes do Tigré voltou a recrudescer em 2021.

QUAL A PROJEÇÃO

O Crisis Groups considera que “nenhuma das partes deste conflito está em condições de dar um golpe decisivo” em 2022. A vizinha Eritreia, com a qual a Etiópia viveu em conflito durante anos, passou a apoiar as tropas de Ahmed no conflito contra grupos armados do Tigré. Entretanto, os rebeldes demonstram ter apoio popular e capacidade de manter operações militares contra o governo central.

Israel

QUAL A SITUAÇÃO

Em 2021, Naftali Bennett tornou-se o novo primeiro-ministro de Israel, pondo fim aos 12 anos de governo de Binyamin Netanyahu. Ele é sustentado por uma coligação heterogênea de oito partidos, que inclui pessoas de todos os espectros ideológicos. Entretanto, prevalece seu perfil de nacionalista de direita, semelhante em muitos sentidos a Netanyahu, sobretudo no manejo dos temas ligados à causa palestina.

QUAL A PROJEÇÃO

Israel busca abrir e manter canais de diálogo com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, considerada uma figura moderada e de melhor manejo quando comparada às lideranças do grupo rival palestino Hamas. O equilíbrio das relações na região dependerá tanto da relação entre os grupos palestinos quanto do futuro das pretensões de Israel nos territórios ocupados, especialmente nas Colinas de Golã, onde o governo Bennett pretende dobrar o número de habitantes israelenses nos próximos cinco anos.

Irão

QUAL A SITUAÇÃO

O presidente dos EUA, Joe Biden, restabeleceu, em 2021, o acordo nuclear com o Irão do qual os americanos tinham se retirado na administração anterior, de Donald Trump. Com essa medida, espera-se que haja maior monitoramento do programa nuclear iraniano, evitando seu uso militar. Em junho, Ebrahim Raisi foi eleito presidente iraniano, com respaldo dos clérigos mais conservadores do país.

QUAL A PROJEÇÃO

Por si só, a volta ao acordo atómico não é suficiente como garantia de contenção das pretensões iranianas. Qualquer gesto ostensivo do Irão na direção do uso militar de seu material atómico pode desencadear uma resposta de força de Israel, dos EUA ou das potências europeias, por mais que esses atores busquem diminuir a presença no Oriente Médio.

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