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Sex, Nov

Rúbrica do Domingo: Conheça Mizé Varela, uma jovem com grande paixão pela arte

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A Rúbrica deste domingo foi até Achada Lém, Assomada, conhecer a história inspiradora da jovem jornalista e artesã, Mizé Varela.

Mizé Varela é formada em Ciências da Comunicação e trabalha atualmente como Assessora de comunicação. Entretanto, nunca conseguiu desligar da sua paixão de infância, a arte.

 

Confira na íntegra a nossa conversa.

 

1 – Quem é Mizé Varela?

Mizé Varela é uma jovem sonhadora e apaixonada pela vida, família e amigos. Parece antipática, mas é muito “boa gente” (risos).  Badia de Achada Lém, Assomada, que gosta e sabe fazer um bom torresmo e uma boa feijoada.

2 – Sabemos que és uma jovem muito engajada nos projetos que decides abraçar. De onde vem essa inspiração, espírito de entrega?

Acredito que todos estamos aqui por alguma razão e que a nossa passagem por esta vida não é uma mera coincidência. Todos temos uma missão. Viver sim e deixar um legado. E isso não precisa ser Microsoft.

Quando acredito num projeto, me entrego por completo e faço pra dar certo. Não faço apenas porque precisa ser feito, mas também porque faz sentido para quem sou e está alinhado com o que acredito. Independentemente da recompensa ou não, a minha dedicação a cada projeto, mais do que a sua implementação, servirá para mim e meu crescimento. O que canalizo em mim, ninguém pode tirar.

3 – O que significa ser jovem para ti?

A juventude está dentro de nós. Ser jovem é querer colocar um piercing aos 15 ou aos 70. Ou então fazer uma formação superior aos 50, conseguir aquele trabalho de sonho para 2 anos depois ir ao Tomorrowland. Mas também ser jovem é saber aquilo que queres para a sua vida e trabalhar pra o concretizar. Ser jovem não é só ser empreendedor ou político. Nem todos nascemos pra ser político ou empreendedor. A sociedade também precisa de bons Cidadãos que cumpram os seus devers e lutem pelos seus direitos sem precisar de uma plateia. 

4– Como uma jovem jornalista e artesã, como é que concilias estas duas profissões?

Há cinco meses abracei um novo desafio e tem sido muito difícil conciliar o trabalho com o artesanato. A minha vida é um correria. Entretanto, tenho que dividir o meu tempo entre o trabalho e a produção de peças suficientes para uma exposição e encomendas o que nem sempre é fácil. Às vezes, fica um pouco difícil produzir peças suficientes para feiras. Até porque, graças a Deus, como consigo vender todas as peças, quase não tenho produtos no estoque.

5 – Aonde é que surgiu esta paixão pela arte?

Sempre gostei de arte e desde criança faço crochê, mais conhecido por aqui como “renda”. Quando estudava no liceu, nesta época o crochê estava em alta, sobretudo, no seio dos emigrantes. Então eu produzia muita renda. Sempre levava para a escola duas bolsas, sendo uma com cadernos e outra com agulha e linha. A cada intervalo saía com a minha bolsa de produção e fazia as minhas “rendas”. Na época vendia muito, porém com o passar do tempo, este item decorativo “saiu da moda” e as vendas e encomendas começaram a parar, pelo que deixei de produzir.  

Também sempre gostei de reciclagem e tenho hábito de customizar roupas das amigas para festas personalizadas.

Curiosamente, a bijuteria nunca esteve nos meus planos. Aconteceu, por acaso, em 2016, numa conversa, em casa, sobre bijuteria, com as minhas amigas. Uma delas me ofereceu um alicate de presente e algumas peças para fazer um colar. Cheguei à casa, peguei nos materiais e fiz vários colares e ofereci às minhas amigas para usarem e oferecerem aos seus familiares. Seguindo o conselho das minhas amigas, produzi algumas peças que publiquei no meu Facebook, no álbum, edição-piloto. A repercussão foi excelente. Foi a partir disso que as pessoas começaram a ver as peças e passei a receber várias encomendas.

Graças ao sucesso, senti a necessidade de criar uma marca. Daí surgiu “Miziz” que além de bijuterias, produz vários outros artigos como bolsas, tshirts, presentes personalizados e assessórios de moda em geral. 

6 - Qual o teu maior sonho?

O meu maior sonho é ser dona do meu próprio negócio que não precisa ser exatamente na minha área de formação ou artesanato. Tenho projetos que quero implementar em Achada Lém, zona onde nasci e cresci. Trabalho todos os dias para o concretizar.

7– Fala-se, hoje em dia, muito na questão dos jovens que não vivem realmente para aquilo que é o essencial da vida, ou seja, jovens que enveredam por “caminhos tortuosos”, como é o caso das drogas, do álcool e do roubo. Como uma jovem que prima pela prática do bem, deixa uma palavra para os jovens cabo-verdianos.

A juventude cabo-verdiana está cada dia mais dinâmica e determinada e isto é visível. Entretanto, nem sempre as coisas acontecem como planeamos ou queremos porque a vida dá voltas e nos surpreende todos os dias. Jovens que enveredaram por estes caminhos, acredito que perderam o foco, mas não é um caminho sem volta (Passa mal é ka morti). Ergam-se e sejam a vossa maior inspiração sem esperar pelos outros.

 

TN - Redação

 

 

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