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Ter, Set

Rúbrica do Domingo: Conheça Cristiano Semedo, um jovem jurista, poeta e que vive “seriamente” a sua fé cristã

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Caros leitores, cá estamos para mais uma edição da Rúbrica do domingo. Damos-lhe a conhecer, desta feita, um jovem muito dinâmico no seio da comunidade cristã praiense e que também com grande potencial no domínio da poesia. Chama-se Cristiano Semedo “Cris”, e que aceitou conversar connosco.

Confira na íntegra a entrevista com Cristiano Semedo

1. Quem é Cristiano Semedo?

Como costumo dizer entre os meus amigos, “mi é um gajo positivo, ki ta da ku tudo alguém” (Riso).  Sou um cristão, com as qualidades e os defeitos que adquiro por este facto. Sou uma pessoa humilde, que está ao serviço do próximo, é isso que somos ou deveríamos ser, SERVOS. Uma pessoa que erra, que acerta por vezes, um jovem sonhador.

2. O que é ser jovem para ti?

Ser jovem é termos a capacidade de sabermos que somos “sal da terra e luz do mundo”, sal usa-se para dar gosto, aquilo que tem bom sal, tem bom sabor, por isso, nós os jovens, somos chamados a ser sal da terra, a fazer coisas boas. E luz para brilharmos, usa-se para iluminar, tornar mais claro. A luz não se acende para colocar debaixo da cama ou da mesa, mas sim, no pedestal, no alto, para que poça brilhar e ser visto. Se não nos for dado o alto, temos de ter a ousadia de ir a procura dele.

3. Quais os teus sonhos? (se é que queres nos contar. Riso)

(Riso). Não vejo o porquê de não contar. O meu sonho é o sonho do poeta. Um Cabo Verde melhor, um mundo melhor, onde as pessoas estão no centro das atenções e se vive para as pessoas. Onde a desigualdade não é tao gritante como se faz sentir nos dias de hoje. Sonho poder levar alegria e esperança às pessoas.

Se falarmos das minhas ambições, sonho ser um bom cristão, um bom profissional, um bom pai, um bom marido e uma boa pessoa. Ter um livro de poesia da minha autoria. Sonho um dia ser Presidente da República de Cabo Verde, sim sonho. Ao menos sonhar eu posso. Se não conseguir chegar lá, ao menos eu terei sonhado, (Riso).

4. Como cristão, como vive a sua fé?

Vivo-a no meu dia-dia, a certeza de que existe um Deus, bom, misericordioso e maravilhoso, que nos ama, me da ferramenta para viver bem, em harmonia com o próximo e no amor fraternal. Porque se somos amados, temos de amar também, não por obrigação, mas sim pelo dom do amor que nos é dado e somos convidados a dar também.

Procuro fazer coisas retas, por vezes consigo, mas falho também, entretanto, as falhas não devem me distanciar daquilo que é o essencial, o amor de Deus e dos irmãos.

5. O que é que significa ser escuteiro para ti?

Respondo a esta pergunta com uma poesia que eu fiz, justamente, tentando dizer o que é ser Escuteiro.

“Ser iskuteru

É k aso ba runion

Ser iskuteru

É dexa mundo

Um kusinha mas midjor

Ki sima nu atxal

Ser iskuteru

É vive p sirbi

Y k apo ser sirbidu

Ser iskuteru

É ser bom sidadon

Y bom kriston

Ser iskuteru

É ser filiz.”

6. Sabemos que és Jurista de formação, mas também que tens algum dote para poesia, tendo participado com alguns poetas nalguns livros de outros autores. De onde vem essa tua inspiração para a poesia e o que ela representa para ti?

Sim, sou Licenciado em Direito, pelo Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais; em 2012 aventurei-me nas lides poéticas. Eu queria somente escrever um desabafo e quando dei por min, tinha algo a mais em mãos (minha primeira poesia). Para os curiosos, foi uma paixão da adolescência que não foi correspondido. Pronto, falei, (riso). Inspiro-me nas mulheres, nos homens, na natureza, nas coisas, em momentos, em lugares, por aí em diante. Algo que está muito assente também nos meus escritos, são provérbios, ou, ditados populares, gosto de os usar, por forma a não deixa-los cair em desuso.

7- Para quando teremos um livro de poesia da tua autoria?

Eu quero crer que será para breve, e prometo aqui que para o ano de 2021, farei muitos esforços para ter o tão sonhado meu e nosso livro em mãos. Estou mesmo na faze de iniciar contactos em vista a esse fim, poemas eu tenho. Falta é o financiamento, mas com Deus, virá. Muitos jovens poetas nós temos, podíamos ter quantos livros editados, mas pouco se tem feito para isso, precisa-se ver para esta questão, com outros olhos.

 

8. Como é que vês a juventude Cabo Verdiana normalmente naquilo que se refere aos valores, ou a luta para realizar os sonhos?

A nossa juventude tem estado muito acomodada. Não tem estado a brilhar e dar bom gosto, claro que não me refiro a todos, pois toda regra comporta uma exceção. Vê-se também uma significativa perda dos valores, que serviram para a educação e formação das gerações que nos antecedera, quais sejam: o respeito, a responsabilidade, o comprometimento com causas sociais e humanas, perda de práticas culturais, em contrapartida da adoção de uma cultura do descartável, quando se pede que sejamos ou façamos coisas duradoiras, senão eternas.

No que toca a realização dos sonhos, os jovens não têm sonhado grande e quando sonham, não tem sabido fazer todo o esforço e sacrifício necessário para concretizarem os seus sonhos. Prova disso é o número de jovens Licenciados e com Formação Profissional desempregados que nós temos, não só porque não lhes foi dado oportunidade e que o mercado está saturado, pois, oportunidades criam-se e o mercado faz-se.

 9. Que palavras deixas aos jovens deste país?

Aos jovens, a nós, sejamos ousados. Lutemos pelos nossos sonhos. Tenhamos fé em Cristo Jesus o salvador do mundo que vive e quer-nos vivos.

Se queremos ser ou ter algo, temos que começar o trabalho em vista de, agora, pois quanto mais tempo passar, menos forças para lutar teremos, por isso aproveitemos agora o momento enquanto somos jovens, enquanto nos é permitido errar e aprender com os nossos erros, enquanto a adrenalina da juventude corre nas nossas artérias.

“Nu ser sal e luz”.

10. Algo que queira acrescentar?

Deus nos abençoe e nos guarde.

 

Sorriso

Queria eu ver o sorriso                                                                                                                    

estanpando no rosto

de todos por quanto

aqui vivem nessas ilhas

lá do fundo mas bem no fundo

aue nem a realidade

Por qual estamos a passar

não a possa abalar

um lindo sorriso

que não se compara

ao por do sol, mas sim

a beleza das nossas mulheres

 

 

 

 

 

 

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