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Sab, Mai

O que é o pico epidemiológico. E como ele é calculado

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 Topo da curva de casos varia de lugar para lugar, e é determinado a partir de uma série de fatores.

 

O pico epidemiológico é o ponto mais alto na curva de infecção – e é quando o número de novos casos tende a se estabilizar ou diminuir.

Como é calculado o pico epidemiológico

Um artigo, de 13 de março, explica como é calculado o pico epidemiológico, tomando como base dados do Japão. O estudo foi realizado por uma das principais instituições de pesquisa do país, a Universidade de Kobe, e publicado na Revista de Medicina Clínica dos EUA.

O pico epidemiológico varia de país para país e de estado para estado. Ele é calculado a partir dos seguintes fatores:

População total do local analisado

Número de casos confirmados até aquele momento

Média de novos casos diários

Total de pessoas que se encaixam em grupos de risco

Total de pessoas que podem ser expostas ao vírus

Total de pessoas que podem transmitir o vírus

Total de pessoas que são imunes ao vírus

Total de pessoas que foram infectadas mas se recuperaram até aquele momento

Tempo entre a infecção e o aparecimento dos primeiros sintomas

Tempo no qual o infectado consegue transmitir o vírus para outras pessoas

Todas essas variáveis são relacionadas em um modelo matemático cujo resultado permite que os pesquisadores saibam como a curva de novos casos deve se comportar ao longo do tempo.

Alterando essas variáveis também é possível traçar cenários nos quais medidas preventivas são colocadas em ação.

No artigo sobre o Japão, os pesquisadores previram que o pico de casos no país acontecerá por volta do dia 10 de agosto, com cerca de 230 mil casos, em um cenário sem nenhuma medida de contenção.

Já com as medidas de isolamento social sendo estendidas até o dia 1º de setembro, o pico aconteceria por volta de 14 de setembro, com cerca de 150 mil casos de infecção.

O modelo matemático para o cálculo do pico não se limita ao novo coronavírus, podendo ser usado em outras epidemias. Contudo, no presente caso, o pico de infecção tende a ser alto: qualquer um pode ser contaminado e as únicas pessoas aparentemente imunes são aquelas que foram infectadas mas que se recuperaram.

Olhando para a realidade cabo-verdiana, segundo o estudo feito pelo matemático José Augusto Fernandes no passado dia 10 de abril, o nosso país deve atingir o pico da doença 60 dias depois do início da pandemia em Cabo Verde, ou seja entre Maio e Junho, período durante o qual poderão ser registados 23 mortes/dia.

Contudo, vale ressaltar que projeções podem mudar diversas vezes ao longo do tempo, refletindo novas condições da epidemia e a adesão às medidas de contenção.

O que vem depois do pico?

Depois do pico epidemiológico, a curva de novos casos diários pode se estabilizar numa reta – naquilo que os cientistas chamam de platô – ou diminuir.

A diminuição não é garantia de que a ameaça passou. É possível que depois de uma queda no número de infecções haja uma nova onda crescente de casos, causada por uma nova fase de propagação ampla do vírus.

As novas ondas trazem outras variáveis para o cálculo, que deve ser refeito com base nas novas condições.

 

TN com Nexo