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Qua, Abr

O que foi o genocídio de Ruanda

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Ficou conhecido como “genocídio do Ruanda” o período de 100 dias, entre 7 de abril e meados de julho de 1994, durante o qual foi levada a cabo uma campanha sistemática de massacres pela maioria Hutu contra a minoria Tutsi.

A FPR (Frente Patriótica de Ruanda), de maioria tutsi, era um movimento político e militar fundado no país vizinho, Uganda, com a intenção de derrubar o presidente ruandês Juvénal Habyarimana — que era hutu e durante seus 21 anos no cargo favoreceu membros de seu grupo — e reformar o sistema político para incluir a divisão do poder entre as etnias do país. 

No dia 6 de abril de 1994, o avião que transportava Habyarimana foi derrubado, e as acusações eram de que se tratava de uma ação da FPR. Uma das principais redes de comunicação do país, a Radio Television Libres Des Mille Collines, espalhou a versão.

Todos os tutsis que viviam em Ruanda eram acusados de serem cúmplices das ações da FPR, em um processo de campanhas e pronunciamentos públicos de líderes hutus que já durava alguns anos — entre eles, também havia padres.

A partir daí começaram as mortes sistemáticas de tutsis e mesmo de líderes hutus moderados. O episódio só foi terminar quando, em 22 de junho de 1994, o Conselho de Segurança da ONU autorizou o envio de forças lideradas pelo exército francês para o país.

Os assassinatos continuaram até o início de julho, quando as violências foram contidas. 

As origens da tensão étnica 

Embora um dos genocídios mais marcantes do século 20 tenha sido motivado por divisões étnicas, a população daquela região africana era unificada antes da colonização europeia.

A Conferência de Berlim, em 1884, dividiu o continente entre as potências da Europa, e o que hoje é Ruanda ficou sob o poder alemão. O controle desse território passou para os belgas após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial.

Uma das primeiras ações dos novos governantes foi classificar a população local — até então unificada e com um sistema eficiente de governo centralizado — em três categorias, ou etnias, definidas por características físicas arbitrárias como o tamanho do nariz e a cor dos olhos: hutus, tutsis e twas.

A ideia era dividir a população para governar mais facilmente. Os colonizadores belgas passaram, com o tempo, a beneficiar os tutsis por entenderem que o grupo apresentava traços mais parecidos com os de pele branca e, portanto, segundo correntes de pensamento racista, estaria mais próximo da civilidade. Colocaram, então, os tutsis no poder.

Os hutus, em maioria, sentiam-se oprimidos. Em 1959, uma revolta conquistou a independência de Ruanda e instalou os hutus no poder, após um processo que envolveu assassinatos em massa de tutsis. As tensões entre os dois grupos permaneceram ao longo das décadas até culminar, em 1994, no episódio do genocídio.

TN-Redação