22
Sex, Mar

Conheça as origens do Estado de Israel e o conflito com os palestinos

Saber Mais
Tipografia

O Primeiro Ministro, Ulisses Correia e Silva, visitou durante 3 dias Israel e aquele país judaico passou a ser, nas palavras o PM, um parceiro importante para Cabo Verde. Mas qual é a história daquele Estado do Oriente Médio? O TN conta-lhe tudo. Confira.

 

Movimentos nacionalistas e o Sionismo

No fim do século XIX movimentos nacionalistas cresciam por toda a Europa. É nesse momento que surgiu o Sionismo (teoria desenvolvida nessa época pelo húngaro Theodor Herzl, segundo a qual a sobrevivência do povo judeu, que viva espalhado pelo mundo, dependia da criação de um Estado próprio. A ideia é que esse Estado fosse erguido na região da Palestina. Na época Palestina estava sob domínio do Império Otomano e a maioria da sua população era árabe e muçulmana). A justificação para que o Estado de Israel surgisse justamente ali, tinha ligações com história bíblicas que falavam justamente da terra de Israel. 

Em 1918, com o fim a Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano chegou ao fim e a região da Palestina passou então ao domínio britânico. Os britânicos mantiveram posições ambíguas em relação aos interesses árabes e e judaicos nessa região.

Dois documentos mostram muito bem isso: o primeiro, de 1917, é a Declaração Balfour. O documento foi assinado pelo ministro das relações inglês daquela época e deu apoio à causa sionista e impulsionou a emigração judaica nas décadas seguintes. Mas nesse jogo ambíguo, os britânicos também publicaram o Livro Branco de 1939 que limitava a emigração judaica e restringia a compra de terras árabes por judeus.

Enquanto isso, a perseguição nazista aos judeus na Europa ao longo da década de 30 e no início da década de 40 deu impulso à emigração para a Palestina, inclusive clandestinamente.

Nesse período os conflitos se intensificaram em cidades como o antigo Porto de Jafa onde árabes de revoltaram contra o estabelecimento de judeus no seu território. Eles viam o Sionismo como uma estratégia colonial e imperialista europeia, enquanto os judeus viam a emigração para a Palestina como uma alternativa de sobrevivência ao Holocausto nazista.

A despeito dessa luta local, essa presença de judeus na Palestina cresceu. Um ano após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1946, o judeus já eram um terço da população da região que ainda estava sob mandato britânico. 

Dois Estados, um território

Em 1947 a ONU tinha sido recém criada. Foi ela, a Organização das Nações Unidas, que propôs um plano de partilha do território entre árabes e judeus logo após a saída dos britânicos.

A sessão da Assembleia Geral que apoiou essa decisão expressa na resolução 181 foi presidida por um falante da língua portuguesa, o diplomata brasileiro Osvaldo Aranha.

O documento recomendava a criação de dois Estados independentes e de um regime especial internacional para administrar Jerusalém, cidade que é sagrada tanto para os judeus quanto para os muçulmanos além de ser sagrada para cristãos também.

As autoridades judaicas aceitaram o plano da ONU mas a lideranças palestinas e árabes não a aceitaram. 

Criação do Estado de Israel 

Foi David Ben Gurion quem declarou a 14 de maio de 1948 a independência do Estado de Israel. 

No dia seguinte, Egipto, Síria, Líbano, Jordânia e Iraque atacaram o novo país. Depois de um ano de conflito foi estabelecido um armistício em 1949 e foi traçada, na região, uma linha divisória que ficou conhecida como linha verde.

O Estado de Israel foi criado em 1948 mas um Estado palestino não foi criado. Ao contrário, ele acabou, em parte ocupado por Israel e, em parte dividido em pedaços: a Faixa de Gaza ficou sob domínio do Egipto, a Cisjordánia e a parte leste de Jerusalém ficaram com a Jordânia. 

Israel passou a ocupar um território maior do que o previsto pela ONU. Cerca de 700 mil árabes foram expulsos ou deixaram suas casas e cidades. Tornaram-se refugiados em países vizinhos como a Jordânia e o Líbano. Ao mesmo tempo, judeus de várias partes do Oriente Médio e sobreviventes do Holocausto na Europa passaram a emigrar em massa para Israel.

No início, nas décadas de 1950 e 1960 Israel era governado por políticos de inclinação socialista com unidades produtivas coletivas, os kibutz, espalhadas pelo território. Mas, a tensão com os países vizinhos aumentava.

Em 1964, com o apoio da Liga Árabe, foi fundada a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Até hoje a OLP é a principal entidade representativa dos palestinos. 

Mais território…

Em 1967 houve mais uma guerra importante na região, a guerra dos seis dias, e confirmou a supremacia militar de Israel. O país derrotou o Egipto, a Síria e Jordânia e ampliou consideravelmente o seu território.

Os israelitas dominaram, então, a Faixa de Gaza e a Península do Sinai, ao sul. Além das Colinas do Golã, ao norte, e da Cisjordânia a leste, incluindo a porção oriental de Jerusalém.

Esse movimento de expansão é, até hoje, condenado pelas Nações Unidas. Essa situação levou o Egipto e a Síria, em 1973, a realizar um ataque surpresa no dia mais sagrado para os judeus, o Yom Kippur, o que deflagrou uma nova guerra. Israel amargou a derrota no começo mas venceu no final. 

Em 1977 a direita chegou ao poder pela primeira vez em Israel dando impulsos em construir assentamentos judaicos na Cisjordânia que tinha começado antes no governo trabalhista.

Dois anos depois, em 1979, o Menachem Begin então PM israelita assinou um acordo de paz com o Egipto mediado pelos Estados Unidos. Com isso Israel deixou o Sinai. Em troca o mais populoso país árabe da região, o Egipto, foi o primeiro a reconhecer o Estado judaico.

Por outro lado militantes palestinos liderados por Yasser Arafat, da OLP, mantiveram ataques a Israel ao longo de toda década de 1970 e de 1980. Uma das bases que era usada para lançar foguetes contra Israel, no sul de Líbano, foi atacado e ocupado em 1982.

Foi a partir desse evento, que nasceu o grupo xiita libanês Hezbollah, um dos mais aguerridos grupos a lutar contra o Estado de Israel e financiado pelo Irão. 

Intifadas, acordos e desentendimentos 

Em 1987, um grande levante contra a ocupação israelita da Cisjordânia e de Gaza, ganhou força a partir entre a população palestina. Era a primeira intifada, série de protestos que foram duramente reprimidos pelas forças de Israel.

Nesse mesmo ano foi criado o Hamas, um grupo fundamentalista sunita baseada na Faixa de Gaza que buscava a libertação da Palestina, o fim de Israel e que se opunha também à OLP de Arafat.

No meio de tantas guerras e desentendimentos, o ano de 1992 marcou o início do que poderia ser uma viragem positiva. Naquele ano o trabalhista Yitzhak Rabin foi eleito primeiro ministro de Israel. Ele foi responsável por abrir conversações de paz com os vizinhos que levaram à assinatura do Acordo de Oslo entre Israel e a OLP em 1993.

O documento foi assinado entre Rabin e Arafat. A OLP reconheceu a existência de Israel e, Israel, reconheceu a existência de OLP como o legítimo representante dos palestinos.

Em 1994 este diálogo foi ampliado.Israel assinou um acordo de paz com a Jordânia, segundo país árabe a reconhecer o Estado judaico depois do Egipto. Tudo ia melhorando até que grupos fundamentalistas começaram a sabotar o processo de paz. Em 1995 um judeu de extrema direita assassinou Rabin em praça pública na cidade de Telaviv.

O Hamas, por sua vez, iniciou uma série de ataques terroristas contra civis israelitas e, assim, os acordos de paz caíram. As conversações até ganhariam novo fôlego em 2000, depois que o trabalhista Ehud Barak foi eleito no lugar do conservador Benjamin Netanyahu.

Em Camp David nos EUA, Barak ofereceu o controle compartilhado de Jerusalém e de 90% dos territórios ocupados a Arafat mas a negociação não vingou. A direita voltou ao poder com Ariel Sharon em Israel em 2002, consequência do início da segunda intifada em 2001 com incrementos de ataques suicidas a bomba contra os israelitas.

Israel começou então a construção de um muro ao longo de parte das fronteiras com a Cisjordânia adentrando em terras palestinas sob críticas redobradas de vários países. Em 2005 um recuo israelita. Sharon retirou tropas da Faixa de Gaza que passou a ser controlada pelo grupo palestino Hamas, dois anos mais tarde.

Esse vai-e-vem de gestos fez com que nas décadas seguintes, presidentes americanos como Bush e Obama tentassem levar Israel e Palestina de novo à mesa de negociação mas foi sem sucesso. Mais uma vez a região mergulhou numa guerra. Israel realizou ataques contra Gaza em 2009, 2012 e 2014 matando milhares de palestinos por causa dos lançamento de foguetes por parte de Hamas contra o território israelita. 

A situação hoje e as questões pendentes 

Os capítulos de violência se repetiram exaustivamente ao longo desta história de diversas maneiras. Em 2015, por exemplo, houve a chamada intifada das facas, uma série de ataques feitas contra israelitas por palestinos munidos de facas. Em resposta o exército israelita fez novas incursões militares contra Palestina. 

70 anos depois da sua fundação, Israel  consolidou-se como uma potência. Com o apoio americano, o país tem uma das forças armadas mais bem equipadas e treinadas do mundo. Tem também uma economia pujante que produz ciência e tecnologia de ponta.

Todo esse poder convive, no entanto, com a acusação de que o país marcou a própria história com inúmeros episódios de abusos e uso da força. Abusos condenados reiteradamente pela mesma ONU que, em 1948, criou o Estado de Israel.

Do outro lado a Palestina segue sem ser reconhecida como Estado. Vive a divisão política entre a Cisjordânia, controlada pelo Fatha, mais moderado, e Gaza, controlado pelo Hamas, mais radical e tem uma economia fraca que sofre com os bloqueios impostos pelo Israel.

Em 2019, a paz parece ainda distante, restam ainda obstáculos antigos. Um deles é o controle dos lugares sagrados. Muitos israelitas e palestinos consideram Jerusalém o capital indivisível do seu próprio Estado, enquanto a ONU propõe o controle compartilhado desse local. Outro ponto de desacordo é regresso ao território de, pelo menos, 5 milhões de refugiados palestinos.

Outro ponto: Israel recusa-se a negociar com o grupo armado palestino Hamas, que é chamado de terrorista pelo Israel e  que sequer reconhece o Estado judaico. E, por fim, os palestinos denunciam o expansão dos assentamentos dos colonos israelitas sobre a Cisjordânia que é um território palestino ocupado por Israel.

A solução para esse impasse septuagenário permanece como um dos maiores desejos os que são prós e contra Israel em todo o mundo. 

TN com informações da internet