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Seg, Mai

Mês do Teatro: Porque aplaudimos. E qual a origem do aplauso

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Antes das sondagens, líderes políticos da Antiguidade mediam sua popularidade pelo volume de palmas que recebiam.

O aplauso tornou-se o gesto social coletivo que usamos para comunicar admiração e aprovação, como define o vídeo-ensaio “Why do we clap?” (Por que aplaudimos?), feito pelo educador e youtuber americano Michael Stevens, no seu canal Vsauce.

Aplaudimos por vontade, por educação ou por dever. Também aplaudimos devagar, ironicamente. Aplaudimos em shows, no teatro, em lugares onde um grupo de pessoas torna-se plateia.

O aplauso é uma das maneiras coletivas que multidões ou grupos encontraram para se expressar. Bebés fazem bater as palmas das mãos.

Num artigo sobre o aplauso, o professor da Universidade de Cambridge, Steven Connor, o caracteriza como um impulso instintivo, um transbordar quase involuntário de energia.

Para além do impulso, o ato tornou-se codificado na cultura, segundo diz Stevens no vídeo do Vsauce. Mais do que uma reação voluntária ou espontânea, trata-se de um comportamento esperado em certas situações.

A dinâmica do aplauso, portanto, tem menos a ver com a opinião do indivíduo que aplaude (a respeito da qualidade de um espetáculo ou de um discurso) do que com o comportamento do grupo, com o rito do aplauso. É o que mostra um estudo publicado em 2013 no jornal científico Journal of The Royal Society Interface. A probabilidade de que um indivíduo comece a aplaudir, segundo o estudo, é dez vezes maior se 50% da plateia estiver a aplaudir do que se apenas 5% estiver a bater palmas.

As origens do gesto 

Embora pesquisadores não conheçam a génese exata do aplauso, sabe-se que ele é praticado como expressão de apreciação desde a Antiguidade.

Há menções ao ato de aplaudir na Bíblia, como menciona o artigo “A Brief History of Applause” (Uma breve história do aplauso), publicado pela revista The Atlantic.

Há duas arenas fundamentais que firmaram o aplauso como prática para gregos e romanos antigos: a política e o teatro. O teatro formalizou a prática com a frase em latim “vos valete et plaudite” (adeus e aplausos), que encerrava as apresentações.

A duração, o ritmo e a velocidade do aplauso eram elementos altamente significativos para medir a popularidade de um líder político.

Na Antiguidade, há relatos de que já havia “instigadores profissionais” do aplauso contratados para iniciar a faísca na multidão.

Mas no século XVI, isso profissionalizou-se no teatro francês com a criação da “claque” (do verbo “claquer”, que em francês significa aplaudir). À altura do século XVI, havia escritórios parisienses que forneciam “batedores de palma profissionais” aos teatros.

O verbete da enciclopédia Britannica sobre a claque lembra que ela persiste na cultura de hoje sob a forma das risadas ou aplausos gravados que se ouve nos seriados e programas de humor.

 

TN com informações de Super Interessante