19
Ter, Mar

O que é um tsunami. E porque ele é tão comum na Indonésia

Saber Mais
Tipografia

Tragédia de dezembro de 2018 apanhou o país de surpresa. Situado em região de grande atividade sísmica, Indonésia tem sistema de alerta considerado ineficiente e inadequado 

 

 

 Um tsunami atingiu partes costeiras das duas ilhas mais populosas da Indonésia, Sumatra e Java, às 21h30 (8h30 de Cabo Verde) do dia 22 de dezembro de 2018. A morte de 373 pessoas havia sido confirmada oficialmente até o dia 24. As autoridades do país esperam que o número de mortos e feridos aumente nos próximos dias, segundo declarações dadas à imprensa.

O dano é extenso: quase 1.500 feridos, 57 desaparecidos e quase 12 mil desabrigados. Do lado material, calcula-se que 600 casas e 400 embarcações tenham sido destruídos.

Especialistas em desastres naturais do governo indonésio confirmaram que uma erupção vulcânica é a explicação para o desastre. Um deslizamento da encosta do vulcão Anak Krakatoa teria deslocado uma grande massa de água no oceano, fazendo surgir o tsunami.

O que é um tsunami

Em japonês, a palavra significa “onda de porto”. Ela é usada para se referir a uma vaga marítima de grande comprimento que é provocada por um deslocamento submarino de água. Esse movimento pode ser causado por um terremoto no subsolo oceânico, atividade vulcânica ou mesmo uma explosão detonada pelo homem.

Uma onda de tsunami ganha altura à medida que se aproxima da costa. No mar aberto, uma onda de 1 metro pode chegar a dez metros de altura quando chega à praia. A velocidade varia de acordo com a profundidade do oceano. Em trechos mais rasos, ela fica mais lenta. Ainda assim, a força da água é suficiente para varrer tudo que encontra pelo caminho.

Quando o tsunami é causado por terremoto submarino, a superfície em volta da falha no terreno é movimentada de modo a deslocar toda a coluna de água que se encontra acima. Entre o abalo inicial e a chegada da onda gigante no litoral pode levar mais de uma hora.

O sistema de aviso de tsunamis da Indonésia é direcionado para monitorar atividade de terremotos. Como o tsunami de dezembro foi ocasionado por outro fator, ele não foi detectado

Com epicentro no Oceano Atlântico, o devastador terremoto que atingiu Lisboa em 1755 também provocou um tsunami, causando ainda mais estragos à capital portuguesa. Um terremoto de 8,9 foi a causa do tsunami que atingiu a costa leste do Japão em 2011.

O famoso tsunami de 2004 no Oceano Índico, quando se popularizou o termo em Cabo Verde, atingiu a costa de 14 países e levou a um número estimado de mortos de 230 mil. Sua causa foi um sismo com epicentro próximo à costa de Sumatra e magnitude entre 9,1 e 9,3 na escala Richter.

Por que ocorrem tanto na Indonésia

A Indonésia é um arquipélago formado por mais de 17 mil ilhas. O país tem 264 milhões de habitantes, cerca de metade dos quais se concentra apenas na ilha de Java.

Essa configuração complexa se localiza em uma região com alto índice de terremotos e vulcões. O território indonésio está formado por cima de várias fronteiras de placas tectônicas. Os pontos de contato entre as placas são críticos em termos de abalos sísmicos.

Os eventos sísmicos se dão por conta da movimentação das placas tectônicas. Flutuando sobre o manto terrestre, as placas estão em constante movimento em diversas direções, chocando-se umas com as outras, distanciando-se e movimentando-se tangencialmente.

O leste da Indonésia possui várias “micro-placas”, que são movimentadas pelas placas maiores da área, Australiana, do Pacífico, de Sunda e do Mar Filipino.

A região faz parte do “Anel de Fogo” do Oceano Pacífico, área em forma de ferradura que abrange as regiões costeiras de países da Ásia, Oceania e Américas. Cerca de 90% dos terremotos do mundo e três das maiores erupções vulcânicas dos últimos 11.700 anos aconteceram no Anel de Fogo.

O vulcão Anak Krakatau vinha expelindo lava e cinzas por meses antes do deslizamento que provocou o tsunami de dezembro. Ele é chamado de “filho de Krakatoa” por ter surgido como consequência da cataclísmica explosão do vulcão Krakatoa, em 1883, um dos mais violentos da história.

Em 2018, sem contar a tragédia de dezembro, o país já contava cerca de 3.000 mortos em três terremotos e tsunamis. Cerca de 2.000 foram vitimados no terremoto de 7,5 graus e tsunami que atingiram a ilha de Celebes, em 28 de setembro.

O quadro é piorado pelo fato de o país contar com muitas comunidades pobres ao longo da costa, especialmente vulneráveis ao poder de destruição de tremores e mares.

Por que desta vez ele foi uma surpresa

A ineficácia o sistema de alertas indonésio foi apontada como um dos motivos por trás da surpresa da tragédia de dezembro de 2018. Segundo o diretor da agência de desastres naturais do país, Sutopo Purwo Nugroho, o sistema de bóias Dart do país não está operacional “desde 2012”. “Vandalismo, orçamento limitado e danos técnicos” estariam entre os problemas com a rede flutuante de avisos. “Eles precisam ser reconstruídos”, ressaltou o oficial.

Outro problema no sistema geral de avisos é que ele é direcionado para monitorar atividade de terremotos. Como o tsunami de dezembro foi ocasionado por outro fator, ele não foi detectado. “A Indonésia precisa construir um sistema de aviso para tsunamis que são gerados por deslizamentos submarinos e erupções vulcânicas”, disse Nugroho, em sua conta no Twitter, segundo o jornal britânico The Guardian. 

Quais as medidas de prevenção e alerta

Sensores no mar e infraestrutura de comunicações são componentes essenciais em sistemas de alerta de tsunamis. A evacuação de áreas de risco deve ser feita muito rapidamente devido ao curto intervalo de tempo entre o alerta e a chegada da onda destruidora.

O mundo conta com quatro sistemas de alerta internacionais. Entre eles está o Centro de Alerta de Tsunami do Oceano Índico, criado por iniciativa das Nações Unidas em 2006, depois da tragédia de 2004. Ele consiste de 25 estações sismográficas que repassam informações para 26 centros de informação sobre tsunami nacionais e seis bóias de avaliação e reporte de tsunami de alto mar (Dart, na sigla em inglês).

A Indonésia conta com um sistema de 170 estações de detecção de sismos, 238 estações de acelerômetro, para detectar a velocidade de movimentos, e 137 medidores de marés. O sistema foi considerado “muito limitado” pela agência meteorológica indonésia, em entrevista à BBC em outubro de 2018. “Nossas ferramentas são insuficientes”, declarou um oficial à época. “Na verdade, dos 170 sensores de terremoto que temos, o orçamento só cobre a manutenção de 70. 

 

TN com informações de jornais internacionais.