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Seg, Mai

Liturgia: Orientações práticas para o Tempo da Quaresma

Liturgia
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Começa nesta quarta feira, com o rito da imposição das cinzas o Tempo litúrgico da Quaresma que nos acompanhará até a Páscoa da Ressurreição do Senhor. O Terra Nova apresenta algumas orientações práticas para melhor vivência desse tempo forte. 

Após o Vaticano II, a Quaresma foi reformada seguindo os critérios da Sacrosanctum Concilium, que indicou claramente a necessidade de “esclarecer melhor o duplo sentido do tempo quaresmal, que, principalmente pela lembrança ou preparação do Batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência a palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à celebração do mistério pascal” (n° 109).

A Quaresma atual vai da quarta-feira de cinzas até a missa da ceia do Senhor, sendo esta excluída. Além da riqueza dos textos eucológicos (orações), temos, nos formulários quaresmais, uma série abundante de textos bíblicos. 

A celebração litúrgica, também em relação ao desenvolvimento temático, coloca em destaque principal o domingo. Nos cinco domingos que precedem o domingo de ramos, o lecionário dominical oferece a possibilidade de três itinerários diferentes, e ao mesmo tempo complementares: um itinerário batismal (Ano A)um itinerário cristocêntrico-pascal (Ano B) e um itinerário penitencial (Ano C)

Todos os domingos estão organizados tematicamente. A base é a leitura evangélica.

A quaresma faz memória do Cristo, em seus quarenta dias pelo deserto, revivendo, na própria experiência, os quarenta anos do povo de Deus também no deserto. Com ele subimos a Jerusalém, percorremos o caminho da cruz, passamos pela morte até chegarmos à nova vida, dom do Pai, pelo Espírito.

A Quaresma é tempo de renovação espiritual, uma espécie de retiro pascal estruturado no trinômio: oração, jejum e esmola. "O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente" (Pedro Crisólogo, século IV).

Quarta-feira de Cinzas:

Iniciamos a Quaresma com uma celebração, durante a qual um ministro ou ministra traça o sinal da cruz com cinzas na testa ou na cabeça de todas as pessoas que se propõem um caminho de conversão em preparação à Páscoa. Cinzas são usadas em sinal de penitência, de conversão, de arrependimento e luto pelo pecado. Js 7,1-26; Ne 9,1-2; 2 Mc 10,24-26; Jt 9,1-10; Est 4,1-17, Jn 3,1-10. 

Recebendo as cinzas, reconhecemos que somos todos igualmente pecadores e pedimos ao Senhor a graça da conversão, para que possamos juntos trabalhar para mudar nossa vida pessoal e social.

A quarta-feira de cinzas é dia obrigatório de penitência na Igreja toda, com a observância da abstinência e do jejum.

Domingos da Quaresma:

As leituras do Ano C (ano que estamos a viver) enfatizam a importância da conversão e a misericórdia de Deus para com o pecador. As duas primeiras leituras do primeiro domingo introduzem o tema batismal da profissão de fé.

Orientações Práticas:

1. Do início da Quaresma até a Vigília Pascal não se canta o Aleluia e nem o Glória. (Note-se que em relação ao Hino de Louvor há algumas exceções pontuais, como por exemplo a solenidade de São José, patrono da Igreja Universal. Mas o Aleluia somente será entoado na Vigília Pascal).

2. Os domingos deste tempo são chamados 1°, 2°,3°,4°, e 5° domingos da Quaresma. O 6° domingo, com o qual se inicia a Semana Santa, é chamado Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Menção especial seja dada ao domingo “Laetare”, quarto da quaresma, que já acena para as alegrias pascais.

3. Pela manhã da Quinta feira da Semana Santa, o Bispo concelebrando a Missa com os seus presbíteros, benze os santos óleos dos enfermos e dos catecúmenos, e consagra o crisma.

4. O espaço litúrgico seja despojado e sóbrio sem flores, folhagens e outros enfeites. Os vazios e as ausências nos ajudam a esvaziar o coração para preenchê-lo com a Palavra, que é luz para nossos passos.

5. A cor litúrgica para a Quaresma é a roxa, que expressa a dimensão maior de penitência e disposição à conversão.

6. É bom criar mais intervalos de silêncio do que de costume (após as leituras, após a homilia, durante a preparação das oferendas, após a comunhão), e fazer todas as coisas (andar, cantar...) de forma mais recolhida.

7. Sobre a cruz processional colocar um pano roxo, ou expor uma grande cruz no presbitério. Quanto ao costume de cobrir as imagens com pano roxo, observar a rubrica do Missal Romano: se as cobrir, elas ficarão cobertas desde a tarde do sábado anterior ao V Domingo da Quaresma, até ao começo da Vigília Pascal (e não até antes do Lava-pés na Missa da Ceia do Senhor, nem tão pouco até Sexta-feira Santa). 

8. Valorizar o ato penitencial e o Kyrie Eleyson; no missal existem textos belos que precisam ser conhecidos pelas nossas comunidades, que valorizam a experiência da misericórdia de Deus sobretudo nesse tempo. No canto favorecer o silêncio e o recolhimento próprios deste tempo.

9. Reservar a benção da água com aspersão para a Páscoa. Como este rito é uma recordação do Batismo, o mais apropriado seria usá-lo em alguns Domingos da Páscoa (sempre combinar antes com quem preside a celebração).

10. Cantar a Quaresma é, antes de tudo, cantar a dor que se sente pelo pecado do mundo, que, em todos os tempos e de tantas maneiras, crucifica os filhos de Deus e prolonga, assim, a Paixão de Cristo. É um canto de penitência e conversão, um canto sem “glória” e sem “aleluia”, um grito penitente de quem implora e suplica: tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade, e conforme a vossa misericórdia, apagai a minha iniquidade. Portanto, cuidar da seleção e execução dos cantos para que estejam a serviço dos ritos e evidenciem claramente o mistério celebrado. Sugere-se que se evitem os instrumentos de percussão no período quaresmal.

11. A proclamação da Paixão é feita sem os portadores de castiçais, sem incenso, sem a saudação ao povo e sem o toque no livro e sem a conclusão “Palavra da salvação”.

12. Para as comunidades que estão iniciando adultos na vida cristã, especialmente para o Batismo, é bom lembrar que o RICA contempla as celebrações dos escrutínios nos 3º, 4º. e 5º domingos da Quaresma, bem como as Entregas do Creio e do Pai-nosso.

 

TN com informações de Vida Celebrada