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Seg, Nov

Beato João Duns Scotus, o Doutor Subtil

Liturgia
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A Igreja celebra a 8 de novembro a Memória litúrgica do Beato João Duns Scotus (1265-1308), um dos mais notáveis pensadores franciscanos de todos os tempos, um religioso que ao falecer em Colónia em 1308, com apenas 43 anos de idade, tinha já merecido o título de “Doutor Subtil”, e hoje é justamente considerado um dos mais fulgurantes pensadores de toda a Idade Média. 

 

A sua carreira intelectual foi realizada entre Paris e Colónia, embora aqui apenas por breve tempo, mas o necessário para que na capital da Renânia ainda hoje se venere o seu túmulo, coisa que ainda só uma vez me foi dado fazer, já lá vão mais de trinta anos. Naturalmente, sobre este génio da Idade Média muito se poderia dizer. Autor de pensamento difícil e altamente especulativo, a sua relevância continua a ser grande.

No ano académico de 1306-1307 teve lugar na Universidade de Paris uma célebre disputa teológica sobre a Imaculada Conceição de Maria, aquela em que a defesa teológica do dogma da Imaculada Conceição de Maria esteve a cargo de frei João Duns Escoto, fazendo frente à posição defendida pelo clero secular liderado por Jean de Pouilly, influente conselheiro para assuntos teológicos e eclesiásticos do rei Filipe IV de França. 

Aquando da beatificação do notável intelectual franciscano, ocorrida a 20 de março de 1993, o Papa João Paulo II considerou frei João Duns Escoto (nome derivado da sua condição de Escocês) uma autêntica “torre espiritual da fé” e um admirável “cantor do Verbo Incarnado e defensor da Imaculada Conceição de Maria”. 

 

Hoje, num tempo em que de forma tão gratuita, e não raro displicente, se ataca, na Igreja e fora dela, quem realmente é capaz de pensar com profundidade as questões transcendentes que a todos dizem respeito, não devemos esquecer a importância de termos na Igreja, um portento espiritual como João Duns Escoto, homem que, pela profundidade e sofisticação do seu pensamento teológico e filosófico mereceu dos seus contemporâneos, como acima dito, o surpreendente título de «Doutor Subtil», tanto mais merecido e relevante quanto a sua obra é ainda hoje demonstração profunda da plausibilidade racional da Fé Cristã. Isso por um lado, pois, por outro, a obra e o ensinamento de João Duns Escoto demonstram o outro lado da questão, a saber, que a Fé é indispensável à realização, e perfeição, da vocação inerente à nossa humana e finita razão.

 

Texto do padre João Vila-Chã