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Qui, Out

Atravessar manhãs intactas

Liturgia
Tipografia

XXIV Domingo do Tempo Comum (Ano A)

Roteiro litúrgico para as comunidades

 

 

 

Atravessar manhãs intactas 

Introdução geral

Animador: Irmãos e irmãs, sejam todos bem-vindos! No primeiro dia da semana, o Senhor apareceu ressuscitado aos discípulos e, hoje, Ele se manifesta a nós, revelando-nos seu amor incondicional e misericordioso. Iniciemos nossa celebração, acompanhando a procissão de entrada, recebendo, com alegria, o presidente desta celebração, cantando.

 

Liturgia da Palavra 

1ª Leitura: Eclo 27,33-28,9

2ª Leitura: Romanos  14,7-9

EVANGELHO: Mateus 18,21-35

 

Reflexão 

Atravessar manhãs intactas 

 

“Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete”. Isto é, sempre. A única medida do perdão é perdoar sem medida. Mas porque fazê-lo? A resposta é simples e alta: porque assim faz Deus

Jesus o explica com a parábola dos dois devedores. O primeiro devia uma quantia hiperbólica ao seu rei, algo que nunca poderia pagar: “então, lançando-se por terra, lhe suplicava e o rei teve compaixão”. Sente como sua a angústia do servo, essa conta mais do que os seus direitos, pesa mais que dez mil talentos, alarga o coração do rei. Existe um modo real de estar no mundo, um modo divino, e reside na largura do coração: sabe perdoar que é maior e mais forte. 

E em oposição a este coração real existe o coração servil: “apenas saiu, aquele servo encontrou um outro servo…”. Apenas saiu, não uma semana depois, não um dia depois, não uma hora depois. Apenas saiu, ainda imerso numa alegria inesperada, apenas libertado, apenas restituído ao futuro e à família, apenas feita a experiência de um coração real, “agarrando pelo pescoço o seu companheiro, o estrangulava gritando: dá-me os meus 4 tostões”, ele, perdoado de milhões. 

O servo perdoado não age contra o direito ou a justiça. É justo, e sem piedade. É honesto, e ao mesmo tempo mau. Quanto é fácil ser justos e sem piedade, honestos e maus. Porque não basta ser justos para ser homens, tanto menos para ser de Deus. Justiça e direito sozinhos não chegam para fazer novo o mundo. Pelo contrário, a extrema justiça, “dá-me os meus 4 tostões”, pode conter a máxima ofensa ao homem: “agarrando pelo pescoço o seu companheiro, o estrangulava”.  

Jesus propõe a ilógica piedade: “não devias também tu ter piedade dele, como eu tive piedade de ti?”. Porque ter piedade e perdoar? Para ter o coração de Deus, inculcar o seu divino desordem dentro do equilíbrio aparente do mundo. Porque nada vale quanto uma vida. E então ocorre uma desmedida, o perdão até setenta vezes sete, um excesso de piedade. 

Ocorre “o perdão de coração”. É dificilíssimo perdoar de coração. Comporta um ato de fé, não de inteligência. No homem. Um ato de esperança, não de espontaneidade. No homem. Dois povos em conflitos sairão do seu equilíbrio de medo e de morte só com a coragem de um ato de fé recíproca. Fé é dar confiança ao outro, olhando não ao passado, mas ao futuro. Assim faz Deus comigo: perdoa-me não como aquele que esquece o que passado, mas como aquele que me empurra para além. 

Deus perdoa como um libertador. Te empurra para frente. Te faz atravessar outra vez manhãs intactas, como vento que sopra as velas, suplemento de energia. Te perdoa como ato de fé em ti, coração largo em direção ao teu futuro. 

 

Preces da comunidade

Animador: Após prece, digamos: Senhor, fazei-nos instrumentos do teu perdão!

1 - Para que a convivência em família seja espaço fecundo do perdão, pedimos.

2 - Para que a experiência do amor entre as pessoas ajude a estimular atitudes de reconciliação, pedimos.

3 - Para que Aquele que nos reúne e une, Deus, infinitamente superior às questões que nos separam, nos guie no caminho da misericórdia, pedimos.

4 - Para que as comunidades se tornem espaço e sinal eficazes de encontro, escuta e vivência da Palavra, reconciliação e de paz, pedimos.

 

Ofertório 

 Animador. Sentados. No pão e no vinho, está a entrega de Jesus para nossa reconciliação. Ao Senhor, nosso compromisso com atitudes de perdão ao próximo e testemunho ao Evangelho. 

 

Sugestões 

Na oração Colecta própria do Ano A dirigimos a Deus pedindo-lhe um coração novo, um modo de interpretar a vida e as relações fraternas como Jesus. Ecoa no pedido a obra criativa do Pai o que regenera continuamente cada crente graça ao Filho. Desde as primeira palavras da Colecta se percebe uma dilatação do horizonte antropológico. Exactamente porque Deus sabe conjugar justiça e amor, quase uma figura retórica, uma hendíadis, na qual se mostra que a justiça de Deus é o amor, é possível receber um coração maior do que a ofensa. A meta desta regeneração desagua no testemunho: o perdão é o lugar e o tempo para fazer memória, em foram eucarística, do amor de Deus. 

- À luz desta perspectiva de leitura se aconselha o uso dos seguintes prefácios: o II e o III querendo sublinhar a obra misericordiosa que o Pai realiza através do Filho; o IV sublinhado a história da salvação como mistério de comunhão. 

- Em alternativa pode-se utilizar a Oração Eucarística da Reconciliação. 

  

Poema

Me perdoem se me falta a inspiração

Nesta hora que era minha para sofrer

Outras horas, com certeza, seguirão

Em que tenha menos tempo para viver

 

Me perdoem se não sinto a tentação

De juntar as mãos e vos agradecer

Pela vida, pelos peixes, p'lo sermão

Pelo pão que tenho à mesa para comer

 

Me perdoem se não vos peço perdão

Nunca foi e nem será minha intenção

Retirar-vos a razão, vos ofender

 

Considero ser um jugo, uma prisão

Ao haver um mundo inteiro à minha mão

Ter senão um livro à frente para ler

TrabisDeMentia

 

 

 

 

Subsídio preparado pela Redação do Terra Nova online