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Ter, Set

Entre um otimismo que guia a expetativa para um futuro melhor e um pessimismo (negativismo) que ameaça o desenvolvimento do país

Opinião
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Nesta minha curta análise ocupo por refletir os efeitos de uma economia centralizadora e algumas medidas de políticas que do meu ponto de vista beneficiem o desenvolvimento do nosso país.

* Por José Carlos Vieira

Ao longo da história de desenvolvimento de Cabo Verde somos confrontados com profundos contrastes entre a ordem e caos, inteligência e ignorância, pobreza e riqueza, esplendor e sordidez, vitória e derrota. A luta pela sobrevivência foi uma constante.

O governo saído dessa última legislatura demonstrou ser no seu resíduo de governação como o mais descentralizador no quadro da execução de políticas em Cabo Verde, até que equacionou a regionalização do país como alternativa otimista a enormes desafios que o país enfrenta atualmente.

Tenho muitas dúvidas se uma economia centralizada dará melhores frutos pelos desafios que temos pela frente dentro do contexto de uma economia globalizada. Aliás a história afirma e os factos confirmam que a derrota do socialismo com a queda de muro de Berlim em 1989 constitui um exemplo paradigmático.

Quando só o governo central domina e manda, o povo obedece, pois, questiono se isso não põe em causa a democracia e o desenvolvimento do país. O governo que opta pela planificação central, o único intermediário entre os dirigentes e o estado é o partido, e este torna o senhor da política e da economia.

Na melhor das hipóteses seria bom que separasse partido do estado para a promoção de um sistema aberto e pluralista e que os dirigentes coloquem na primeira página da sua agenda o bem-estar do seu povo.

Ademais que para além de o estado ter a função reguladora, as áreas de educação, saúde e segurança devem estar debaixo da sua tutela. Portanto, em todos os setores que são vitais para o desenvolvimento do país eu defendo que o estado deve manter a sua presença para a defesa do interesse nacional.

Em jeito de uma observação muito atenta destaco em baixo algumas medidas de políticas que do meu ponto de vista beneficiem o desenvolvimento do nosso país.

• O forte compromisso de ligar as empresas e a sociedade civil, através de medidas de fiscalidade, de estágio profissional de promoção de emprego e empregabilidade.

• Aposta em políticas de investimento direto estrangeiro e em estratégias de financiamento e de protecionismo dos setores sociais mais fortes como os segmentos que apostam no desenvolvimento tecnológico e nas exportações, bem como na educação, saúde e segurança;

• Aposta em políticas que promovem o bem-estar dos pobres e dos “novos pobres” atingindo os grupos como os jovens, as mulheres, os idosos, os imigrantes e os desempregados.

• Reforço no planeamento estratégico, capaz de determinar antecipadamente o que deve ser feito e como fazê-lo, bem como determinar as ameaças, as oportunidades, os pontos fortes e fracos de uma dada execução de políticas.

• Melhor aposta no redimensionamento dos recursos. Uma boa organização implica estabelecer relações formais entre as pessoas e os recursos, para atingir os objetivos propostos. Um dos aspetos fundamentais desta função é assegurar que a pessoa certa com qualificações certas, está no local e no tempo certo para que melhor sejam cumpridos os objetivos.

• Aposta em boas lideranças e em “lideranças das lideranças”. Uma liderança com capacidade de conseguir influenciar e encorajar os seus subordinados a atingir elevados níveis de desempenho, tendo em conta os recursos, as capacidades e as tecnologias disponíveis.

• Promoção da eficácia no que toca a novas medidas de políticas de transportes aéreos e marítimos.

 

Todas essas medidas acabam por desembocar em mais circulação e mais segurança às pessoas, ao seu território e às suas instituições, em redução de riscos e incerteza em atuação num mundo globalizado, em melhor regulação e a orientação sócio econômico e por último em mais e melhor educação.

Todavia, é nos pessimistas que assistem o controlo das sociedades em últimas instâncias, as decisões em última mão, o poder de não acreditar que o país está no caminho de vencer os desafios de amanhã. Criticam que tudo está mal e não apontam sequer alternativas de mudanças. A essa atitude Ortega classifica de ‘homem massa’ ou seja é o homem cuja vida carece de projeto e caminha ao acaso. Ainda que seus poderes e possibilidades são enormes, alimentam suspeições e ilusões.

Em torno de avanços, há sempre recuos e aspetos que precisam ser melhorados. Em síntese destaco 4 medidas urgentes que precisam ser aprofundados: Regionalização do país, medidas alternativas à seca e da utilização de energia renováveis em substituição da energia fósseis, mais empregos para as famílias,

Por isso, critico a excessiva dimensão de estado na economia. Esse conceito de Estado produz efeito imprevisto/ e até negativo, que pervertem as intenções da justiça e de promoção do bem-estar das suas políticas. Um exemplo deste tipo de efeitos perversos é a do ciclo vicioso das despesas públicas que acabam por enfraquecer a economia.

Em suma, defendo um estado parceiro, onde predomina a igualdade, justiça e oportunidades para todos, um estado que consegui impor mecanismo de regulação social, que contribui para uma democracia participativa e que faz valer o pluralismo de ideia que tem por meta a felicidade das pessoas. E acima de tudo um estado que promove o incentivo a produtividade e o direito à inovação económica e política, em que defende a necessidade de os governos locais e centrais de reconhecer as reivindicações sociais e políticas de forma a inovarem os regimes de participação política.

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*Sociólogo e Professor do Ensino Secundário

 

 

 

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