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Qui, Jul

Os voos na “nova normalidade” em Cabo Verde

Opinião
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Portanto, é extremamente importante que toda a indústria turística seja envolvida na criação de uma task force para garantir uma resposta coordenada. Um exemplo mundial é a Taskforce Covid-19 da WTTC que coordena os representantes do setor privado e as organizações internacionais para que se encontrem soluções para mitigar a pressão sobre as empresas turísticas.

Opinião de Hernany Dias*

No passado, a satisfação dos passageiros estava relacionada principalmente à velocidade e à eficiência. Antes da Covid-19, a rapidez no processamento dos passageiros e a eficiência eram os dois fatores críticos na determinação da satisfação dos passageiros: qualquer um que já viajou de avião pode confirmar a ansiedade ligada à incerteza do tempo de espera nos aeroportos.

Assim sendo, para melhor a satisfação dos clientes através do aprimoramento da eficiência, desenvolveu-se competências e serviços tecnológicos que reduziram as preocupações dos passageiros. Ademais, foram encontradas outras soluções analíticas, como a modernização dos terminais. Perante a continua evolução das tecnologias de controlo dos passageiros, os aeroportos (pré-Covid-19) tinham alcançado um certo equilíbrio entre a facilidade/eficiência nos procedimentos de viagem e a necessidade de manter a segurança nos serviços.

Com a Covid-19, todos os espaços são possíveis zonas de transmissão do novo coronavírus; os aeroportos apresentam um grande nível de incerteza devido à quantidade de passageiros. Hoje, mais do que o após ataques terroristas de 2001, os passageiros estão mais atentos aos possíveis riscos e perigos do tempo de espera nos aeroportos.  Estes diferentes fatores de risco requerem o máximo respeito pelos protocolos sanitários e, consequentemente, o “repensar” do uso das tecnologias nos processos aeroportuários e nos protocolos de limpeza e de sanificação.

Os aeroportos, por conseguinte, são interpelados a aproveitarem as oportunidades tecnológicas para auxiliá-los nos serviços. Os aeroportos devem, então, informar os passageiros das medidas sanitárias, de modo a transmitir a própria dedicação na sanificação: comunicações proactivas e específicas transmitem aos passageiros a confiança que o ambiente no aeroporto está limpo e sanificado. Se pode recorrer a tecnologias, como o termo scanner ou outras tecnologias mais avançadas de triagem.

Por exemplo, os sistemas de medição da temperatura e da febre, para além de transmitirem confiança aos passageiros, podem ajudar a identificar os passageiros para ulteriores controlos. Contudo, não se pode descuidar que a implementação dos mecanismos de controlo das condições de saúde e outros serviços de suporte devem ser feitas em estreita colaboração com as companhias aéreas (especialmente, a TICV e a TACV) e com os operadores dos terminais.

É necessário, também, a implementação de soluções específicas nas estruturas aeroportuárias ou a introdução de mudanças nas soluções já existentes, adaptando-as a um mundo pós-pandémico. Por exemplo, os aeroportos deveriam considerar a possibilidade da colocação de quiosques “self-service” em diversos pontos (trata-se de quiosques para o check-in, de um e-gate com um auto-scanner ou com o reconhecimento das impressões digitais), de sensores touchless e a disponibilização de gel anti micróbicos. Da mesma maneira, deveriam considerar o melhoramento da análise dos dados dos passageiros para que se possa identificar rapidamente as informações e intervir em tempo real.

Um outro aspeto importante é a segurança dos trabalhadores. Com a Covid-19 não é apenas necessário o engajamento dos trabalhadores, mas também a segurança dos mesmos. Devem ser disponibilizados aos trabalhadores aeroportuários que estão em permanente contacto com os passageiros e/ou em contínuo contacto com os lugares públicos de tráfego dispositivos de proteção individual, serviços sanitários e protocolos em caso de incidente.

Em suma, o quadro da retoma dos transportes aéreos que desponta é de um futuro cheio de desafios para os aeroportos e para os operadores e atores ligados ao setor da aviação. A saúde dos cidadãos e, especialmente, dos trabalhadores do setor dos transportes aéreos e dos passageiros, deve ser a prioridade principal da retoma na “nova normalidade”.

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Seminarista maior da Diocese de Mindelo



[1]  World Travel & Tourism Council. WTTC unveils “Safe Travels” – new global protocols to restart the Travel & Tourism sector. WTTC, 12 de maio de 2020. Disponível em: https://wttc.org/News-Article/WTTC-unveils-Safe-Travels-new-global-protocols-to-restart-the-Travel-Tourism-sector. Acesso em 24 de junho de 2020.

[2]  U.S. Travel Association. U.S. Travel Industry Releases Guidance for “Travel in the New Normal”. Ustravel, 4 de maio de 2020. Disponível em:  https://www.ustravel.org/press/us-travel-industry-releases-guidance-travel-new-normal. Acesso em 24 de junho de 2020.

 

 

 

 

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