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Qui, Jun

O triunfo da desinformação

Opinião
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Nunca tivemos acesso a tanta informação. O desenvolvimento rápido dos novos meios tecnológicos permite, além do mais, uma comunicação supersónica.

Opinião de Laurindo Vieira

Com a exceção de algumas ilhas e zonas, até em Cabo Verde, já existe uma cobertura de rede comunicativa aceitável. Não obstante tantas regalias de comunicação, nunca houve tanta desinformação e tanto fechamento. Existe um ruído insuportável que gera uma grande ignorância que caminha de mãos dadas com a arrogância.

E tudo isto deixa transparecer muito ódio, muita frieza e indiferentismo. A Internet tem a grande vantagem de permitir a conexão em larga escala e rede. Estar em rede tem os benefícios que tem e abre espaço para as novas formas de escravatura, novas formas de imperialismo e de subjugo de uns, pelo poderio de outros.

Os “leaks” que têm surgido, o de E. Sonowden, por exemplos os Panamá Papers etc, são meras manifestações contra sistemas do poder. Eu sou contra todas as formas de corrução e ilegitimidades. Os leaks também são formas ilegítimas de denunciar outras coisas ilegítimas. Sem querer abusar na comparação, terroristas muitas vezes denunciam injustiças, mas pela via do terror. Daí que há sempre um grupo que não o povo a ser beneficiado com estas formas de denúncia.

Presume-se que Luanda Leaks vá acabar com esquemas que lesam a pátria e devolver aos contribuintes daquele país o que supostamente foi roubado. Vai haver melhorias no povo? E as muitas contas congeladas e outras que vão ser congeladas, particularmente na Europa (para variar)? Às vezes parecem com as corridas de velocidade que fazíamos na infância em que se rendia aquele que vencia sempre para deixar ganhar vantagem o primo, porque é meu primo, senão chora e fica em choque. 

Mas se se consegue invadir a quem tem grandes e poderosos parques informáticos e tecnológicos, o que não aconteceria com uma pessoa simples, que, entretanto, tem direito a toda a privacidade, que nunca irá ser ouvida pela justiça, porque não há matéria suficiente para tal. Nos bancos nós sabemos como vai o nosso dinheiro.

Com as nossas contas na Internet dá a impressão que é de borla, a título vitalício. Engana-se. Quanto mais Free, mais tenho sido eu o produto. É um esquema bem montado e infelizmente não temos como voltar ao tempo da comunicação através do fumo. Não funcionaria há muita combustão queimada por aí. 

Por isso temos que nos alojar onde der, com todos os sentidos em alerta, porque ainda prevaricadores internautas ainda continuam impunes. As redes sociais têm a sua inegável vantagem, mas ainda é o palco de muita desinformação e de oportunistas que fazem negócio e tentam lavar o cérebro aos incautos e não é difícil um deslize ou outro com uma certa frequência. Se olharmos as redes sociais, as mais usadas por nós, como um centro de debate será o fim.

Basta fazermos alguns scrolls para notarmos quantos são os abutres à espreita da desgraça alheia para alimentarem as suas fomes de racismo, ódio, xenofobia e frustrações diversas. Mal apareceu a notícia do Corona Vírus, na China, as redes já estavam a generalizar e rotular o povo chinês e a revelar que não o quer por perto.

Não nos preocupamos em aproximar dele, não o conhecemos, por isso o odiámos. É isso? Ainda não se conseguiu esquecer as mágoas do colonialismo e ainda se vitimiza, particularmente o negro. Líbios venderam líbios no nosso tempo, negros fazem negócios de escravidão com negros no nosso tempo, e quase não se fala nisso.

Eu acredito que as informações que nós temos são suficientemente esclarecedoras para, uma mudança de atitude e mentalidade que nos faça apagar a coitadeza que paira sobre o continente africano. Autovalorizarão e afirmação, para trilharmos o caminho que temos pela frente, com dignidade, autodeterminação e liberdade.

 As pessoas parecem viver cheio de medo. Medo esse que vem do seu próprio vazio e desiludidas com as promessas incumpridas de uma vida materialista. As pessoas já não se suportam.

As redes ligaram o mundo e o separaram ao mesmo tempo. Os que estão longe se aproximam e perdem espaço os que estão perto. É necessário aproveitar o humanismo enquanto se pode e cada um faça o que tem a fazer para o preservar.