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Sex, Jan

A invisibilidade para quem não quer ver

Opinião
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Vivemos numa época cheia de diversidades, o que é belo mas, ao mesmo tempo, provoca muitas distrações. Distrações que fazem com que se perca de vista a centralidade do real viver de uma sociedade.

Opinião de Frei Michael Moreira*

Uma sociedade que está sufocada por propostas e muitas delas ilusórias e que não garantem condições necessárias e favoráreis para o crescimento integral enquanto pessoa. Isso, naturalmente, sem a cultura do discernimento e sem o cultivo da paciência provoca desgastes emocionais, frustração e perda de foco daquilo que é essencial para fortalecer o desenvolvimento humano integral.

Estamos imersos num sistema que nos limita e determina o tempo que temos para pensar sobre o que realmente nos aflige. Uma limitação que age bloqueando a possibilidade de uma ampla e verdadeira visão que deveria permitir-nos elaborar uma melhor compreensão da nossa realidade. Resumindo, o sistema quer limitar o nosso conhecimento!

É evidente que toda essa “lacuna” nos interpela sobre a verdadeira funcionalidade e o desempenho da nossa sociedade, que se consola só com aquilo que lhe é proposto seguindo uma linha já traçada, fazendo com que não atinjamos o auge do real modo de ver, de ser, e de realizar concretamente as nossas competências humanas. Limitando assim uma visão realística e límpida da nossa caminhada, impedindo-nos de ter uma perspetiva, quer de progressão, de estabilidade ou mesmo de estagnação. 

Tudo isso põe em jogo a nossa liberdade e leva-nos a perguntar até que ponto somos livres e, se o somos, como é que usamos a nossa liberdade?

Será que a nossa liberdade é condicionada por um sistema egoísta que quer favorecer somente os seus interesses?

Contudo, nada está perdido para aqueles que querem realmente compreender situação da nossa sociedade e dar um contributo efetivo para a sua melhoria. Nada está perdido para aqueles que corajosamente dizem: chega! Chega de uma sociedade sem otimismo e ofuscada por nevoeiros que nos provocam cegueira, impedindo-nos de ver no visível, aquilo que o invisível quer camuflar. 2021 está aí para nos desafiar a construirmos uma sociedade mais fraterna e mais aberta. Mãos à obra, juntos. Bom ano a todos. 

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*Frade Capuchinho e estudante de Teologia em Veneza - Itália