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Sab, Fev

Documento sobre a Fraternidade Humana pela Paz no Mundo e a convivência completa um ano

Opinião
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Faz hoje um ano que Papa Francisco e o Grande Imã da Universidade Al-Azhar, Ahmad el-Tayeb, assinaram em Abu Dhabi o "Documento sobre a Fraternidade Humana pela Paz no Mundo e a convivência", um marco histórico nas relações entre Cristianismo e Islão e, ao mesmo tempo, um marco de enorme relevância na reconfiguração do papel das Religiões para a construção, e a manutenção, da Paz no mundo. 

No prefácio, depois de afirmar que "a fé leva o crente a ver no outro um irmão ou irmã a ser apoiado e amado", o texto revela ter sido "pensado com honestidade e seriedade" e, nessa base, transforma-se num fervoroso convite a que "todas as pessoas que têm fé em Deus e fé na fraternidade humana” se unam e trabalhem juntas.

Entre outras coisas e aspetos de grande relevância, inclusive no quadro das Relações Internacionais, os autores do Documento afirmam a importância fundamental da família, assim como a necessidade de "de despertar a consciência religiosa", especialmente nos jovens, de modo a que a humanidade possa "enfrentar tendências individualistas, egoístas, conflituosas” e ao mesmo tempo consiga enfrentar o radicalismo e o extremismo cego em todas as suas formas e expressões.

Papa Francisco e o Grande Imã lembram ainda que o Criador "nos concedeu o dom da vida para protegê-la" e que com esta estamos perante um dom que ninguém tem o direito de “tirar, ameaçar ou manipular" por motivos de conveniência pessoal, institucional ou política.

Com efeito, diz-nos ainda o texto assinado faz hoje um ano, “todos devem salvaguardar o dom da vida desde o seu início até ao seu fim natural”, afirmação lapidar que implica a condenação de todas as práticas que constituem uma ameaça à vida, tais como genocídio, atos de terrorismo, deslocamentos forçado de populações, tráfico de órgãos humanos, aborto e eutanásia.”

Fico, pois, claro que o Documento de Abu Dhabi condena de forma clara e explícita “as políticas que promovem práticas antagónicas à defesa da Vida. 

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Texto publicado originalmente no perfil do Pe. João Vila-Chã