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Sab, Set

31 de maio, o dia do Magnificat

Opinião
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No encontro de Maria com Isabel, do Salvador com o Precursor, o que se nos revela é, então, apenas um facto, o Facto por excelência: Deus, realmente, é Emanuel, Deus-connosco!

Opinião de Pe. João Vila-Chã, SJ*

Trinta e um de maio, é a data em que por último na Igreja se fixou a celebração da Festa da Visitação de Maria a sua prima Isabel, uma data que bem merece ser considerada como o dia do Magnificat, aquele em que pela Voz de Maria se manifestou a Israel de forma particularmente eloquente a alegria messiânica da Salvação, em si mesma, por definição, realidade sempre nova e em permanente estado de gestação.

A cena bíblica deste dia, tão bela e tão reconfortante, tem no seu centro duas mulheres «em estado», grávidas de duas crianças de Eleição, uma delas sem outra origem que não Deus, duas mulheres solidárias e que «hoje» se abraçam com o amplexo da caridade mais pura e radical.

No centro do centro, naturalmente, está Miriam de Nazaré, feita por Deus Arca da Nova Aliança, TEOFORA sem igual, portadora de Deus e da Sua Paz até às portas do (velho) mundo de sempre.

Maria e Isabel são para nós expressões reais do mistério dos «Anawin» de Israel, dos Pobres que Deus privilegia, daqueles que mesmo contra a lógica das evidências se descobrem vivos na e pela esperança que se afirma com a chegada da mais autêntica consolação de Israel, com a certeza de que está em fase de Advento um tempo radicalmente novo na História do Povo de Israel e da humanidade inteira.

O cuidado e o afecto que nos demonstra a Visitação de Maria de Nazaré é, só por si, um Hino à inscrição do Tempo Novo de Deus na história da humanidade, revelação segura de que algo de substancialmente novo, de que uma Realidade nova está agora em gestação no seio da história, e tanto é assim que os tempos do «antes» estão agora no fim.

A Festa da Visitação, portanto, recorda-nos o mistério da Solidariedade de Deus connosco, um mistério que devemos emular visitando-nos uns aos outros, interessando-nos uns pelos outros, dando a nossa preferência a quem menos pode ou mais precisa.

Numa palavra, a Festa de hoje tem o seu fulcro na ternura, naquela experiência que, talvez, ninguém conhece melhor do que a mulher que sabe o que é estar grávida, e tanto mais assim quando o Encontro, ou Visitação, que hoje celebramos na Igreja não é apenas o de duas mulheres, mas antes o de duas mães-em-processo de o ser, portadoras de duas criaturas destinadas a mudar, e de uma vez por todos, o curso da história.

Com o seu abraço de carinho e as palavras da sua alegria, Maria e Isabel, ambas «em estado», demonstram não só o sentido da solidariedade, mas fazem-se igualmente testemunhas de uma transformação inusitada da realidade do mundo, ou não estivessem ambas grávidas de Outrem, habitadas pela possibilidade de um Novo Sentido e de uma Nova Esperança.

A Ternura da Visitação, afinal, não é outra senão a ternura de Deus por cada um/a de nós, o carinho que em lado nenhum se mostra melhor do que na Fé, especialmente na Fé d’Aquela que, depois da Anunciação, continua a repetir, e de forma sempre nova, o Sim da sua adesão ao Plano salvífico de Deus para a humanidade no seu todo.

No encontro de Maria com Isabel, do Salvador com o Precursor, o que se nos revela é, então, apenas um facto, o Facto por excelência: Deus, realmente, é Emanuel, Deus-connosco!

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* Padre João Vila-Chã, jesuíta português, escreveu essa opinião na sua página pessoal de Facebook.