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Qua, Abr

Trajectória e rota de oportunidade para desbloquear o futuro

Opinião
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O fraco desenvolvimento do meio rural cabo-verdiano, tem um impacto directo no fenómeno migração da população para o meio urbano, em busca de melhores condições de vida.

 

Opinião de José Valdemiro Lopes

 Com a escassez das chuvas, no arquipélago, a cidade e concelho da Praia, tem um grau de atractividade, maior que todos os outros centros urbanos do país, porque concentra os principais serviços, instituições e todos os órgãos de soberania.

A população do meio rural, que vive de e depende, quase que exclusivamente da pequena agricultura familial e de criação de gado, ficou severamente penalizada pela escassez das chuvas e mesmo as populações das outras ilhas e concelhos tendem-se a migrar para a área urbana do concelho da Praia.

A população residente, no país, cresceu de 434.812 habitantes em 2000, para, 491.875 em 2010 e actualmente, ultrapassa os 500.000 habitantes, embora a constatação da diminuição da taxa natural da natalidade, que está, aproximando-se das taxas dos países avançados: é verdade que os métodos anticonceptivos, estão ao alcance de todos, as mulheres estão cada vez mais instruídas e instaladas política e economicamente e mais ainda as famílias, preocupam-se muito mais com a educação dos filhos...e nestes tempos da mundialização o planeamento familiar impõe-se.

Em relação á distribuição da população, segundo os resultados do Censo de 2010, se São Vicente, ocupando o segundo lugar, alberga 16% da população, Santiago ilha mais habitada, detém 56% da população cabo-verdiana. De uma maneira geral 63% da população reside no meio urbano e 38% no espaço rural.

A idade média é de 26,8% e 50% da população tem menos de 22 anos. As pessoas, com mais de 65 anos representam 5% do total da população residente, 32% dos cabo-verdianos estão na faixa etária de zero a 14 anos e 62% tem entre os 15 e 64 anos.

Esta pequena introdução confirma que Cabo Verde é um país jovem, um país de oportunidades, cujas políticas socio económicas e culturais, para viabilizar e encaminhar, o arquipélago, para a rota de desenvolvimento e crescimento, têm de ser focalizadas orientadas e dirigidas para a juventude e para as regiões, única forma de debelar o emprego e fixar as populações nas suas regiões.

Todo o dinamismo e melhores oportunidades, estão hiperconcentrados, na região do concelho da Praia, o crescimento registou-se, em destaque, nas ilhas do Sal e na Boavista, evidenciando, e colocando o turismo como o motor de desenvolvimento económico por excelência, situado ao lado da exportação do pescado e o indispensável apoio das remessas da diáspora e a necessária, atração do Investimento Directo Estrangeiro (IDE).

Analisando o passado recente, verificamos, que, com um factor capital débil o modelo de exploração colonial em Cabo Verde, baseou-se essencialmente no factor trabalho, a luta pela existência, ou melhor subsistência, não permitia nenhuma oportunidade de “acumulação” ou “poupança”, á classe média e a população rural, ficou sempre quotidianamente fustigada pelas duras “secas” e não tinha alternativa outra que o êxodo rural ou migração para os USA, Europa ou África…

O processo de desenvolvimento, ficou, em certa medida, comprometido, com sucessivas “injecções” de meios financeiros, que agravou a divida externa, elevando, esta, para um nível quase insuportável, as políticas de infraestruturação, embora necessárias, revelaram-se insuficientes para impulsionar progressos significativos, ao país, sobretudo nas áreas essenciais de massificação de emprego para por cobro ao desemprego jovem e  criação de valor.

Acresce ainda que a integração regional na sub-região africana, no mercado da CEDEAO, condição sine qua non de formação de espaços e mercados necessários, para este pequeno e frágil país insular, continua a ser um problema adiado apesar das declarações de princípio e da intenção de internacionalização de empresas cabo-verdianas…

Mesmo se já há ganhos, recentes, palpáveis, o país precisa fazer muito mais e melhor. A certeza da unificação, finalmente, do pequeno mercado nacional domestico, com ligações, marítimas e aéreas necessárias e indispensáveis para a circulação de pessoas bens e serviços, entre as ilhas, é mais valia, mas aliada a esta nova expectativa, para dinamizar a competitividade, há a exigência e desafio de se colocar toda a máquina administrativa central e local, a produzir e servir de forma “eficaz” e despida de burocracias e mais ainda impõe-se a excelentíssima estratégia de desloca-la administrativamente, com todo o seu peso logístico para as regiões, permitindo a este país traçar corajosamente a sua rota para o desenvolvimento e crescimento. Se não se quer chamar a este processo “regionalização”, todavia não há que hesitar mais. 

O mundo inteiro está em transformação e esta nação deve cumprir os 17 Objectivos da ONU para 2030 e preparar-se para mudanças intensas para 2050 onde a primeira economia mundial será a China, seguida pela India, cabendo aos EUA o terceiro lugar, imediatamente seguido pela Indonésia (fonte estudos do Banco Mundial), nada impedirá o empoderamento económico da Ásia, a única região geoestratégica que consolidou ganhos com a crise que assolou o mundo desde os fins de 2017.

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