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Seg, Nov

Capuchinhos, homens da comunicação. 50 anos do Repique do Sino

Editorial
Tipografia

Esta edição do Terra Nova que acaba de chegar em suas mãos é comemorativa, embora muito modestamente, dos 50 anos da criação do boletim Repique do Sino que inaugurou a entrada dos Irmãos Capuchinhos de cabo Verde na senda da pastoral da comunicação social. 

 

Na verdade, como testemunham os mais antigos, ainda antes do Repique do Sino, já existia o “Sineiro da Matrix” fruto da iniciativa do saudoso padre Camilo Torassa, um grande comunicador. Entretanto, é o Repique do Sino que desde Brava para o mundo marca uma história que continuou com o Terra Nova até os nossos dias. 

Em Cabo Verde, efetivamente, os Capuchinhos tornam-se incontornáveis, de entre outras, por três intervenções significativas e que marcaram gerações. 

Primeira iniciativa acontece no campo da pastoral paroquial. Embora não nascidos para serem párocos ou administradores paroquiais e a sua Constituição a desaconselhar, em Cabo Verde, por imperativos de força maior, os Capuchinhos assumiram muitas paróquias, sobretudo no Fogo e na Brava e fizeram delas, de autênticos desertos, em comunidades viva de fé autêntica. 

Em segundo lugar o cuidado com a infância. Uma das iniciativas mais emblemáticas dos Capuchinhos em Cabo Verde é a criação das Escolas Maternas na Brava e no Fogo. Nasceram para, simplesmente, cuidar das crianças desfavorecidas que na altura eram muitas e conferir-lhes dignidade. Muitos meninos e meninas se tornaram homens e mulheres, que a todos orgulham, pelas mãos dos Capuchinhos, através das Escolas Maternas. Felizmente muitos o reconhecem. 

Mas, mais. Os capuchinhos ao longo dos anos deram vida a dezenas de jardins infantis em zonas remotas. Imaginem que em toda a freguesia de São Lourenço no Fogo, o Governo e a Câmara Municipal não possuem um único jardim que seja. Mas há mais de 27 anos que as crianças de todas as zonas dessa freguesia recebem a educação pré-escolar. O pior é que nem a Câmara Municipal nem o Ministério querem lá saber…

Mas, o terceiro campo onde os Capuchinhos se empenharam com manifesto sucesso é, sem dúvidas, o campo da comunicação social livre e independente. Há 50 anos ininterruptamente (7 anos do Repique do Sino e 43 do Terra Nova, 26 da Rádio Nova, 3 do site www.terranova.cv) os Capuchinhos entram na casa das famílias, ligam as ilhas e as ilhas com a diáspora, oferecem uma leitura dos factos, posicionam-se diante dos acontecimentos, ajudam os crentes a lerem os sinais dos tempos e a serem eles mesmos sinais para os outros. 

50 anos comunicando e criando comunhão.

O Terra Nova, que já viu jornais nascerem e jornais morrerem, está aqui, para continuar a missão assumida há 50 anos de peito aberto. Aceitamos os desafios da era digital e, com passos segundo a nossa perna, vamos continuar a ser voz da liberdade. Temos projetos para o futuro e queremos contar com todos para que os próximos 50 anos sejam tão relevantes, tão importantes e tão emocionantes como os que agora se completam. 

Obrigado a todos os que puseram pedras nesses alicerces e nos facilitaram a vida a nós que viemos depois, num tempo novo. A nós compete dar, com o mesmo ardor, continuidade porque se calarmos, as pedras falarão. 

 

Corações ao alto! Paz e bem!