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Dom, Mai

Comunicação e transparência

Editorial
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Um governo avalia-se pela sua capacidade de resolver os problemas dos cidadãos e de garantir o desenvolvimento harmónico do pais, que é como quem diz dos homens e mulheres de todas as ilhas e regiões.

 

Para resolver problemas e garantir o desenvolvimento harmónico de um povo é preciso ter a coragem de tomar decisões e, mais do que tomar decisões é preciso ter a coragem de tomar decisões que igual à semente lançada na terra, requerem tempo para se poder ver os resultados e apreciar os frutos. Ter coragem de tomar decisões que inquietam e não promovem a unanimidade mas são decisões necessárias para que os problemas não sejam resolvidos somente à superfície mas lhes sejam atacadas as raízes profundas. 

Sob este ponto de vista temos que reconhecer que este Governo liderado por Ulisses Correia e Silva tem sido exemplar. Tem manifestado coragem em tomar decisões que outros não tiveram para tomar as mesmas decisões quando reconheciam e reconhecem ainda hoje o problema e a sua profundidade. Com mais ou menos ou mesmo sem pressões dos financiadores do nosso desenvolvimento o Governo do MPD tem demostrado coragem de tomar decisões. Estamos a referir por exemplo às decisões relativas ao Novo Banco, à TACV, ao carnaval e ao AME, ao Banco da Cultura, à liberalização dos vistos, etc. Esta capacidade de tomar decisões muitas vezes polémicas e quase sempre não consensual, na nossa opinião, demostra que estamos perante um Governo que sabe para onde quer levar o país e quer, como prometeu, inaugurar um novo modelo de desenvolvimento. 

Parece, porém, que este Governo cujo um dos objectivos de ser pequeno era poder haver maior coordenação entre os vários sectores, tem sofrido de uma patologia que o pode prejudicar grandemente e já está a prejudicar a sociedade. Se na prática o Governo de Ulisses consegue coordenar internamente não tem conseguido absolutamente comunicar com o exterior e com os cidadãos comuns as suas decisões e linhas mestras. Mais, muitas vezes parece que é um Governo à deriva, que navega à vista e que não sabe para qual porto dirige o barco. Muitas vezes temos perguntado quem são os assessores de comunicação deste Governo. Se durante toda a campanha a comunicação do MPD foi impecável e não falhou em nenhum momento, já durate este tempo de governação tem sido claramente o calcanhar de Aquiles que não tem desgastado ainda mais a imagem do Governo porque temos uma oposição que ainda não se organizou e, até agora, não constitui alternativa credível. 

Mas não é só a comunicação que tem falhado. Falta também superar um antigo vício que depende também de uma outra coragem. O vício é o secretismo, ou para usar uma palavra mais vulgar a intransparência. Não estamos aqui a referir ao caso dos negócios da TACV porque aceitámos que não se pode dizer tudo estando num momento delicado e em fase pré-privatização. Mas se é verdade que não se pode dizer tudo em praça pública, já não é verdade que não se pode e deve haver diálogo com a oposição que não é e nem deve comportar-se como praça pública.

Mas quando falamos de secretismo e intransparência referimos a negócios menores mas igualmente importantes como por exemplo o dos manuais carregados de erros. Foi uma oferta ou o Estado pagou? Custa responder a esta pergunta com dados concretos? Mas, mais, o que aconteceu de verdade com a Gala de premiação do turismo que aconteceu na ilha do Sal que que motivou a queda do Diretor Geral do Turismo e a instauração de um inquérito? O que diz o inquérito? Estávamos acostumados e resignados a isto já no Governo anterior em que ficamos sem saber, por exemplo, quanto gastou, dos cofres do Estado, a ex-ministra das finanças na sua campanha para a presidência do BAD e outros secretismos e intransparências.    

Se Ulisses Correia e Silva inverter a rota e o seu Governo for capaz de comunicar mais e melhor e se alguns Ministros puserem de lado a arrogância e vestirem o fato de serviço público os resultados das suas decisões e linhas mestras trarão, seguramente, parte daquela felicidade que, entretanto só Cristo, cuja encarnação estamos a celebrar nesses dias pode dar. Boas festas a todos e um abençoado 2018. Corações ao alto! Paz e bem! 

 

Frei Gilson Frede, diretor