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Qui, Out

26 de julho: Dia dos Avós - Elogio da idade avançada

Opinião
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Neste mês, a 26 de julho, ocorre o Dia dos Avós, data em que se comemora a festa dos pais de Maria, Sant’Ana e São Joaquim dia dos avós.

Normalmente, os avós são pessoas de certa idade. Que todos leiam com gosto estas linhas inspiradas no diário de um franciscano idoso, reflexão de um antiquíssimo número da revista “Vita Minorum”, Julho de 1983.

A velhice é um tempo de graça. Normalmente, nesta quadra da vida as paixões se abrandam. A fantasia perturba menos o trabalho do intelecto. Julga-se as pessoas com mais benevolência. Pensa-se mais naquilo que se fez e menos naquilo que ainda resta por fazer. O forte desejo de ser valorizado, estimado, compreendido não preocupa mais tanto. Sem desprezar os jovens, nesta altura da vida, esboça-se um sorriso quando eles expõem seus projetos tão parecidos com os nossos. Muitos dos nossos sonhos nunca se realizaram. Mesmo assim, com nossa idade avançada, não permitimos que eles morram. Temos ainda uma secreta esperança de que eles vão se realizar. Quem sabe os que chegam abracem os ideais que abraçamos.

Não se perde mais tempo com inúteis tagarelices e com leituras que não são necessárias. Não se acompanha com tanta avidez as notícias veiculadas pelos meios de comunicação. Não se estranha o mundo. Vai-se, no entanto ganhando consciência de um outro mundo, mais estável. Não se dá importância exagerada, ao que na realidade tem pouco valor e é efêmero. Não se busca consenso nem a atenção dos outros. Nessa quadra da existência experimenta-se uma liberdade interior raramente atingida em outro período da vida. Aos poucos vamos nos aproximando de Deus que é eterno. Adquire-se a capacidade de “partilhar”, de perdoar, de escutar, de sorrir face às próprias fraquezas e às fraquezas dos outros sem desprezar ninguém. O coração da pessoa envelhecida se dilata na medida do coração de Deus…

A infância é bonita e agradável, mas é um período de inconsciência. O tempo da idade avançada é talvez um pouco menos festivo, mas desprovido de malícia e é um período de vida consciente. A juventude é ardorosa, mas inconsequente. A idade madura talvez seja menos calorosa, mas quem sabe mais dada à reflexão. A idade jovem é orgulhosa, tende a afirmar-se, sobrepor-se e colocar-se em posição de superioridade.

A velhice é mais humilde, longânime, deixa lugar para os outros porque seu intento é degustar e viver em plenitude o momento presente. Nada deixa para o amanhã. O bem tem que ser feito aqui e agora. Daí a urgência de fazer todo o bem possível. Para a pessoa de idade avançada o tempo é pleno, cada momento é uma espiga madura e cheia. Não dá para deixar vácuos, cancelamentos e adiamentos. Tudo o que o Espírito sugere será realizado imediatamente. O ancião não em tempo para saudades. Como nenhuma outra pessoa, vincula-se ao presente.

 

Frei Almir Guimarães, frade menor brasileiro 

 

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