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Qua, Nov

“DENÚNCIA E ACUSAÇÃO PÚBLICA” – Júlio Correia

Opinião
Tipografia

A morte de uma jovem mãe e do seu filho que não nasceu, na ilha de Boavista, devido não à emergência médica, mas à incúria de não ter sido evacuada por uma companhia aérea a operar, como monopolista dos voos domésticos, obriga-me a expressar enquanto Deputado e cidadão de forma bem clara e consequente, a minha indignação e a demarcar, de maneira irreconciliada, com esta forma de governar o País.

 

Não me presto a ser cúmplice de coisas indefensáveis, especialmente quando danosas. Lembro que a TACV, malgrado todos os seus problemas (por mim sempre denunciados) nunca deixou um doente nas ilhas por razões de negócios.

Governar contra o dever social e à revelia do interesse público é implantar uma lógica perversa na relação entre os cidadãos e a sua classe política. O MPD, por desonestidade, dizia vir governar para as pessoas e, por crime, sim, crime, desampara os doentes nas ilhas, preferindo honrar os negócios e as imposições de uma companhia estrangeira que não atende a casos de emergência médica, comprometendo vidas humanas em Cabo Verde.

Cai em definitivo a máscara e a cara desavergonhada deste Governo. E esta afronta e este descaso me interpela a reagir com esta inequívoca veemência. Estou a reagir para acusar o governo da república de Cabo Verde de ser o responsável pela falta de socorro aos doentes das ilhas com critério de evacuação para os hospitais centrais.

Estou a reagir para condenar os governantes deste país de gestão desumana e predadora. Exorto a todos os cidadãos à insurgência legal e cidadã contra este estado de coisas e contra o laxismo que custa vidas humanas. Demarco-me de qualquer tipo de entendimento político e muito menos de consenso parlamentar, enquanto permanecerem as tragédias dos doentes nas ilhas, em situação crítica, que não são evacuados (por claras razões de delapidação do sentido da prioridade pública).

A questão, para além de política, social, moral e ética, é da alçada da Procuradoria Geral da República. Há crime público – incúria e gestão danosa. Como Deputado da nação acuso publicamente este Governo da IX Legislatura, pedindo-lhe o mínimo de decência que tome medidas em conformidade, enquanto a opinião pública faz o luto das suas vítimas. Temos todos de reagir antes que nos vendam a República e entreguem a causa pública a um Leviatão de negociantes sem pudor e sentido de Estado. Fico à espera que a resposta a esta minha acusação seja a de sempre: A oposição democrática como bode expiatório de toda a desgovernação do país e de fuga em frente, acusarem os parlamentares de fazerem a exploração da tragédia. Digo já que faço a politica exatamente no contraponto de se evitar a tragédia e de apelo à punição dos que a provocam.

 

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