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Campeonato Nacional de Futebol: a reforma necessária

Opinião
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Dentro de algumas semanas vai-se dar início a mais uma edição do campeonato nacional de futebol senior masculino. O formato adoptado há já algumas décadas se assenta no princípio de representatividade de todas ilhas/regiões desportivas que depois são divididos em dois grupos na modalidade todos contra todos, na primeira fase, e por elimitória na segunda fase.

Por Vladmir Silves Ferreira

 

 

A região desportiva campeã na edição anterior é a única que entra com duas equipas no campeonato. Não sei se esta medida foi adoptada para possibilitar a composição de dois grupos numericamente equilibrados (seis cada) ou se a ideia era imprimir maior competitividade. Acredito mais que tenha sido a primeira hipótese.

Este modelo de organização é sui generis no mundo do futebol moderno, pois garante à partida, a participação de todas as regiões desportivas independentemente do nível competitivo das suas equipas. Entretanto, trata-se de um modelo pouco vulgar e geralmente não é utilizado nos países de referência em termos do desenvolvimento da indústria do futebol. O critério que prevalece nos principais campeonatos do mundo previlegiam sobretudo o futebol-espetáculo favorecendo a presença das melhores equipas independemente da região que representam. 

Os campeonatos são nacionais não porque neles estão incluídos equipas de todas as regiões do país mas sim porque neles encontramos as equipas mais competitivas do país. Este tem sido o princípio predominante no mundo. Assim se previlegia maior competividade, maior audiência televisiva, mais envolvimento e patrocínio das empresas e mais afluência dos espectadores aos estádios.

Para melhor ilucidar esta questão poderíamos tomar como exemplo dois países de língua portuguesa, Brasil e Portugal. O principal campeonato de clubes Brasileiros (Seria A) é composto por 20 equipas, mas entretanto o país é constituído por 26 Estados. Enquanto que os Estados de São de São Paulo (4), Rio de Janeiro (4), Minas Gerais (3) e Rio Grande do Sul (2) costumam ter em média sempre mais do que um clube na principal competição, por outro lado Estados como Amazonas, Maranhão, Acre, Roraima, Pará, Piaui ou Amapá não tem tido nenhum clube na elite do futebol Brasileiro. 

A primeira liga Portuguesa também em nada difere do modelo Brasileiro, ou seja, as regiões de Lisboa e do Porto são as principais fornecedoras de clubes da divisão principal. Nos últimos anos as regiões do Alentejo, Açores e Algarve praticamente não têm tido representação no principal escalão enquanto que a Ilha da Madeira esteve presente com 1 clube no último campeonato.

Este modelo é claramente penalizador para as equipas dos campeonatos regionais mais competitivos. Ser campeão regional em Santiago Sul ou São Vicente é muitas vezes mais difícil do que ser Campeão Nacional noutras regiões do país porque o nível de competitividade das equipas é muito equilibrado. 

Há quantos anos uma equipa da Boavista, da Brava ou do Maio não chega à final do Campeonato?

Num modelo mais realista penso que o nosso campeonato seria composto por 4 equipas de Santiago Sul (por ter vencido a última edição), 3 de São Vicente, 2 de Santo Antão, 2 do Fogo e última vaga seria disputada entre as equipas das restantes regiões.

 

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