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Dom, Set

“A Necessidade de uma pedagogia alicerçada em ideais cristãos”!

Opinião
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Eis que mais um ano letivo se Inicia! E com ela, como é óbvio, as suas preocupações, inquietações e ansiedades! Nestes dias, a azáfama centra-se, mormente, na aquisição de materiais didáticos e também nas matrículas. Tudo isto é bom e é de se louvar as oportunidades que hoje temos para estudar não obstante algumas pequenas burocracias que notamos no nosso sistema de ensino bem como a tal “Cultura de oportunidade” em relação a atribuição de algumas bolsas de estudo.

A minha questão central, posso dizer que é mais de outro nível. Trata-se de uma pedagogia onde Deus seja o alicerce e o centro. Não se trata simplesmente de seguir a tradição, onde por exemplo, na idade medieval com o surgimento das universidades e das escolas pontifícias a Igreja é que era, se assim podemos dizer a “Casa mãe do ensino” por causa dos grandes professores, padres e teólogos que com sabedoria e inspiração divina inventaram, ensinavam e faziam progredir o conhecimento e que até hoje as suas marcas são visíveis na ciência, na filosofia, na física, matemática, enfim.

A Igreja, portadora e transmissora da palavra de Deus, sempre foi e sempre será, não só um Santuário de fé e de santidade, mas também um Santuário de conhecimento. Este conhecimento não se restringe unicamente ao científico, tecnológico e experimental. Se assim fosse, a Nossa querida Igreja Católica comparar-se-ia a um laboratório qualquer. Graças a Deus que não! Ela é portadora da melhor fonte de conhecimento que é a palavra de Deus, que por sua vez é geradora e inspiradora de restantes conhecimentos. Nota-se uma certa falta de valores na nossa pedagogia de ensino que por sua vez é reflexo de outros problemas maiores como o uso de drogas nas escolas, a agressividade por parte dos alunos, o envolvimento de professores com alunas e consequentemente uma fraca motivação para os estudos.

É altura mais que oportuna no nosso sistema de ensino cá em Cabo Verde, fazermos uma mudança de paradigma no sentido de recuperar os velhos tempos onde não só os estudantes eram educados uns para com os outros, estabeleciam-se metas fortalecidas em valores que edificavam, onde o professor era visto como um verdadeiro educador e um segundo pai e a escola também era vista como uma segunda casa onde os ideais do respeito, da transparência, da sinceridade, humildade eram o espelho do portão da entrada da escola. Antigamente rezavam-se antes de se iniciar as aulas como também faziam antes de qualquer ofício.

Como dizia o outro: “Mudam-se os tempos mudam-se as vontades”! É um pouco Redículo, preocupante e vergonhoso quando as vontades mudam-se no que tange aos valores. Quem não se lembra da retirada dos crucifixos nas escolas de alguns países da “Velha Europa cristianizada”? Digo velha em relação a Europa é mais que notável a urgência e a necessidade de uma nova evangelização onde a secularização tem vindo a ganhar espaço. Prepara-te África! Somos nós a ir lá agora! E quem não se dá conta da retirada do ensino da Língua Latina nas escolas secundárias Aquilo que alguns “Ignorantes intelectuais” consideram uma língua morta. Como dizia alguém:” A Ignorância tem força”! Assino por baixo! O Latim para além de ser, “ a língua das línguas”, da sua rica cultura é mais que urgente voltar a tê-la presente no nosso sistema de ensino. Ela ajuda ensina-nos não só a compreensão da etimologia das palavras bem como uma maior capacidade de raciocínio e de exposição das nossas ideias. Na Alemanha, por exemplo, para se formar em Medicina exige-se que o estudante tenha obrigatoriamente estudado quatro anos de Latim.

 

Para aqueles que já começaram e que vão iniciar as aulas um bom ano letivo e que os verdadeiros valores estejam também presentes nos nossos estudos para que possamos dar o nosso contributo a este país maravilhoso, mas sedento de mudanças nalgumas áreas, como é o ensino.

Autor: Inelson Costa, Filósofo

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