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Seg, Mai

“A opção pela ordenação diaconal neste tempo em que vivemos é uma questão de identidade e missão” – Hernany Dias

Igreja
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O Seminarista Estagiário da Diocese de Mindelo, Hernâny Dias, será ordenado diácono, este domingo,7 de fevereiro, na ilha de São Vicente. Hernany Dias que tem como lema de ordenação “Servir com Alegria” (Sl 100,2), concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Terra Nova onde aborda tanto o emergir da sua vocação, bem como a trajetória da sua formação filosófico-teológica.

Questionado acerca do significado tem ser ordenado num tempo de pandemia, o futuro diácono realça que “a opção pela ordenação diaconal neste tempo em que vivemos é uma questão de identidade e missão”. Confira na íntegra a entrevista.

 

1 –Como surgiu a sua vocação?

A minha vocação surgiu num contexto muito peculiar. Foi durante um acampamento vocacional. Houve muitos momentos de discernimento e partilha vocacional, mas teve um momento que me marcou de modo invulgar: a meditação de uma passagem bíblica à escolha. Lembro-me como se fosse hoje, a passagem da vocação de Jeremias. Através desta passagem bíblica tive um belo encontro com Deus: senti-me amado e chamado por Deus. E desde deste dia, tenho alimentado este dom do amor de Deus, que é o meu chamamento.

2 – Que leitura faz de toda a caminhada vocacional?

A minha caminhada foi marcada por várias experiências, umas boas e outras menos boas… como tudo na vida! Com todas, aprendi e tirei lições. Desde 2013 até esta data, lá vão 8 anos… Façamos, conjuntamente, uma retrospetiva histórica…

No dia 14 de setembro de 2013, ingressei no Seminário Menor de São José, Praia – Santiago. Em 2014 parti para o Seminário de São José, situado na Cidade de Faro – Portugal, onde frequentei a etapa do Propedêutico. Em 2015 passei para o Seminário Maior de Évora, na cidade de Évora – Portugal. No mesmo ano, iniciei os estudos filosóficos no Instituto Superior de Teologia de Évora. Em julho de 2017 parti para o Pontifício Colégio Urbano, em Roma -Itália. Em setembro de 2017, iniciei os estudos teológicos na Pontifícia Universidade Urbaniana.

Fui admitido às Ordens Sacras no dia 19 de abril de 2018. Fui instituído leitor no dia 15 de novembro de 2018, pelo Cardeal Francesco Monterisi. No dia 12 de dezembro de 2019 fui instituído acólito, pelo Monsenhor Gianfranco Girotti; ambos na Capela do Pontifício Colégio Urbano, em Roma.

Em 2020, depois de ter concluído a minha formação religiosa em ordem ao sacerdócio, regressei à Diocese de Mindelo, onde tenho vindo a exercer o meu estágio pastoral no Seminário Diocesano Cristo Bom Pastor, como prefeito; Para além do Seminário, sou colaborador na Paróquia de Santo António (Craquinha), animador espiritual da Pastoral Universitária e administrador do Site da Diocese.

3 – Qual é o sentimento?

O sentimento que tenho é de alegria, porque sinto-me realizado. Sentir-me realizado na minha vocação é um prelúdio de um futuro feliz, mesmo tendo dificuldades. Esta alegria advém da certeza de estar a fazer a vontade de Deus, de estar a encarnar na minha vida o projeto de amor de Deus para comigo, e através de mim, para com os outros irmãos que irei servir.

4 – Como olha para o futuro?

Se, por um lado, me sinto inundado por uma grande alegria por se tratar do culminar de longos anos de formação e de preparação, por outro, tenho consciência da grandeza da missão para a qual sou chamado e serei enviado, especialmente, nesta época de profundas mutações na sociedade, em que urge da parte da Igreja, uma renovação das suas práticas pastorais. Essa renovação não significa uma recusa daquilo que já tem sido feito, das suas estruturas e atividades, mas sim dotá-las de uma tónica evangelizadora, de modo que possam alcançar os muitos cristãos que, um dia sacramentados, abandonaram, por diversas razões, a vida de fé.

5 – Vai ser ordenado num tempo difícil. Como viveu/está a viver esta experiência de pandemia?

É claro que a dor do mundo e a distância do povo de Deus repercutem de maneira incisiva e profunda em meu interior. Não é possível esconder o sofrimento que vivencio por tudo isso. Mas isto é cristológico: ser capaz de se compadecer, ofertar-se a si para sarar a dor dos filhos e filhas de Deus é próprio daquele que respondeu positivamente ao chamado do Senhor. A opção pela ordenação diaconal neste tempo em que vivemos é uma questão de identidade e missão. Seria coerente subtrair-me à eleição para o ministério diaconal sob a justificativa de aguardar tempos melhores? Não seria precisamente em ‘tempos difíceis’ que deveria brilhar a luz do ministério ordenado como sinal de esperança e da proximidade de Deus?

 6 – O que significa ser diácono para si?

A vocação diaconal está ligada ao Cristo-Servo, aquele que ¨não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos¨ (Mc 10,45), que na linguagem semítica, significa por todos. De fato, os diáconos, sendo um dom de Deus à sua Igreja, são marcados pelo caráter do serviço e gratuidade/voluntariado.

7 – Os jovens são o pilar da igreja. Como vê a juventude atualmente na igreja? Existe, a seu ver, algo que precisa ser trabalhado mais a fundo naquilo que diz respeito a pastoral juvenil?

Ao pensarmos na palavra juventude, muitas são as características que nos vem à cabeça. Podemos falar em curiosidade, energia, alegria, a certeza de um futuro longo pela frente… É uma fase da vida em que é necessário apoio, pois esse ‘jovem’ muitas vezes está saindo da adolescência ou vivendo esse período, e num mundo tão repleto de informações e determinações comportamentais, que nem sempre são positivas, é preciso haver um ambiente adequado – como a Igreja - em que se possa estar e compartilhar.

Os jovens devem ser incluídos, eles necessitam ser alimentados pela fé, pelo amor e pela esperança para poderem glorificar a Deus. E, para isso, é importante a igreja levar uma mensagem contextualiza com as temáticas e anseios da juventude atual sem perder de vista a identidade cristã.

8 – Algo que queira salientar….

Rezem por mim e pela minha vocação!

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