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Dom, Set

Padre cabo-verdiano, missionário em Moçambique, conta a visita do Papa

Igreja
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Padre Edmison Semedo, missionário Espiritano em Moçambique, descreveu ao nosso jornal a visita do Papa Francisco a Moçambique de 4 a 6 deste mês.

Nos dias 4 a 6 de Setembro de 2019, Moçambique recebeu a bênção especial da visita do santo padre, papa Francisco. 

Deixando de lado os aspectos organizacionais e de logística, queria partilhar a riqueza e a intensidade daquilo que se viveu nesta humilde terra. 

Essa visita sublinhou três aspectos importantíssimos na edificação da sociedade moçambicana: justiça paz e reconciliação. Estamos entre o acordo da cessação das hostilidades assinado no mês passado e as eleições gerais a ter lugar no próximo dia 15 de Outubro

O Papa não deixou de focar estes aspectos nos discursos que fez durante a visita, mas também nos gestos e nos encontros que realizou durante estes dias:

No encontro com as autoridades e membros do governo sublinhou a necessidade de todos trabalharem para que haja uma verdadeira paz em Moçambique que, no dizer do papa, vai muito além do silêncio das armas e só se consegue se houver igualdade entre todos e o envolvimento de todos.

Com os jovens de diversas confissões religiosas o papa salientou o papel de todos e de cada um na superação dos desafios com que se debate a sociedade moçambicana. Apresentou exemplo de dois moçambicanos que venceram as adversidades e se afirmaram no mundo do desporto: Eusébio e Maria de Lurdes Mutola.

Ao seu estilo, o papa pediu aos bispos, padres, religiosos e outros agentes pastorais (no encontro que decorreu na catedral de Maputo), que as suas vidas e ações se pautem pela proximidade e pela simplicidade e humildade não exercício da autoridade como um serviço.

Na eucaristia conclusiva da visita (com o estádio de Zimpeto repleto de fiéis de vários pontos de Moçambique e de países vizinhos) o papa falou de várias questões que afectam a sociedade e dificulta a construção da paz e reconciliação: a desigualdade, a corrupção, a pobreza... também o papa não esqueceu os dois ciclones que afectaram as zonas centro e norte do país nos meses de março e abril deste ano. 

Os sinais deixados pelo Papa Francisco assim como a mensagem que transmitiu enchem de esperança os moçambicanos e todos que nesta terra almejam a paz e a prosperidade, a igualdade e a justiça... esta visita procurou não deixar ninguém de fora: o Papa visitou um hospital no Zimpeto, uma casa de acolhimento de idosos, encontrou-se com os jovens de várias religiões e de todo o país (20 jovens de cada diocese), a visita e as deslocações do Papa foram pautadas pela simplicidade, sobriedade e humildade... apesar de não ter saído fora da cidade de Maputo, a mensagem que fica é que há lugar para todos os moçambicanos e todos devem sentir que tem o seu lugar na edificação de um Moçambique melhor.

 

Outro momento forte foi a mensagem do presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, D. Francisco Chimoio que reiterou o compromisso de toda a Igreja de Moçambique de rezar pelo santo padre; o próprio papa ao terminar pediu isso mesmo: "rezem por mim".

 

 

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