11
Ter, Ago

O que é bacalhau. E por que ele é consumido no Natal

Culinária
Tipografia

Prato comum nas celebrações natalícias dos portugueses, seu consumo em Cabo Verde vem aumentando e foi influenciado por portugueses.

 

O bacalhau é ingrediente inseparável da celebração do Natal para muitos cabo-verdianos. Sua preparação está envolto de simbolismos religiosos e culturais que se tornaram uma tradição. 

É técnica, e não peixe 

Bacalhau não é um peixe. Ou melhor, é um termo mais amplo, utilizado para se referir a um processo de salga e seca de determinados peixes de clima frio. 

A salga surgiu como um método de preservação de alimentos, e o bacalhau que conhecemos em Cabo Verde é feito tradicionalmente utilizando cinco diferentes espécies de peixes, entre elas  Gadus morhua, ling, saithe, zarbo, Gadus macrocephalus. Todos eles são típicos da região nórdica do Oceano Atlântico. 

A Noruega se destaca como um dos maiores produtores mundiais de bacalhau. 

“Nas fábricas familiares, os peixes são abertos um a um e dispostos em camadas, intercaladas com grandes quantidades de sal marinho. Ficam assim de três a quatro semanas. Depois, são dispostos em paletes de madeira e vão para câmaras ventiladas, onde secam por mais uma semana. E só aqui que nasce o bacalhau”, explicou a jornalista Carla Peralva em texto para o caderno Paladar, do jornal Estado de S. Paulo. 

De acordo com Camila Landi, coordenadora do curso de Tecnologia em Gastronomia da Universidade Mackenzie, a origem do produto está ligada ao período histórico de expansão marítima. Os marinheiros passavam meses em alto mar e era necessário conservar os alimentos por longos períodos. 

Primeiramente, foi utilizada a técnica de secagem dos peixes. Mais tarde, o processo de salga com determinadas etapas foi aperfeiçoado pelos povos bascos. 

Como deve ser preparado 

O principal passo para o preparo de uma receita de bacalhau é o processo de dessalgamento do peixe. Para isso, é preciso deixá-lo de molho em água. O ideal é usar água gelada e repetir o processo de trocar a água por até três dias, dependendo do tamanho da peça de peixe. As primeiras trocas devem ser de três em três horas e as seguintes de seis em seis. O processo mantém o frescor do produto e evita odores.

Para o tempero o especialista indica alho, cebola, louro e azeite. Além disso, brócolis, ovos cozidos e batata vão bem como acompanhamentos. O prato pode ser acompanhado por vinhos brancos, feitos com a uva Alvarinho, ou por um tipo de vinho português conhecido como vinho verde, que corresponde à produção vinífera de uma determinada região portuguesa e que pode ser tinto ou branco. Ou ainda com vinho do Fogo Santa Luzia, produzido pela Adega de Monte Barro.  

TN