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Sab, Mai

O impacto do coronavírus na cultura. E o papel dos governos

Cultura
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Prejuízo para indústria com cancelamento de shows e adiamento de festivais de música, lançamento de discos poderá ser milionário. Países anunciam medidas para mitigar efeitos da pandemia no setor.

 

Sessões de cinema, espetáculos de teatro, shows de música, festas, exposições em museus. A diversidade do setor cultural se encontra em um ponto em comum: são atividades que dependem da aglomeração de gente para sobreviver.

Sem poder funcionar, não se pode contar com o dinheiro do ingresso, tão importante para manter a respirar uma cadeia que tem no artista sua ponta mais visível, mas inclui dezenas de outras profissões e atividades, diretas e indiretas. Estas vão de profissionais técnicos que atuam por trás das câmeras ou dos palcos até uma vasta rede de fornecedores terceirizados ou autónomos, dos motoristas ao ambulante que vende na porta do show.

Esses profissionais geralmente não ganham salário fixo nem têm contrato. Em condições normais, já é uma vida sujeita a imprevisibilidades. Ficar sem trabalhar por longos períodos pode ser financeiramente devastador.

Sem shows ou festivais

Diversos festivais marcados para os próximos meses em Cabo Verde foram cancelados ou adiados. Entre eles, está o Kriol Jazz Festival, marcado inicialmente para abril e postergado para uma data a definir. A edição de 2019 do evento juntou milhares de pessoas durante três dias.

No Fogo, as festas de São Filipe, uma das maiores culturais do país, a acontecer ininterruptamente desde 1917,  foi também cancelado. De Santo Antão a Brava, cerca de uma dezena de  festivais e manifestações culturais não irão mais acontecer nas datas previstas.

Nos EUA, eventos de peso como os festivais SXSW (South By Southwest), de música, cinema e tecnologia, e Coachella foram cancelados. Todos os shows de março da Live Nation e da AEG, as duas maiores produtoras de touner do mundo, foram interrompidos.

No Reino Unido, casas de shows e touner se preparam para enfrentar grandes prejuízos com as dezenas de cancelamentos. Entre as touner bloqueadas estão Avril Lavigne, The Who, Green Day, Pearl Jam e Madonna. Na França, o Tomorrowland, maior evento de música eletrónica do mundo, teve sua data em março cancelada.

Segundo a revista americana Billboard, mais de 20 mil shows foram suspensos entre janeiro e março na Ásia. Os cancelamentos incluem touner de nomes grandes como Avril Lavigne, Green Day e BTS. Os prejuízos podem chegar a 286 milhões de dólares.

Nos últimos dez anos, shows e apresentações ao vivo tornaram-se a principal fonte de renda de artistas que ganhavam cada vez menos dinheiro com vendas de músicas e álbuns. Em 2019, no Reino Unido, o ao vivo era responsável por mais de um quinto da receita do setor da música.

A queda no cinema

“A avalanche de cancelamentos de última hora e atrasos das estreias que movem os motores comerciais da indústria significam que o impacto da catástrofe da Covid-19 [em Hollywood] irá muito além de 2020”, afirmou a revista americana Variety, um dos principais veículos que cobre a indústria cinematográfica americana.

Mundialmente, estima-se que o cinema deverá perder cerca de 5 bilhões de dólares, segundo a revista Hollywood Reporter. Boa parte das perdas são consequência da queda do mercado chinês, o segundo do mundo. Entre janeiro e o início de março, o país asiático fechou cerca de 70 mil salas.

Demandas por ação

Representantes dos setores culturais de vários países pressionam governos para que implementem medidas que aliviem os prejuízos de instituições, empresas e trabalhadores da área.

Ajudas governamentais

Na Alemanha, o ministério da Cultura afirmou que vai ajudar financeiramente instituições culturais independentes e profissionais criativos freelance. Em Berlim, museus, teatros, óperas, salas de concerto e casas noturnas estão fechadas desde 13 de março até, pelo menos, 19 de abril.

“Estou ciente de que essa situação coloca um grande fardo para as indústrias culturais e criativas e pode causar angústia considerável, especialmente para instituições menores e artistas independentes”, declarou a ministra Monika Grütters, em comunicado. Ela lembrou que a indústria cultural do país gera receitas de mais de 111 bilhões de dólares anualmente, sendo mais valiosa que a indústria química ou de serviços financeiros. Gritters afirmou que a cultura é “sistemicamente relevante” para a economia alemã.

Outros países europeus que determinaram apoio a seus setores culturais incluem o Reino Unido, com subvenções e benefícios a pequenas empresas e empreendedores individuais, a França, com uma série de programas de auxílio à forte indústria cinematográfica do país.

TN - Com Nexo

 

 

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