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Ter, Dez

Frei Bernardino Lima fala ao Terra Nova sobre o seu novo livro: Psicopedgogia familiar - uma relação de interajuda

Cultura
Tipografia

Frei Bernardino Viriato Lima acaba de dar á estampa nos EUA o seu mais recente livro dedicado á Psicopedgogia familiar. Esta é, depois do livro dedicado ao padre Pio Gottin e um outro dedicado à filosofia da emigração, o terceiro livro frei Bernardino, frade capuchinho, doutor em Ciências de Educação com especialidade em psicopedagogia pela Pontifícia Universidade Salesiana em Roma, dá à estampa. 

Bernardino, que mantém a rubrica “como educar a nova geração para o amor”, no nosso jornal falou connosco sobre esta nova obra.  

Como nasceu a obra?

Nada nasce por acaso! Qualquer obra escrita é sempre fruto de reflexão, de experiência e de acompanhamento de pessoas, situações e eventos ao longo de um serviço pastoral e comunitário. O Livro da “Psicopedagogia Familiar: numa relação-de-interajuda” surgiu a partir de vários encontros de aconselhamento de pessoas com dificuldade em termos de relação familiar, social e escolar. Portanto, acho oportuno partilhar essa experiência de serviço socioeducativo com todos os educadores familiares e sociais. É mais um contributo à educação cabo-verdiana.

Qual é a tese central do livro?

Embora haja estudo científico e com valência eminentemente psicoterapeuta, penso e acredito que a tese central do livro é de querer demonstrar que uma “relação-de-interajuda” faz parte de uma terapia libertadora de certos fenómenos sociais e familiares que todos os educadores poderão exercer. Antes de apresentar os casos acompanhados mediante uma relação de interajuda, quis focalizar quatro focos cruciais daquilo que chamo de pedagogia social: relação de amor e respeito entre gerações; educação da sexualidade nas relações humanas; a prevenção do uso de drogas é possível; pontos chaves na relação-de-interajuda. São focos que mexem com toda a estrutura da personalidade do indivíduo.

Hoje muito se fala de crise da família. Trata disso no seu livro?

Mais do que falar de crise, em si, no livro e que são muitas, os dez casos que foram abordados demonstram um conjunto de atitudes comportamentais que revelam os conteúdos da crise pessoal e familiar que os pacientes viveram no seio da família. Portanto, o suporte pedagógico dado mediante uma relação-de-interajuda baseada no diálogo e na compreensão empática foi crucial para demonstrar que a crise é um fator de crescimento e a sua resolução é, também, uma questão de maturidade de cada membro que compõe a família.

Como é que a emigração ajuda ou afeta a coesão das nossas famílias?

Toda a temática mexe com a problemática familiar dentro e fora do contexto migratório. Sabe-se que a emigração foi e é sempre um fenómeno ambivalente: se por um lado causa rotura e separação dos membros que compõem a família, doutro lado, torna-se um fator de conjunção do núcleo familiar. Apesar de muitos constrangimentos sociais, culturais e religiosos na imigração, é possível a implementação de um programa socioeducativo e preventivo capaz de proporcionar às famílias um momento de reflexão pedagógica e de encontro baseado nos assuntos problemáticos que afetam os filhos, isto é, a nova geração. Penso que uma leitura atenta do livro, poderá oferecer aos pais alguns dispositivos fundamentais no acompanhamento dos filhos na imigração.

 Para quando o lançamento do livro em Cabo Verde?

Mandei imprimir apenas 500 exemplares para o público cabo-verdiano nos Estados Unidos. Embora a cultura de leitura no seio da comunidade cabo-verdiana seja restrita, brevemente entrarei em contato com uma das tipografias em Cabo Verde para a impressão de mais exemplares. Tudo leva crer que em Fevereiro faremos lançamento em Mindelo, na Praia e noutras ilhas conforme as solicitações.

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