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Seg, Jun

“Tchalê Figueira fez aquilo que é o papel do artista: romper paradigmas, provocar debate, sacudir o politicamente correto” – Abraão Vicente

Cultura
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O Ministro da Cultura e Industrias Criativas, Abraão Vicente, que o caso da retirada dos quadros do artista plástico Tchalê Figueira é uma excelente oportunidade para debater vários temas: educação artística, educação sexual, pedagogia, curadorias artísticas, o papel das instituições na promoção da arte, da pedagogia do gosto e da estética, os tabus da sociedade cabo-verdiana, o nível do debate público em Cabo Verde salientando neste sentido que o artista Tchalê Figueira “fez aquilo que é o papel do artista: romper paradigmas, provocar debate, sacudir o politicamente correto”.

 

Na sua página oficial na rede social, facebook, o ministro que tutela a pasta da Cultura afirma que só quem não conhece a obra e o percurso de Tchalê Figueira pode ficar escandalizado pelos dois quadros.

“A sexualidade, o erotismo, a provocação sempre estiveram presentes na obra de Tchalê”, acrescentou.

Vicente afirma que em torno desta polémica é notável que está-se a procurar o culpado, realçando ser o próprio Ministério da Cultura e das indústrias criativas que fez a curadoria através da direção geral das artes e indústrias criativas.

“Nem Tchalê Figueira, nem qualquer outro artista deve adaptar a sua obra aos contextos expositivos. A obra do artista deve ser um hino à liberdade de expressão e de pensamento. As instituições têm-se de preparar para aceitar de forma aberta todas as formas de manifestação artística e para isso é preciso que tenham pessoal técnico e estrutura preparado para tal”, explica

O Governante vai mais longe dizendo que o que não se pode é promover a retirada de quadros de uma exposição já inaugurada sem que ninguém assuma a responsabilidade “deixando um limbo onde todas as as divagações demagógicas são permitidas”. “O artista merece o nosso respeito e tem de ser tratado com toda a dignidade”, frisou.

Abraão Vicente termina seu post frisando que “não podemos ceder à essa tentação de tentar arrastar para o campo político tudo o que seja debate público em Cabo Verde realçando que é preciso ser claro e que cada instituição assuma a sua responsabilidade".

“Neste caso não há nenhuma conotação ou sentido de decisão que seja ou possa ser conotada com determinações políticas. A decisão da retirada não partiu do Ministério nem da sua equipa técnica. Isso tem de ficar claro. Qualquer leitura enviesada é fruto da imaginação de cada um”, disse.

Outrossim, voltou a afirmar que trata-se de uma excelente oportunidade para debate público no sentido de encontrar algum equilíbrio de argumentos.

TN - Redação

 

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