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Dom, Ago

Escavações arqueológicas na Igreja de São Tiago Maior concluídas

Cultura
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Os técnicos envolvidos nas escavações arqueológicas na Igreja de São Tiago Maior, em Santa Cruz, constataram que na sua construção foi utilizado tijolo, cobertura de telha de meia cana, e que esta possuía um piso de terra abatida.

A informação foi avançada hoje em comunicado pelo Instituto do Património Cultural (IPC), com as conclusões das escavações arqueológicas realizadas na Igreja de São Tiago Maior, em Santa Cruz, cujos trabalhos iniciaram no dia 07 de Março.

Os trabalhos de escavações, que marcam a primeira fase do projecto de reabilitação da Igreja, enquadrada no plano nacional de reabilitação dos edifícios históricos, traçado pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC), foram conduzidos por uma equipa técnica do IPC, em parceria com a Câmara Municipal de Santa Cruz e a Diocese de Santiago de Cabo Verde, coadjuvado pela arqueóloga portuguesa, Mariana Almeida.

A fonte do IP precisa que esta Igreja aquando da sua construção no século XVIII foi utilizado tijolo no paramento da parede e no arco de entrada, coberta de telha de meia cana, e possuía um piso de terra abatida.

“No decorrer das escavações, encontrou-se vestígios da existência de uma pequena capela no lado lateral, vestígios de argamassa azul, indicando que a mesma era pintada de azul, no seu interior. Uma capela construída possivelmente após a construção da Igreja Matriz”, aponta.

Além desses achados, foi encontrado ainda ossadas humanas, uma vez que o espaço serviu como cemitério até ser construído um espaço próprio, moedas de 1754 encontradas na sacristia, entre vários outros objectos.

O mesmo documento, informa igualmente que os técnicos contataram a existência de três fases de obras/intervenções na igreja, com a última apontando para o ano de 1930.

O presidente do Instituto do Património Cultural, Jair Fernandes, acompanhado do edil local, Carlos Silva, visitou as escavações para inteirar-se do resultado da mesma.

Na ocasião, Jair Fernandes reafirmou que há necessidade de uma “intervenção urgente” nas ruínas sob pena de não aguentarem a erosão e ainda garantiu que o instituto entregará em breve o projecto final de reabilitação do emblemático edifício.

Por seu turno, o edil Carlos Silva, afirmou que vão proceder à vedação do espaço de modo a evitar maior degradação e proporcionar maior segurança à população, visto a sensibilidade das ruínas, no momento.

Ainda, deixou o compromisso de pensar na requalificação da falésia e de toda orla marítima ao redor, sob pena de colocar em risco a existência da Igreja, nos próximos 30 anos.

De referir que o projecto de reabilitação da Igreja já possui financiamento para avançar com as primeiras intervenções, enquadrado no programa PRRA (Programa de Reabilitação Requalificação e Acessibilidade), financiado pelo Governo, no quadro do plano nacional de reabilitação dos edifícios históricos traçados pelo MCIC.

A reabilitação da Igreja de São Tiago Maior está inserida dentro do protocolo de colaboração e apoio cultural assinado entre o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas e a Câmara Municipal de Santa Cruz em Dezembro de 2017.

Com a reabilitação desta igreja, pretende-se valorizar todo o espaço circundante “respeitando o material da época, requalificando e criando uma nova praça, dando uma nova centralidade a esta região”, afirmou o ministro Abraão Vicente, aquando da sua visita às ruinas da Igreja.

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