10
Seg, Ago

Este site mostra o que fica escondido nos termos de uso de redes sociais

Arte e tecnologia
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Inteligência artificial criada por desenvolvedor espanhol analisa políticas de privacidade de aplicativos e serviços e alerta sobre quais oferecem os maiores riscos. 

 

Frequentemente os termos de uso de aplicativos e redes sociais são textos prolixos e técnicos, o que faz com que a maioria dos usuários evite lê-los. 

No meio de frases complexas e expressões jurídicas costumam estar informações importantes sobre  como os sistemas usam os dados de quem se registra neles. 

Lançado em setembro de 2019, o site Guard usa uma inteligência artificial para analisar as políticas de privacidade com as quais usuários precisam concordar antes de usar os serviços, e destacar os pontos preocupantes que aparecem nelas. 

O Guard dá uma nota para o nível de privacidade de cada empresa e mostra os pontos problemáticos que fazem parte do texto, além de informar sobre escândalos de vazamento de dados protagonizados pelas companhias. 

Elaborado pelo designer e desenvolvedor espanhol Javi Rameerez, o site também traz um link direcionando o usuário para a página em que ele pode apagar sua conta de cada serviço. 

A avaliação do Guard 

TWITTER

Tem uma nota de privacidade de 27%. O Guard recomenda evitar essa rede social. A maior ameaça é uma linha em sua política de privacidade que diz “sua informação pode ser vendida ou transferida como parte de sua transação”. Em 2013, Hackers tiveram acesso a informações como os nomes de usuários, e-mails e versões criptografadas das senhas de 250 mil usuários. 

INSTAGRAM 

Tem uma nota de privacidade de 22%, o que também gera a recomendação para que a rede social seja evitada. O site destaca um trecho de sua política de privacidade que diz: “O Instagram não pode garantir a segurança de nenhuma informação que você transmitir para o Instagram, ou garantir que informações não serão acessadas, divulgadas, alteradas ou destruídas”. O Guard destaca que, em 2017, um bug no aplicativo expôs informações  como e-mail e dados para os contatos de cerca de 6 milhões de pessoas. 

LINKEDIN 

Tem uma nota de privacidade mais alta, de 70%. O Guard destaca o seguinte trecho da política de privacidade da rede: “e-mails, mensagens instantâneas e meios similares de comunicação com outros membros do Linkedin não são criptografados, e nós fortemente aconselhamos que você não comunique nenhuma informação confidencial por esses meios” Em 2016, o Linkedin admitiu que 177 milhões de dados de login de usuários tinham sido hackeados. 

Fugindo do juridiquês 

O Guard também pede que os usuários participem de um jogo, que serve para treinar a inteligência artificial do site. Nesse jogo, usuários têm que classificar trechos de políticas de privacidade como mais ou menos amigáveis, do ponto de vista da privacidade e da segurança. A partir dessas classificações, o próprio Guard se torna mais apto a “ler” as políticas dos serviços e a classificá-las automaticamente.

Em entrevista ao site Fast Company, Rameerez disse que a ideia é desenvolver uma inteligência artificial capaz de analisar as políticas de privacidade do ponto de vista de usuários comuns, não de especialistas em direito. Mesmo políticas que são têm nada de ilegal nelas podem ser encaradas como invasivas pelo usuário médio das redes sociais. “Advogados trabalham muito duro para proteger companhias com seu juridiquês. Se você perguntasse a um advogado sobre qualquer política de privacidade (como, por exemplo, o Facebook vender seus dados a outras empresas), tudo o que ele diria é que a prática é legal, porque ambas as partes concordaram com aquilo. E essa não é a questão (...) Os usuários não gostam que seus dados sejam vendidos. Não gostam de ser observados e rastreados 24 horas por dia”, afirmou.

 

 

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