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Ter, Nov

A história do cinema (muito) resumida em 7 perguntas

Arte e tecnologia
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O Terra Nova, a partir do livro ‘A História do Cinema Para Quem Tem Pressa’, do autor brasileiro Celso Sabadin, lançado em 2018, sintetiza momentos-chave da história da sétima arte. 

 

O cinema surgiu na passagem do século XIX para o XX, em meio a transformações tecnológicas, urbanísticas, demográficas e sociais. Uma profusão de inovações como o telefone, a lâmpada elétrica de filamento incandescente e até a perfuração de poços de petróleo, surgidas ao longo do século, seriam definidoras de um novo estilo de vida, moderno e urbano. A génese da exibição e fruição de imagens em movimento faz parte desse contexto e é o ponto de partida do crítico de cinema, curador e professor Celso Sabadin no livro “A História do Cinema Para Quem Tem Pressa”, lançado em junho de 2018.

De maneira direta e concisa, Sabadin parte da pré-história das imagens em movimento, dos primeiros mecanismos e experiências com a captação e reprodução dessas imagens e chega ao século XXI, com suas franquias e remakes. Por fim, sobrevoa ainda cinematografias de países da África, Ásia, e o cinema brasileiro contemporâneo. Nas sete perguntas abaixo, o TN faz um exercício ainda maior de síntese, abordando momentos-chave desses quase 120 anos de história. 

Qual é considerado o marco inaugural da história do cinema? 

Oficialmente, 28 de dezembro de 1895, em Paris, numa sessão promovida pelos Irmãos Lumière. Comprovadamente, outros cientistas, inventores e pesquisadores, mesmo antes dessa data, já tinham desenvolvido algumas experiências na área do registro das imagens em movimento. Incluindo o norte-americano Thomas Edison. Mas foram os Lumière não apenas os inventores do sistema de registro de imagens em movimento mais preciso e de maior qualidade (o chamado cinematógrafo), como também foram eles os grandes responsáveis pela difusão da invenção rapidamente em todo o mundo. 

Quando e de que maneira uma linguagem cinematográfica começou a se desenvolver? 

Os primeiros filmes eram curtos (cerca de 50 segundos), mudos, muito simples, feitos com a câmera parada, basicamente documentais, e rodados em um único plano, uma única tomada. Não se preocupavam em contar uma história, mas apenas em registrar uma cena, como uma espécie de “fotografia animada”. Mas, muito rapidamente, já no início do século 20, os cineastas já começaram a trabalhar com movimentos de câmera, cortes, diversidade de enquadramentos, histórias, enfim, tudo aquilo que se convencionou chamar de linguagem cinematográfica. Os norte-americanos Edwin Porter e David W. Griffith foram dois dos principais pioneiros no desenvolvimento dessa linguagem. 

Qual é o impacto a Primeira Guerra Mundial na indústria do cinema? 

Basicamente a Primeira Guerra fragilizou a Europa e derrubou a França da liderança absoluta do mercado cinematográfico mundial, posição que ela detinha até então. Foi nesse vácuo que os Estados Unidos entraram com força total e conquistaram quase a totalidade do mercado do mundo, colocando seus filmes em todo o planeta através de agressivas políticas comerciais. Essa posição de liderança, conquistada no pós Primeira Guerra, é a que permanece hoje. 

Quais foram as principais tendências e eventos cinematográficos mundiais após a Segunda Guerra? 

O pós-Segunda Guerra gerou, num primeiro momento, duas das maiores tendências estéticas do cinema mundial: o Neorrealismo italiano, a partir de 1945, e a Nouvelle Vague francesa, nos anos 1950. Ambos buscavam uma forma mais livre, mais solta e mais realista de fazer um cinema mais identificado com os verdadeiros anseios de suas sociedades, em contraposição ao sistema de estúdios do cinema dos Estados Unidos, considerado muito comercial e pouco ou quase nada sintonizado com a realidade. O Neorrealismo e a Nouvelle Vague, autorais e artísticos, influenciariam diretamente todo o cinema moderno realizado nas últimas décadas. 

Como e quando os grandes estúdios de Hollywood entraram em crise? 

Na passagem dos anos 1940 para os 1950, com a forte concorrência advinda da televisão, e vitimados também pela própria falta de visão de mercado de seus proprietários, que não perceberam que o mundo tinha mudado radicalmente após a Segunda Guerra, que o público tinha mudado completamente suas percepções de vida e de sociedade, e continuaram a fazer filmes como se ainda estivessem nos anos 1930. Foi nesse momento que os grandes estúdios dos EUA ruíram, abrindo espaço para pequenos produtores independentes, mais antenados com a nova realidade mundial. 

O que resta deles hoje? 

Apenas os seus nomes, que foram comprados por grandes corporações. Fox, Warner, Metro, Universal, Columbia, Paramount etc., hoje são apenas marcas exploradas por multinacionais que mais nada têm a ver com seus originais fundadores, nem com seus herdeiros. 

Por que vemos uma profusão de sequências, franquias e remakes atualmente no cinema comercial? 

Isso é um fenómeno típico resultante da era da cultura pop, da cultura de massa, da indústria cultural, na qual toda e qualquer arte só é produzida com o exclusivo intuito de venda. É um fenómeno que se intensifica a partir dos anos 1980. Com os custos de divulgação e marketing cada vez maiores, é muito mais económico para os produtores de cinema vender algo que todos já conhecem – Batman, Superman, Capitão América etc – do que tentar implantar um novo conceito, um novo personagem, um novo herói, por exemplo, cuja divulgação partiria do zero. Trafegar por caminhos já conhecidos é muito mais seguro, e no mundo dos negócios o risco não é um elemento muito bem-vindo...

TN (com informações da Nexo)

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