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Dom, Set

Conheça a história de Vitalina Varela, galardoada no Festival de Cinema de Locarno

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A atriz cabo-verdiana Vitalina Varela, protagonista do filme que leva o mesmo nome, do realizador português Pedro Costa, foi distinguida com o Leopardo de Melhor Interpretação Feminina no Festival Internacional de Cinema de Locarno na sexta feira passada.

O filme conta a história de uma mulher cabo-verdiana que chega a Portugal três dias após a morte do marido, depois de ter estado 25 anos à espera de um bilhete de avião.

Pedro Costa conheceu Vitalina Varela quando rodava "Cavalo Dinheiro", acabando por incluir parte da sua história na narrativa, mas o novo filme é totalmente dedicado a esta cabo-verdiana de 55 anos.

Este filme de Pedro Costa, cuja protagonista é a cabo-verdiana de Santiago, estará ainda em competição, em setembro, no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá, e no 57.º Festival de Cinema de Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde tem garantida distribuição em 2020.

A História de Vitalina Varela

Vitalina Varela passou toda a sua vida a trabalhar a terra nas montanhas da Ilha de Santiago. Era a mais nova de oito irmãos e irmãs e casou-se com seu primeiro amor, Joaquim, um menino da mesma aldeia, da Figueira das Naus.

Tal como a maioria dos jovens cabo-verdianos, Joaquim deixou o seu país, em 1977, com a promessa de trabalhar como pedreiro. Como todas as meninas cabo-verdianas, Vitalina permaneceu, esperando e desejando uma vida feliz. Com o seu primeiro dinheiro economizado, Joaquim compra um barraco de tijolos e pratos no bairro da Cova da Moura, nos arredores de Lisboa.

Ele escreve uma ou duas cartas para Vitalina e chama-a por telefone uma vez a prometer uma passagem de avião para juntar-se a ele em Portugal. Em 35 anos, Joaquim só visita Cabo Verde duas vezes. Durante a sua primeira estadia, Joaquim e Vitalina começam a construir uma casa perto da capela da sua aldeia natal. Durante a segunda viagem, assim que chega, alega que precisa ir ver um primo e apanha o primeiro avião de volta a Lisboa. Esta foi a última vez que Vitalina o viu. Ele nunca mais escreveu ou ligou novamente. Nesta última visita, Vitalina engravidou-se de um menino, Bruno, que Joaquim nunca conhecerá. Vitalina e Joaquim já tinham uma filha, Jessica, nascida em 1996.

Quase todas as noites os vizinhos viam Joaquim vagando e  tropeçando nos becos escuros da Cova da Moura. Há rumores de que ele esfaqueou um companheiro de pedreiro numa briga por algum negócio obscuro. Ele sente falta do trabalho, seus colegas perdem o rastro, batem na porta, mas ele nunca responde. Ele morre em 23 de junho de 2013 e foi enterrado no dia 27.

Vitalina chega a Portugal no dia 30. Ninguém a conhece na vizinhança, ninguém a conforta, todo mundo olha desconfiado. Vitalina passa incontáveis ​​dias e noites trancada no barraco de Joaquim. Ela mal sobrevive a dor e os pesadelos. Alguns meses se passam e ela consegue encontrar um ou dois empregos como faxineira. Numa mansão da alta sociedade, eles a demitem sem pagamento. Ela é contratada para limpar as lojas da Zara num shopping gigante. Ela recebe 5 € por hora.

Certa manhã, alguém bate em sua porta: ela tem medo de que seja a polícia ou os funcionários da imigração. Era Pedro Costa, procurando uma casa para filmar uma cena para o filme Horse Money.

 

TN - Redação 

 

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