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Seg, Mai

30 anos internet global. Conheça o seu criador da internet global e suas críticas à rede hoje

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Em carta aberta publicada em 2018, cientista da computação afirmou que um ambiente anteriormente livre e diverso é hoje dominado por algumas poucas plataformas

 

A comunicação por meio de redes de computadores começou a ser desenvolvida ainda na década de 1960 pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Mas o lançamento das bases de uma rede global capaz de integrar redes menores, a “world wide web” ou a internet como a conhecemos, foi proposta em 1989 por um cientista da computação britânico chamado Tim Berners-Lee.

Formado em Oxford, ele trabalhava naquela época como engenheiro de softwares do acelerador de partículas da Cern (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear) em Genebra.

Cientistas do mundo inteiro iam à cidade, na Suíça, para realizar testes com o equipamento, e Berners-Lee percebeu que eles tinham dificuldades em compartilhar entre si os dados que obtinham.

Era necessário logar em diferentes computadores e aprender a usar programas distintos em cada um deles para acessar informações dispersas e ter uma ideia do todo. Berners-Lee criou a linguagem de marcação HTML, a URL, o protocolo HTTP, o primeiro servidor e o primeiro navegador.

Somadas, essas inovações permitiram disponibilizar e acessar as informações remotamente. Ele também defendeu politicamente junto ao Cern que a tecnologia fosse disponibilizada globalmente, sem cobrança de royalties, o que garantiu o desenvolvimento da rede de forma aberta.

Em 1994, já em atividade no Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos, Berners-Lee fundou o W3C (World Wide Web Consortium), uma comunidade internacional que tem como objetivo garantir que a rede se mantenha e se desenvolva de forma livre. Até hoje, ele continua a dirigir a entidade.

Numa carta aberta publicada no jornal britânico The Guardian, Berners-Lee afirmou, no entanto, que a internet está mudando, e que um ambiente anteriormente livre e diverso é hoje dominado por algumas poucas plataformas.

Ele também aborda o desafio de garantir acesso à metade da população mundial que ainda não está conectada à internet. Publicada no dia 12 de março de 2018, na ocasião do aniversário de 29 anos da world wide web, a carta pode ser lida na íntegra em inglês aqui.

Veja abaixo alguns pontos principais, em contexto. 

Concentração de poder em poucos sites 

“A web com a qual muitos se conectavam anos atrás não é a que novos usuários encontram hoje. O que um dia foi uma rica seleção de blogs e websites foi comprimido sob o poderoso peso de algumas poucas plataformas dominantes. Essa concentração de poder cria um novo grupo de supervisores, permitindo que um punhado de plataformas controle as opiniões que são vistas e compartilhadas.”

Segundo o ranking dos sites mais visitados do mundo organizado pela consultoria Alexa, de propriedade da Amazon, os cinco sites mais acessados do mundo são Google.com, Youtube (ambos da holding Alphabet), Facebook, o serviço de buscas chinês Baidu e a Wikipédia. Atualmente, Google concentra mais de 90% das buscas mundiais, segundo a consultoria StatCounter.

O Facebook possui mais de 2,2 bilhões de usuários únicos por mês, o equivalente a 31% da população mundial. O Twitter tem cerca de 330 milhões. Na carta, Berners-Lee afirma que essa concentração de poder em poucas companhias permite que a internet seja usada como uma arma (ele usa o termo “weaponise”) em escala. “Contas falsas no Facebook e no Twitter atiçam tensões sociais, atores externos interferem em eleições”, escreve. Facebook, Twitter e Google são frequentemente utilizados para a divulgação de notícias falsas com títulos espetaculares, que contribuem para afastar o debate público da realidade.

Parte da desinformação é promovida por sites que buscam tráfego a qualquer custo e não têm um objetivo político articulado. Mas há também desinformação direcionada.

Em outubro de 2017, representantes das gigantes de tecnologia Facebook, Google e Twitter foram chamados a depor ao Congresso americano. Eles admitiram que investigações internas indicavam que o governo russo interviera em suas plataformas durante as eleições americanas, com estratégias que envolviam criar contas falsas e pagar milhares de dólares em postagens impulsionadas. 

Ampliar o acesso à internet

 “A divisão entre as pessoas que têm acesso à internet e aqueles que não têm está aprofundando desigualdades existentes, desigualdades que significam uma séria ameaça global. Não surpreendentemente, é mais provável que alguém esteja offline se for do gênero feminino, pobre, viver em uma área rural, ou em um país de baixa renda, ou em uma combinação desses fatores. Estar offline hoje significa estar excluído de oportunidades de aprender e obter renda, de acessar serviços valiosos, e de participar do debate público.” 

Segundo dados da Aliança por uma Internet Acessível, o ano de 2018 é o primeiro em que mais da metade da população mundial obteve acesso à internet. Essa marca é resultado de um avanço acelerado, impulsionado por smartphones - em 2007, cerca de 20% da população tinha acesso à internet.

Berners-Lee destaca, no entanto, que, no ritmo atual o acesso universal só deve ser atingido em 2042, mais de duas décadas após a meta estabelecida pela ONU, de garantir esse nível de acesso em 2020.

Berners-Lee destaca que em muitos países, o custo de 1 GB de internet móvel ultrapassa a marca dos 20% da renda mensal média, barrando na prática o acesso a esse serviço. A disponibilização do acesso à internet se insere nas metas para o desenvolvimento global sustentável.

De acordo com a ONU, “O desenvolvimento industrial inclusivo e sustentável é a fonte primária de geração de renda, permite aumentos rápidos e sustentáveis no padrão de vida para todos, e fornece soluções tecnológicas para a industrialização ambientalmente responsável”.

TN com informações na Internet e da NEXO

 

 

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