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Qui, Fev

Paulino Vieira: Cesária Évora “nunca foi diva”, mas sim “uma artista que eu levei a pisar os palcos do mundo”

Música
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Numa entrevista concedida à Rádio Campanário da Vila Viçosa, Alentejo, Portugal, Paulino Vieira considerou que Cesária Évora nunca foi uma diva mas apenas uma artistas que ele, Paulino levou a pisar os palacos do mundo.

 

Paulino é peremptório em relação á Cesária:  “eu não cantei com a Cesária Évora, mas sim foi a Cesária que cantou comigo, porque as pessoas vinham ter comigo da mesma forma como elas, também veio a Cesária”. Nesse sentido, “a cada um, nós damos aquilo que veio buscar”. Por isso “eu só não gosto quando apresentam a Cesária como o meu cartão de visita”, pois ela “só foi mais uma”, entre todos os artistas que trabalharam pela música em Cabo Verde.

Morna a património

Sobre a candidatura da Morna a Património Mundial da UNESCO, diz que é preciso lembrar “todos aqueles que antes de mim trabalharam e deram o seu sangue para que a música de Cabo Verde um dia viesse a ser respeitada”. Dizendo ainda que graças a eles, no disco “Paz, Amor e União” é onde a morna “está definida de várias maneiras”.

Porém, afirma que “com a chegada da Cesária, para que não houvesse sombra, permitiu-se que a minha gente e todos os nossos lutadores e artistas fossem presos com contratos de exclusividade, fechados na gaveta”.

Tudo isto “por causa de uma artista que eu levei a pisar os palcos do mundo”, fazendo com que “todos deixassem de voar, enquanto lutávamos pela liberdade do nosso folclore”. Por isso “eu resolvi não mais trabalhar para essa gente”. “O barco que era nosso ficou furado, então o Paulino Vieira saltou do barco e tentou salvar as pessoas antes do naufrágio, mas as pessoas decidiram ficar no barco”, isto “por continência à diva, que nunca foi diva” e aí “eu achei que esse pessoal não merecia que eu trabalhasse para eles”.

Sodade não é morna

Ainda sobre um dos grandes êxitos da música de Cesária Évora, tida como morna cabo-verdiana, Paulino Vieira diz que “sodade não é morna”, mas “podemos tocar sodade de uma forma a ser morna, no ritmo de morna, assim como com um batimento de fado”, porque “qualquer canção pode ser estilizada a um arranjamento”.

Contudo, “quando registamos uma patente, cuidado que uma patente tem os seus padrões, a sua linha melódica, os seus batimentos e as suas acentuações”. Por isso afirma, “eu não estou aí e não colaboro nesta ideia” que Governo cabo-verdiano quer vender.

TN- Redação 

 

 

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