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Qua, Ago

Pentescostes, da Festa da colheita à descida do Espírito Santo: sete coisas a saber

Espiritualidade
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Originalmente era a festa judaica que marcava o início da colheita e era comemorado 50 dias após a Páscoa. No cristianismo, no entanto, indica a descida do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos reunidos no Cenáculo. Juntamente com a Páscoa é uma das festas mais importante do ano litúrgico

No Pentecostes é recordado e celebrado a descida do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos reunidos no Cenáculo. A Igreja, nesta solenidade, vê seu verdadeiro ato de nascimento e início de missionação, considerando-a juntamente com a Páscoa, a festa mais solene de todo o calendário cristão. Apresentamos sete coisas a saber sobre a Festa. Confira:

 

Quais são as origens hebraicas desta Festa?

Os judeus a chamavam "festa da colheita e dos primeiros frutos"; celebrava-se no 50º dia após a Páscoa, e marcava o início da colheita do trigo; nos textos bíblicos é sempre um festa agrícola. É também chamada de "Festa das Semanas" por causa da sua recorrência sete semanas depois da Páscoa; em grego "Pentecostes" significa o 50º dia. O termo Pentecostes, referindo-se à "festa das semanas", é citado em Tobias 2,1 e 2 Macabeus 12, 31-32. 

O propósito original deste evento era agradecer a Deus pelos frutos da terra, ao qual se acrescenta, mais tarde, a memória do maior dom de Deus ao povo judeu, que é a promulgação da Lei de Moisés no Monte Sinai. De acordo com o ritual judaico, a festa comportava a peregrinação de todas os homens a Jerusalém, a abstenção total de qualquer trabalho, uma sagrada reunião e sacrifícios especiais; e era uma das três festas de peregrinação (Páscoa, tabernáculos, Pentecostes), que cada judeu devoto era convidado para celebrar em Jerusalém.

Em que passo da Bíblia está escrito o Episódio da descida do Espírito Santo?

No capítulo 2 de Atos dos Apóstolos.  Os Apóstolos, juntamente com Maria, a mãe de Jesus, estavam reunidos no Cenáculo em Jerusalém, provavelmente a casa da viúva Maria, mãe do jovem Marcos, o futuro evangelista, onde começaram a reunir regularmente quando estavam na cidade; e como de costume, os judeus deslocaram-se para Jerusalém em grande número para celebrar Pentecostes com a peregrinação prescrita. "Como estava prestes a ter lugar no dia de Pentecostes", lê-se "estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? Nós, que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus em nossa própria língua!”…

Que é e o que representa o Espírito Santo?

Ele é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, o princípio da santificação dos fiéis, da unificação da Igreja, de inspiração dos autores das Sagradas Escrituras. Ele é aquele que assiste o Magistério da Igreja e todos os fiéis no conhecimento da verdade (é também chamado de "Paráclito", isto é, "Consolador"). O Antigo Testamento não contém uma exata indicação sobre o Espírito Santo como pessoa divina. O "espírito de Deus", aparece nele como uma força divina que produz a vida cósmica natural, os dons proféticos e outros carismas, a capacidade moral de obedecer aos mandamentos. No Novo Testamento, o Espírito ainda aparece às vezes como uma força carismática impessoal. Mas ao mesmo tempo, porém, acontece a revelação da "personalidade" e da “divindade" do Espírito Santo, especialmente no Evangelho de São João, onde Jesus afirma orar ao Pai para que mande o Paráclito, que permanece sempre com os seus discípulos e os ensine a verdade (Jo 14-16) e em São Paulo, onde a doutrina do Espírito Santo se une com a de redenção divina. É concedido a todos os batizados (1 Coríntios 12, 13), o Espírito funda a igual dignidade de todos os crentes. Mas, ao mesmo tempo, confere diferentes carismas e ministérios, o único Espírito edifica a Igreja com a ajuda de uma variedade de dons.

Quais são os dons do Espírito Santo?

O ensino tradicional, de acordo com um texto de Isaías, enumera sete:. sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. São inicialmente dado pela graça do Batismo e confirmado pelo sacramento da Confirmação.

O que é o símbolo da Espírito Santo? 

Muito poucas vezes foi representado em forma humana; enquanto na Anunciação e no Batismo de Jesus aprece sob a forma de uma pomba, e na Transfiguração aparece como uma nuvem luminosa. Mas no Novo Testamento, o Espírito divino é explicitamente apontado como línguas de fogo no Pentecostes e como respiração no Evangelho de João (20, 22); "Jesus disse-lhes outra vez: Paz seja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio. Dito isto, soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo; A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e aqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos”.  O Espírito Santo repetidamente anunciado por Jesus nos Evangelhos, foi principalmente assimilado ao fogo que, como a água, é um símbolo da vida e da morte.

Desde quando é celebrada a Festa de Pentecostes? 

Cristãos inicialmente chamaram de Pentecostes, o período de cinquenta dias depois da Páscoa. A quanto parece, foi Tertuliano, apologista cristão (155-220), o primeiro a falar de Pentecostes como uma festa especial em honra do Espírito Santo. No final do século IV, o Pentecostes era uma festa solene, durante a qual era conferido o Baptismo a quem não tinha podido recebê-lo durante a Vigília Pascal. As constituições apostólicas testemunham a Oitava de Pentecostes para o Oriente, enquanto no Ocidente aparece no época carolíngia. 

A Oitava litúrgica foi preservada até 1969; enquanto os dias festivos de Pentecostes foram reduzidas em 1094, aos três primeiros dias da semana; reduzidos a dois pelas reformas do século XVIII. No início do século XX, também foi eliminado a segunda-feira de Pentecostes, que, no entanto, manteve-se como uma festa em França e nos países protestantes 

Em que ocasiões podemos invocar o Espírito Santo? 

Ao conferir os sacramentos, particularmente o Baptismo e a Confirmação e com a solene liturgia da Ordem Sacra; e mais em geral em cada cerimónia litúrgica ou ocasião particularmente importante, como o início do Conclave para eleger o Papa, onde se implora ajuda divina.

 

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