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Qui, Out

Pais e encarregados de educação em São Nicolau descontentes com ausência de manuais escolares 15 dias após início das aulas

Sociedade
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A falta de manuais escolares nas escolas e papelarias, na cidade do Tarrafal, leva pais, encarregados de educação e professores a manifestarem descontentamento face à situação que se repete todos os anos na ilha.

Numa papelaria da cidade do Tarrafal, a Inforpress constatou que faltam manuais de algumas disciplinas, designadamente, Matemática no 2º ano, Ciências Integradas no 3º ano, Matemática no 4º ano, História e Geografia de Cabo Verde/Língua Portuguesa/Matemática no 5º ano, Português e Matemática no 6º ano, cadernos experimentais de Ciências da Terra e da Vida, Inglês e Francês, no 7º ano, e no 8º ano Historia e Geografia de Cabo Verde/Francês/ Ciências da Terra e da Vida.

A informação foi disponibilizada por uma funcionária da papelaria, que informou que os manuais chegaram “em pouca quantidade”, estiveram à venda na Delegação Escolar e nos Correios da Ribeira Brava, e que neste momento estão à espera dos manuais desde semana passada, não compreendendo a demora.

Uma mãe que pediu para não ser identificada, disse que os “manuais deixam muita falta” e mostrou-se preocupada com a filha que estuda o 5º ano, apontando o facto de  “estar atrasada” e de não poder trabalhar certos conteúdos por falta dos manuais.

Segundo a mesma, alguns professores “têm feito cópias de manuais” para que os alunos possam acompanhar o ritmo das aulas, mas disse não compreender a não chegada dos livros escolares à ilha de São Nicolau, se por falta de transporte ou outra razão, indicando que estes já estão disponíveis em outras ilhas, designadamente, São Vicente e mesmo em São Nicolau, mas somente na Vila Ribeira Brava.

“Eu tive conhecimento que na Vila Ribeira Brava chegaram alguns manuais, mas aqui no Tarrafal, nada, e, com certeza, os livros que estão na Ribeira Brava e em São Nicolau passaram pelo porto de Tarrafal. Acho um caso muito estranho ter livros na vila e no Tarrafal não” manifestou.

A mesma pediu a quem de direito para resolver esta questão, lembrou ainda que no ano passado os manuais chegaram no último trimestre, não foi possível adquiri-los porque a filha já havia transitado de ano, e que esta situação tm-se repetido todos os anos.

Disse sentir-se “desconsiderada” pelo Ministério da Educação, que no ano passado propalou a igualdade, mas que não se sentiu em igualdade pelo facto de faltarem livros.

“Porque havia nuns lugares e noutros não, e o lema era não deixar ninguém para trás mas nossos meninos estão a ficar para trás”, sublinhou a mesma fonte.

“Minha filha agora não poderá comprar livros e ficará para trás”, completou.

Um professor de Ensino Básico Obrigatório (EBO), que igualmente pediu para não ser identificado, apontou este facto como uma “ineficácia” do Ministério da Educação em enviar os manuais, porque se sabe de antemão quantos alunos transitaram de ano e poderia disponibilizá-los, “em número e a tempo”.

A falta dos manuais tem causado desconforto a professores, conforme disse, a quem é exigido o cumprimento de um plano de aula durante o ano lectivo, mas deste modo, sintetizou a mesma fonte, não o poderão fazer com este constrangimento.

O professor apontou ainda outro “caso caricato” deste ano, discentes disporem de cadernos experimentais de inglês e docentes de livros em que os conteúdos “não andam de mãos dadas”, porque “o que está num falta noutro”, condicionando o ritmo das aulas.

TN com Inforpress