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Qua, Abr

A partir dos EUA, Amadeu oliveira volta à carga: “estamos numa república de juízes”

Sociedade
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O advogado Amadeu Oliveira encontra-se EUA entre a nossa comunidade emigrada, a convite do Mayor da cidade Brockton com quem já manteve um encontro. 

Segundo ele mesmo disse ao programa “Café da manhã” da rádio Brockton FM, a sua visita tem a ver com uma campanha de sensibilização dos cidadãos dentro e fora do país para falar da questão da “não justiça em Cabo Verde” e recolher assinaturas em vista à petição a submeter “às instâncias competentes”. A petição que Oliveira quer levar a cabo, visa “sugerir algumas melhorias no sistema judicial”.

A ideia de Amadeu é recolher o número suficiente de assinaturas para obrigar o Parlamento a criar uma lei que estipule alguma regra sobre tramitação dos processos. “Não é verdade que o principal problema seja a morosidade. Morosidade significa que todos os processos que entram no tribunal demoram muito tempo e não é isso que acontece”, esclarece Oliveira, para quem, "quando os juizes querem ou quando há situações claramente de corrupção alguns processos são despachados muito rapidamente, enquanto, quando não querem os processos passam dez, doze ou catorze anos”.

Este advogado considera, porém, que "o mais grave é verificar que é o juiz que escolhe qual processo ele quer julgar e qual nunca será julgado. Não existe critério”. Por isso Amadeu quer que haja uma lei “que estabeleça critérios”. 

Aliás em relação aos juízes, Oliveira é categórico: "Em Cabo Verde estamos a viver numa república de juízes. Não há controlo sobre eles. O juiz, a partir do momento que vira juiz é como se virasse Deus. tem faca e queijo na mão". 

Na conversa com o jornalista Valdir Alves durante o programa “Café da manhã” Amadeu considera que o povo é a maior vítima. “Assim como para uma pessoa é fundamental ter água, comida e ar para viver, assim também é fundamental para uma nação a questão da justiça”, remata.   

Segundo Oliveira “nesse momento o ponto mais fraco de Cabo Verde tem a ver com o estado de não justiça e o mais triste é que nenhum dos dois partidos da esfera do poder estão verdadeiramente interessados em melhorar a questão de justiça”. 

Nos EUA Amadeu Oliveira vai proferir três palestras sobre a situação da justiça em Cabo Verde. Uma palestra foi proferida ontem, domingo em Brockton, na próxima sexta feira estará em Boston e no domingo em Pawtucket.   

14 crimes de calúnias e difamação 

Para Oliveira acusá-lo de 14 crimes de calúnia e difamação e instigação à violência é uma "criancice". Esclarece que "Inicialmente eu não fiz denuncias públicas das arbitrariedades dos juízes. Tive o cuidado de falar com os órgãos de soberania. Só quando eles não reagiram e haviam 11 cidadãos inocentes, todos pais de filhos, todos pobres, sem dinheiro para pagar um advogado".

Amadeu conta que "quando percebi da situação resolvi virar advogado daquela gente toda e consegui libertá-los a todos e mesmo assim o poder político não reagiu e, então, resolvi fazer denúncias públicas acusando, um-por-um, por nome, cada juiz que tinha cometido barbaridade. Em vez de virem ter comigo, exigindo-me provas, transformaram-me no maior criminoso de Cabo Verde com 14 crimes"

Amadeu adverte sobre a sua situação alertando: "Corro o risco de apanhar uma prisão efetiva, pagar milhares de contos de indemnização e ser proibido de exercer advocacia porque estou a dizer a verdade ao povo".

TN - Redação