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Qui, Out

Nobel da Física: o que há nos trabalhos vencedores em 2019

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Prémio foi dado a três cientistas. Um deles é figura central na cosmologia moderna. Os outros dois inauguraram a busca por exoplanetas.

A Academia Sueca de Ciências anunciou na terça-feira (7) os vencedores do prémio Nobel de Física de 2019. O prémio será dividido entre James Peebles, físico canadense, professor da Universidade de Princeton, e a dupla Didier Queloz e Michael Mayor, das universidades de Genebra e Cambridge.

Peebles foi premiado por seu trabalho de cosmologia teórica que investiga as origens do Universo no Big Bang.

Já Queloz e Mayor foram premiados pela descoberta, em 1995, de um exoplaneta que orbita uma estrela do tipo solar.

O Nobel de Física conta com um prémio de 9 milhões de coroas suecas, que equivalem a cerca de 905 mil dólares americanos. Metade do valor será destinado a Peebles, e a outra metade, dividida entre Queloz e Mayor.

Nomes como Albert Einstein (1879–1955) e Marie Curie (1867–1934) já receberam o Nobel de Física. Ao todo, a academia já distribuiu o prémio para 212 estudiosos da área, desde 1901.

Peebles e as origens do Universo

 O trabalho de Peebles, premiado pelo Nobel de Física, estuda a radiação cósmica de fundo. A radiação cósmica de fundo consiste em ondas eletromagnéticas presentes em todo o espaço, datando de uma época em que o Universo era apenas um jovem de 300 mil anos de idade — o Cosmo tem, ao todo, 13,8 bilhões de anos.

Tais ondas foram emitidas a partir da junção de átomos e elétrons nos primórdios do Universo. Tal processo é analisado por meio de telescópios sensíveis a microondas. Ele permitiu aos cosmologistas um entendimento mais profundo dos primeiros momentos após o surgimento do Universo.

O estudo de Peebles, feito em 1965, trouxe ainda mais evidências que demonstram que o Big Bang, a explosão que deu origem ao Universo, de fato aconteceu, além de ter auxiliado pesquisas que descobriram a idade, o formato e o conteúdo do Cosmo. Peebles é considerado uma das figuras mais importantes da cosmologia moderna.

Queloz, Mayor e os exoplanetas

Queloz e Mayor foram os primeiros cientistas a descobrirem um exoplaneta, em 1995. O trabalho dos dois foi descrito pela academia como revolucionário, e a dupla inaugurou um amplo campo de estudos.

Exoplanetas são todos aqueles planetas que estão fora do Sistema Solar, orbitando estrelas que não são o Sol. Além de descobrir planetas que estão fora de nossa residência cósmica, aqueles que buscam exoplanetas também estão à procura de lugares que têm potencial para, em determinados cenários, serem habitáveis pelas espécies da Terra.

No momento, a lista de candidatos potenciais conta com 55 exoplanetas que podem estar nessas condições. A presença na relação não os torna automaticamente habitáveis, já que esse estado depende de outras variáveis que ainda não foram investigadas ou testadas.

O programa de busca de exoplanetas da Nasa, a agência espacial americana, já contou com quatro missões: duas delas, feitas por meio do telescópio Kepler, já foram encerradas. As outras duas continuam ativas. Em 2021, a Nasa pretende colocar em funcionamento o James Webb Space Telescope, que será uma importante ferramenta na busca de exoplanetas. Ele conta com um espelho principal de 6,5 metros de diâmetro efetivo. Além de buscar planetas que possivelmente seriam habitáveis pelas espécies terrestres, os estudos de exoplanetas buscam encontrar sinais de possíveis formas de vida existentes para além do Sistema Solar.

O método do trânsito é a principal forma usada para descobrir exoplanetas. Por essa técnica, os cientistas direcionam um telescópio para uma determinada estrela e notam se há perda no brilho captado. Se isso ocorrer, significa que um planeta passou pela frente da estrela.

Analisando qual foi a perda de brilho, os cientistas conseguem determinar qual o tamanho daquele planeta. Estudando o tempo do trânsito do planeta na frente da estrela, é possível determinar a distância entre os dois e, com isso, estimar a temperatura do exoplaneta e, consequentemente, determinar se ele é possivelmente habitável.

No caso de Queloz e Mayor, o exoplaneta descoberto por eles, batizado de 51 Pegasi, foi descoberto pelo método da velocidade radial, no qual são analisadas as variações de velocidade com a qual a estrela se aproxima e se afasta da Terra, devido ao efeito gravitacional causado pelo exoplaneta. Ao todo, cerca de 4.000 exoplanetas foram descobertos apenas na nossa galáxia, a Via Láctea.

Existem cerca de 100 e 200 bilhões de galáxias no Universo observável.

Na cultura pop, o filme “Interestelar”, de 2014, mostra a busca por exoplanetas que possam abrigar a vida terrestre.

O longa “Passageiros”, de 2016, mostra um romance surgido durante a jornada de migração dos seres humanos para um exoplaneta habitável.