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Dom, Set

3 pontos que chamam atenção no relatório da OMS sobre suicídio 

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Incidência de casos caiu na maior parte do mundo, mas tem aumentado nas Américas, indica Organização Mundial de Saúde. 

A OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgou na segunda-feira (9) um relatório com informações de 183 países sobre suicídio. 

O material indica que, em 2016, a taxa global foi de 10,5 para cada 100 mil habitantes.  

Esses números correspondem às “taxas ajustadas à idade”, uma ponderação matemática que considera as composições das populações dos diferentes países – se elas, no geral, são mais velhas ou mais novas. Isso permite compará-las entre si de forma mais precisa.  

De acordo com os números da OMS, uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio ao redor do mundo. A entidade ambém lançou um manual de informações para prevenção. Esse texto destaca que, para cada morte por suicídio, há outras 20 tentativas. 

O relatório com dados de 183 países destaca que, “no geral, a média global de taxa de suicídio está em declínio”. “Mas isso não é observado em todos os países do mundo.” 

Entre 2010 e 2016, as taxas caíram 4% no Sudeste da Ásia, onde fica a Índia, por exemplo, e 20% na região do Oeste do Pacífico, que inclui países como Austrália, Japão e Nova Zelândia. Mas houve alta de 6% nas Américas. 

O relatório foi lançado um dia antes do Dia de Prevenção ao Suicídio que se celebra hoje, 10 de setembro. 

A data foi criada em 2003 pela International Association for Suicide Prevention, junto à campanha do Setembro Amarelo. Durante todo o mês, essa campanha busca chamar atenção para a questão do suicídio. Em Cabo Verde, o Setembro Amarelo é encampado já alguns anos pela Associação A Ponte. 

O relatório da OMS destaca a necessidade de se continuar a adotar medidas para lidar com a questão. Veja abaixo três dos principais pontos do material apresentado nesta segunda-feira (9). 

1. Países desenvolvidos têm as maiores taxas. 

Os países com renda baixa e média respondem por 79% dos suicídios no mundo, mas isso se deve principalmente à sua enorme população, 84% da total. Se a comparação for feita proporcionalmente à população dos países, a taxa é maior onde a renda é alta. Nesses países desenvolvidos, a média em 2016 foi de 11,5 suicídios para cada 100 mil habitantes, segundo a taxa ajustada à idade. Na Europa, continente que concentra muitos países ricos, a taxa de suicídio foi de 12,9 para cada 100 mil habitantes. Na África, região que fica acima da média de países com baixa renda, foi de 12 para cada 100 mil habitantes. Nos países mais ricos, há um número cerca de três vezes maior de homens que se matam do que de muheres. Nos países de renda média e baixa, os números entre os dois gêneros são mais próximos. 

 

2. Segunda principal causa de morte entre jovens. 

Mais da metade (52,1%) dos suicídios ocorreram antes dos 45 anos. O suicídio foi a segunda maior causa de morte entre jovens com entre 15 e 29 anos no mundo em 2016, atrás apenas de acidentes de trânsito. Entre jovens meninas de 15 a 19 anos, o suicídio é a segunda principal causa de morte, assim como o grupo mais amplo, dos 15 aos 29 anos, atrás apenas de complicações na gravidez e no parto. Entre meninos de entre 15 e 19 anos, o suicídio é a terceira principal causa de morte, atrás apenas de acidentes de trânsito e violência interpessoal. 

 

3. Recomendações para evitar o suicídio. 

Uma das principais medidas recomendadas pela OMS para lidar com o problema é restringir acesso aos meios usados para o suicídio, como os agrotóxicos, por exemplo. A ingestão do veneno usado na agricultura está entre os principais meios usados por quem se suicida, ao lado das armas de fogo e do enforcamento. “A principal intervenção com o maior potencial de reduzir o número de suicídios é restringir o acesso a agrotóxicos usados para autoenvenenamento”, diz o relatório. A OMS cita um estudo que indicou que, no Sri Lanka, uma série de proibições a agrotóxicos poupou 93 mil vidas entre 1995 e 2015. Na Coreia do Sul, a proibição do agrotóxico paraquat reduziu pela metade os suicídios por envenenamento por agrotóxicos entre 2011 e 2013. Outras medidas citadas são implementar programas entre jovens para “construir habilidades vitais que os ajudem a lidar com estresses da vida”. E identificar pessoas com  risco de suicídio, ajudá-las e acompanhá-las.

Versão Original do Relatório em pdf