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Qui, Jun

Depois de quarenta anos, a SIDA ainda mata

Saúde
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Quarenta anos se passaram desde que, em 5 de junho de 1981, a Agência de Prevenção e Controle de Doenças do Departamento de Saúde dos Estados Unidos relatou uma infecção rara que afetou cinco homens na cidade de Los Angeles.

Essas foram as primeiras manifestações traçadas da síndrome da imunodeficiência adquirida que nas décadas seguintes teria chamado tanta atenção. Desde então, 77,5 milhões de pessoas foram infectadas com o HIV e quase 35 milhões morreram de doenças relacionadas à SIDA. Quarenta anos depois, ainda não há vacina. Existem terapias eficazes que salvam muitos, mas ainda não todos.

Para marcar o aniversário desta batalha tão longa, Unaids, o programa da ONU para combater a doença, apresentou na semana passada seu último relatório: atrás de números e percentagens, todas as luzes e sombras, contratempos e passos para pôr fim a pandemia que ainda mata. Houve 690.000 mortes relacionadas à SIDA no ano passado, muitas, mas menos 43% em relação a 2010 e 61% em relação ao pico de 2004. Isso se deve à disseminação da terapia anti-retroviral: dos 37 milhões de pessoas com HIV no mundo hoje, 27 milhões de acessos terapêuticos, três vezes mais do que há 10 anos.

Mais da metade das pessoas que vivem com HIV estão no leste e no sul da África, onde, no entanto, o relatório afirma, "os investimentos para combater o vírus estão de acordo com as necessidades e o progresso recente tem sido mais forte". E de fato, na região, as novas infecções caíram 43% em relação a 2010, as mortes em 50%. Noutros locais, no entanto, o contágio aumenta "a um ritmo alarmante": é o caso da Europa de Leste e da Ásia Central, que, em conjunto, registam um aumento de casos superior a 40% face a dez anos atrás e um aumento das mortes em 32%.

O novo relatório chega às vésperas da quinta Assembleia Geral da ONU sobre HIV e SIDA, de 8 a 10 de junho, em Nova York. Durante a quarta, em 2016, os líderes mundiais estabeleceram metas ambiciosas para 2020: "Infelizmente, a nível global essas metas foram perdidas", e a luta contra a SIDA continua sendo "uma questão inacabada", declarou, apresentando o relatório, Winnie Byanyima, diretor da Unaids.

Quarenta anos depois, muito foi feito, muito ainda há por fazer, e para isso existe "uma necessidade urgente de inovação, investimentos rápidos e descobertas científicas, tal como aconteceu com a Covid-19". Até quem tem SIDA, depois de 40 anos, merece o mesmo esforço.

TN com informações do Avvenire 

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