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Seg, Set

O que é o Dry January adotado por britânicos para beber menos álcool

Saúde
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Campanha promovida por ONG e chancelada pelo Departamento de Saúde propõe 31 dias sem nenhum tipo de consumo de bebidas.

 

Beber menos é um objetivo que aparece com frequência em listas de propósitos de Ano Novo ao redor do mundo. No Reino Unido, essa meta tornou-se tema de campanha de saúde pública.

Trata-se do Dry January (janeiro seco, em tradução livre), uma campanha promovida pela organização não governamental Alcohol Change. Os participantes da ação colocam como meta passar os 31 dias do mês de janeiro sem consumir nenhum tipo de álcool.

A ideia para a iniciativa surgiu em 2011. Naquele ano, Emily Robinson, ex-CEO da Alcohol Change, decidiu não consumir nenhuma gota de álcool em janeiro como parte de seu treino para correr uma meia maratona. Dois anos depois, a ONG promoveu a primeira edição da campanha, que, um ano depois, recebeu a chancela do Departamento de Saúde do Reino Unido.

No ano de 2019, 4,2 milhões de britânicos cadastraram-se no site da iniciativa com a intenção de participar do Dry January. Para auxiliar na tarefa, a Alcohol Change fornece aos participantes um blog gratuito com dicas para cumprir o desafio e um aplicativo no qual o usuário pode registrar seu progresso e obter informações como quantas calorias foram evitadas com a adesão ao projeto e a quantidade de dinheiro poupada no período.

Os efeitos da campanha

A Universidade de Sussex, no Reino Unido, investigou os efeitos do Dry January numa pesquisa que envolveu 800 participantes do desafio em 2018. Os resultados foram publicados em janeiro de 2019.

A pesquisa foi conduzida por Richard de Visser, professor do departamento de psicologia da instituição. Os participantes responderam a três questionários online sobre como ficaram os seus hábitos de consumo de álcool depois do Dry January.

De Visser concluiu que a média semanal de consumo de álcool caiu de 4,3 dias para 3,3 dias. Mensalmente, os dias em que os responderam ao questionário disseram sentir-se alcoolizados caiu, em média, de 3,4 para 2,1 dias. Esses dados compreendem os meses de fevereiro a agosto posteriores ao Dry January.

A pesquisa apontou que 93% dos pesquisados se sentiram recompensados pela adesão ao desafio e 88% acreditam que o projeto se reverteu em economia de dinheiro. Para 82% dos participantes da pesquisa, a iniciativa fez com que eles refletissem sobre a relação que têm com o álcool.

Mais de 70% dos pesquisados afirmaram que passaram a dormir melhor depois do desafio, e 67% disseram que se sentiram com mais energia para as tarefas quotidianas. Quase 60% deles reportaram emagrecimento depois do Dry January, e 54% afirmaram que a saúde da pele melhorou.

Em 2019, De Visser repetiu a pesquisa, entre os meses de janeiro e agosto, com 1.583 participantes do Dry January. Os resultados foram publicados em 27 de dezembro de 2019 e trazem números similares.

Quase 85% disseram que o desafio trouxe economia financeira e 72% afirmaram que passaram a dormir melhor com a redução do consumo de álcool, enquanto 87% se sentiram recompensados depois da iniciativa. Além disso, 80% repensaram a relação com o álcool após o Dry January.

O consumo de álcool no Reino Unido

O governo britânico estima que cerca de 29,2 milhões de pessoas, a partir dos 16 anos, consomem álcool regularmente no Reino Unido, segundo uma pesquisa sobre os hábitos de consumo de álcool no país divulgada em 2018. Isso equivale a 43% da população total do país.

Em dezembro de 2019, o governo britânico divulgou os dados relacionados a mortes causadas pelo álcool no ano de 2018. A pesquisa levou em conta apenas mortes que tiveram como causa doenças desencadeadas por bebidas, como por exemplo a insuficiência do fígado.

No período, foram registradas 7.551 ocorrências, a maior parte causada por complicações no fígado. O número representa 11,9 mortes a cada 100 mil pessoas. É o segundo maior número desde 2001, ficando atrás apenas de 2017, quando foram registradas 7.697 mortes.

 

TN

 

 

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