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Ter, Mar

SIDA: Instituto Pasteur afirma ter destruído células infectadas pelo HIV

Saúde
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Pesquisadores do Instituto Pasteur anunciaram na quinta-feira, 20, terem destruído com sucesso células infectadas pelo HIV. O estudo, publicado na revista científica Cell Metabolism, ainda não apresenta um tratamento, mas abre o caminho para que todos os portadores de Aids possam um dia ser curados.

 

Hoje, o tratamento da Aids utiliza os chamados antirretrovirais, descobertos nos anos 1990 e usados para bloquear a infecção. O problema é que o medicamento não elimina o HIV do organismo. Os doentes precisam tomar a medicação até o fim da vida, pois até hoje nenhum remédio consegue destruir o vírus, presente nas células imunitárias, os linfócitos T CD4.

Os pesquisadores perceberam que alguns linfócitos não eram infectados pelo vírus e, até hoje, não entendiam o porquê. Nesse estudo, eles conseguiram identificar as características dos linfócitos que eram infectados com mais facilidade, e que apresentavam uma atividade metabólica mais propícia a espalhar o vírus.

Estas células têm a particularidade de consumir mais glucose para produzir energia. As experiências mostraram que quanto mais forte era a atividade metabólica, maior era o consumo de glucose e, consequentemente, maior era a possibilidade de estar infectada pelo HIV.

Os pesquisadores tiveram então a ideia de bloquear a atividade desses linfócitos. Quando isso acontece, as células conseguem resistir à infecção e, após um tempo, o HIV é eliminado. Em laboratório, foram usados inibidores de atividade metabólica, já usados em pesquisas oncológicas.

“É uma primeira etapa interessante, mas nós não estamos hoje em uma situação em que essa descoberta possa ser usada nos humanos num futuro próximo. É preciso continuar as pesquisas e esta publicação traz uma esperança a mais na busca pela cura da aids”, disse em entrevista a France Info, Jean-Michel Molina, professor no Hospital Saint Louis, em Paris.

Molina reconheceu que o estudo é um marco na busca por uma cura, mas disse que é preciso lembrar que os testes foram feitos em laboratório. “As células foram infectadas de forma artificial, apesar de alguns resultados terem sido colhidos de amostras vindas de pacientes. Mas é preciso confirmar tudo isso, primeiro em um laboratório, e depois com testes em humanos”, finalizou.

 

TN com Carta Capital

 

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