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Dom, Set

"A catequese e a religião e moral são coisas muito distintas" - Padre João Augusto

Educação
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O vigário geral da Diocese de Santiago disse hoje que o ensino da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) visa “iluminar” a vida da pessoa com valores, que coincide em muito com os valores da cultura ocidental.

“A catequese e a religião e moral são coisas muito distintas”, explicou o padre João Augusto Martins, em declarações à imprensa, à margem da sessão da abertura do seminário de formação de professores de EMRC, que começa a ser leccionada, nas escolas públicas, a partir deste ano lectivo, que se inicia a 23 deste mês.

João Augusto Martins presidiu à cerimónia em nome do bispo da Diocese de Santiago, Dom Arlindo Furtado, que se deslocou ao Maio para a missa da santa padroeira da ilha, Nossa Senhora da Luz, mas, por motivo de transporte, não pôde regressar a tempo.

Na perspectiva deste religioso, o ensino de EMRC nas escolas públicas vai levar aos jovens e adolescentes um conjunto de conhecimentos sobre o modo de vida e a forma como devem ver a sociedade e isto vem na continuidade daquilo que os pais querem que os seus filhos saibam.

“O primeiro agente educativo são os pais”, afirmou, acrescentando que as outras instituições são subsidiárias.

Esclareceu ainda que não se trata da moralização da sociedade no sentido de impor um valor, já que isto é impossível, mas é “possível formar a consciência e formar o homem”.

Na primeira fase, a disciplina de EMRC vai ser leccionada em algumas escolas públicas das ilhas de Santiago, São Vicente, Santo Antão e Fogo, mas a partir de 2023 este ensino será “alargado a outras escolas”, conforme o que vier a ser acordado com o Governo.

“A lei prevê a cobertura universal, mas isto não se faz de um momento para outro. Por isso, a cobertura é gradativa até que se chegue a universal”, explicou o padre João Augusto, adiantando que a disciplina é opcional, mas que, a partir do momento em que é escolhida, a escola é obrigada a oferecê-la aos alunos.

O seminário é dirigido por cinco professores de Educação Moral e Religiosa Católica provenientes de Portugal e, segundo o porta-voz do grupo, Fernando Moita, a introdução da disciplina de EMRC nas escolas ajuda estas a cumprirem a sua tarefa e sua missão.

“Acreditamos que com a disciplina da Educação Moral e Religiosa Católica a escola é mais escola, é mais humana e aponta para um futuro melhor”, precisou Fernando Moita.

Segundo ele, a Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé abraçou desde a primeira hora e com “muita alegria e muito espírito de partilha” para ajudar a Igreja Católica cabo-verdiana a implementar este “grandioso projecto” do ensino de EMRC nas escolas públicas.

Por sua vez, a coordenadora da Comissão de Apoio à Disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, Teresa Fernandes, destacou o papel da Igreja Católica cabo-verdiana, em colaboração com o Estado, no processo de construção de uma “sociedade de paz e de justiça social”.

“Hoje, a conjuntura social do mundo global e nacional apela a todas as organizações da sociedade civil à união e ao trabalho colaborativo no sentido da diminuição dos males sociais que têm afligido”, sublinhou Teresa Fernandes, para quem é, sobretudo, através da educação, de um modo geral, e, através da família, em particular, que se encontra o melhor caminho.

Para a professora jubilada, o processo da implementação da disciplina de EMRC no sistema do ensino básico e secundário enquadra-se no quadro do “papel histórico” da Igreja Católica no que concerne à formação integral do cidadão cabo-verdiano.

O ensino da referida disciplina nas escolas públicas, que é facultativo, resulta do acordo de Concordata assinado em 2013 entre o Estado de Cabo Verde e o Vaticano.

O seminário tem a duração de 30 horas e orientado por professores portugueses e nacionais.

 

TN com Inforpress

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