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Sab, Dez

Como a desvalorização cambial chinesa afeta os EUA e o mundo

Economia
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 Moeda chinesa atingiu patamares históricos de desvalorização, em mais um capítulo da guerra comercial travada pelos dois países. 

 

A China promoveu na segunda-feira (5) uma desvalorização significativa de sua moeda. Pela primeira vez desde 2008, o câmbio ultrapassou a cotação de 7 yuans por dólar, fechando o dia em 7,05.

As ações tomadas pelo Banco Central da China são vistas pelo mundo como uma retaliação às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar novas tarifas de importação sobre produtos chineses.

Como funciona a desvalorização

Todos os dias, o Banco Central chinês define uma meta para o câmbio, em torno da qual flutua a cotação da moeda. A partir dela, a autoridade monetária do país age para manter o câmbio nesta faixa, vendendo e comprando moeda de acordo com o mercado.

Assim, se o Banco Central vende dólares, ele aumenta a oferta da moeda estrangeira, o que valoriza o yuan perante o dólar. Se ele compra dólares, a moeda americana fica mais escassa e, portanto, mais cara – trata-se de uma medida de desvalorização do yuan, como a que ocorreu neste início de semana. O patamar de 7 yuans por dólar tem significado simbólico. A barreira era vista pelo mercado como um limite de cautela, que não seria cruzado em condições normais. 

A guerra comercial com os EUA

Em 1º de agosto de 2019, o presidente americano, Donald Trump, anunciou novas tarifas comerciais sobre produtos da China. Ele prometeu taxar em até 10% um total de 300 bilhões de dólares em importações de electrónicos, roupas, brinquedos, entre outros. A decisão foi mais um capítulo na guerra comercial travada entre os dois países, que começou em 2017.

A alta do câmbio faz com que produtos chineses fiquem mais baratos no mercado internacional. Se no início de julho 100 dólares compravam, por exemplo, 689 unidades de um produto que custa um yuan, agora essa mesma quantia compra 705 unidades. A desvalorização cambial, portanto, tem como efeito atrair o mercado e estimular as exportações chinesas.

A medida tomada pelo Banco Central chinês é vista como uma retaliação às ações protecionistas do governo Trump. Ao usar o câmbio como ferramenta, a China atrai para si o mercado internacional, compensando em parte as perdas resultantes das tarifas impostas pelos EUA.

Trump se manifestou por meio da sua conta no Twitter, dizendo que a desvalorização chinesa é uma ‘manipulação cambial’ e chamando a atenção do Federal Reserve, o banco central americano, para a situação. Segundo o presidente, a ação pode enfraquecer a China no longo prazo.

A reação dos mercados

Diante da superação do marco de 7 yuans por dólar, o mercado reagiu negativamente. Nos Estados Unidos, as bolsas recuaram substancialmente na segunda-feira (5), como evidenciado pelos principais índices do mercado; o Dow Jones Industrial Average retraiu 2,9%, enquanto o Índice S&P 500 caiu 2,98%.

O recuo dos mercados financeiros pelo mundo revela uma apreensão generalizada com as medidas tomadas pelo Banco Central da China. Existe uma preocupação de que a intensificação da guerra comercial travada entre as duas maiores economias do mundo ganhe a escala de um uma guerra cambial com efeitos acentuados em outros países.

Na terça-feira (6), o Banco Central da China agiu para conter a queda do valor do yuan, o que estabilizou os mercados financeiros internacionais.

O impacto no resto do mundo

Os efeitos da desvalorização cambial chinesa se estendem para além dos mercados financeiros e da economia americana. O recado comercial dado pela maior potência asiática também chegou à Europa e ao Japão. Como os preços mais baixos dos produtos da China acirram a competição nos mercados internacionais, estes países podem ver suas exportações caírem.

A principal dúvida agora é como os outros países com perfil exportador de manufaturados irão reagir à queda do yuan. É possível que outros Bancos Centrais pelo mundo optem pela desvalorização da moeda local, desencadeando uma guerra cambial. Nesse cenário, as economias se utilizariam do câmbio para disputar os mercados importadores.

Em países em desenvolvimento, como o Cabo Verde, uma guerra cambial entre países que exportam manufaturados deixaria as importações mais baratas. Por outro lado, com moedas locais fortes – mais caras – perante às dos países exportadores, suas exportações poderiam enfrentar queda. Isso poderia levar os países em desenvolvimento a entrar na disputa, desvalorizando também suas moedas. 

TN - Redação (com informações do Nexo)

 

 

 

 

 

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