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Qui, Jul

África: Aumentam os milionários no continente

Economia
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Um dos clichês mais comuns desses tempos é que a África é o continente que mais cresce em termos económicos, ou seja, PIB, Produto Interno Bruto.

Como sempre, números absolutos deturpam a realidade. Assim, por exemplo, a Nigéria, que em 2016 superou o PIB da África do Sul, tornando-se o país com maior crescimento em todo o continente, não é, contudo, o país com os habitantes mais ricos porque é ao mesmo tempo a nação mais populosa. Dividindo assim o PIB recorde para o número de habitantes do país, descobriu-se que os nigerianos estão entre os mais pobres de toda a África.

Um problema de distribuição de riqueza, portanto, que parece ainda mais evidente se olharmos para a tendência africana de acumular a riqueza, o luxo, imóveis,  numa palavra, patrimónios.

Segundo dados da ONU divulgados no portal "Open Data For Africa", a riqueza em África aumentou 13% em dez anos, ou seja, de 2007 a 2017. Só no ano passado cresceu 3%. Em essência, em dez anos a elite económica e financeira africana aumentou em dezenove mil milionários que possuem pelo menos um milhão de dólares em ativos. Estima-se que essa riqueza ainda cresça a um ritmo vertiginoso nos próximos dez anos, aumentando em 34% até 2027.

Em termos macroeconómicos, isso significa que a distância entre riqueza e pobreza aumentará mais e mais, como de fato ocorre em todo o mundo. Mas na África essa lacuna é mais significativa porque denuncia o fato de que o crescimento da demanda doméstica em muitos países não expressa um aumento, em termos numéricos, da classe média, mas simplesmente uma maior demanda interna expressa por esses novos ricos. Há países onde este fenómeno é notável, como a Angola que se tornou o país com a capital, Luanda, a cidade mais cara do mundo num país cuja população permaneceu substancialmente pobre.

 

TN com informações da Revista África (revista católica parceira do Terra Nova)

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