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Ter, Set

Japão: Yoshihide Suga, próximo primeiro-ministro

Internacional
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Secretário-chefe, porta-voz e braço direito de Shinzo Abe foi eleito novo líder do partido governista e deve assumir mandato até 2021.

 

Yoshihide Suga, de 71 anos, foi eleito o novo líder do LPD (Partido Liberal Democrático) do Japão nesta segunda-feira (14). A expectativa é que o novo líder seja confirmado como primeiro-ministro do país em sessão parlamentar extraordinária na quarta-feira (16).

Suga foi braço direito do ex-PM Shinzo Abe, de 65 anos, que renunciou ao cargo em 28 de agosto por motivos de saúde. Cabia ao LPD indicar um substituto para comandar o gabinete até o fim do mandato, que se estende até setembro de 2021. Diante da composição no Parlamento japonês, é praticamente certo que o vencedor da disputa interna do partido de Abe seja oficializado como primeiro-ministro.

O novo líder do LPD já sinalizou que pretende dar continuidade à política “Abenomics”, isto é, às estratégias económicas da gestão de Abe.

Como foi a disputa

Indicado como favorito, com apoio da maioria parlamentar do LPD, segundo o jornal japonês Asahi Shimbun, Suga venceu dois outros candidatos que disputavam a liderança: Shigeru Ishiba, ex-ministro da Defesa, e Fumio Kishida, ex-ministro de Relações Exteriores.

No caso de renúncia, a sucessão para o cargo de premiê envolve a conquista da maioria simples de um total de 535 votos de membros do LPD, entre eles 394 parlamentares da Dieta – nome dado ao Parlamento bicameral japonês, que é formado por Câmara e Senado – e 141 representantes das 47 províncias do país. Suga recebeu 377 votos; Kishida, 89; e Ishiba, 68.

O governo tem ampla maioria na Dieta. No Senado, a coligação governista, formada pelo LPD e pelo aliado Komeito, ambos de direita, possui 141 dos 245 assentos, sendo 113 desses assentos governistas ocupados por membros do partido de Abe. Na Câmara, 313 dos 465 assentos são ocupados por parlamentares governistas, sendo 284 deles membros do partido do premiê.

Há diversas facções dentro do LPD – Suga não pertence a nenhuma delas, destacou a jornalista Yuko Aizawa, da emissora NHK.

Quem é Yoshihide Suga

Natural da província de Akita, no norte do país, de família de agricultores de morangos, Suga trabalhou em uma fábrica na juventude e graduou-se na Universidade Hosei, em Tóquio. Depois da faculdade, interessou-se por política. “Passei a pensar que é a política que move o mundo”, declarou ao jornalista Hiroshi Marutani, editor do jornal japonês The Nikkei, em perfil publicado em janeiro de 2019, e traduzido e republicado em setembro de 2020.

Suga procurou o centro de carreiras da universidade e pediu indicações de políticos que se formaram ali. Graças à indicação, o bacharel de 26 anos foi contratado como secretário do parlamentar Hikosaburo Okonogi (1928-1991), representante da cidade de Yokohama, em 1975.

Doze anos depois, Suga foi eleito para a assembleia municipal de Yokohama.

Em 1996, filiado ao Partido Liberal Democrático, conquistou a primeira cadeira na Câmara. Reeleito sete vezes, tornou-se ministro de comunicações no primeiro mandato de Abe, em 2006. Em 2012, participou ativamente do processo para reeleger Abe, que se tornaria, a partir daí, o mais longevo premiê do país. Desde então, tornou-se secretário e braço direito de Abe.

Em abril de 2019, Suga ficou conhecido como “Tio Reiwa” no Japão, após ser escolhido para divulgar internacionalmente o nome da nova era imperial japonesa – a expressão Reiwa, a era do atual imperador Naruhito, pode ser traduzida como “ordem e paz” e “bela harmonia” para o português.

O que o novo PM terá pela frente

Além da pandemia de covid-19, o novo primeiro-ministro enfrentará desafios como superar a recessão econômica de 2020 (a mais grave crise desde a Segunda Guerra Mundial no arquipélago asiático), garantir a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021 e atualizar a Constituição, diretriz iniciada por Abe.

Se confirmado no cargo nos próximos dias, a expectativa é que Suga dê continuidade às políticas de Abe, priorizando crescimento econômico antes de realizar reformas, como a reforma fiscal. “O importante agora é proteger empregos e ajudar empresas”, declarou Suga à agência Reuters.

No campo diplomático, embora Abe já tenha estreitado laços com os EUA, caberá ao novo primeiro-ministro elaborar estratégias novas para as delicadas relações com os vizinhos asiáticos, especialmente a China, a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, com quem o Japão enfrenta tensões territoriais e disputas econômicas. “O mais importante é ter laços estreitos com as nações asiáticas, com a aliança Japão-EUA como principal alicerce”, disse Suga, questionado recentemente sobre sua perspectiva da política internacional.

 

TN com Nexo Jornal