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Ter, Set

Covid-19: Director-geral da OMS apela para “solidariedade” no combate à pandemia

Internacional
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O director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, apelou hoje para uma maior solidariedade entre os países, em especial as maiores potências mundiais, na resposta à pandemia de covid-19.

“O que me preocupa mais [nesta altura] é o que tenho sempre dito: A falta de solidariedade. Quando falta solidariedade e estamos divididos, é uma boa oportunidade para o vírus e, por isso, continua a espalhar-se. Precisamos de solidariedade e liderança global, sobretudo das maiores potências”, explicou, numa videoconferência de imprensa realizada a partir da sede da organização, em Genebra, na Suíça.

Na véspera de se completarem seis meses desde a declaração da covid-19 como pandemia, Tedros Adhanom Ghebreyesus enfatizou os “progressos notáveis” alcançados durante esse período em termos de conhecimento científico. Porém, sublinhou que a OMS precisa de mais fundos para reforçar o desenvolvimento dos mecanismos da resposta mundial ao SARS-CoV-2, o novo coronavírus que provoca a doença covid-19.

Depois de já ter alertado hoje para a falta de dinheiro na reunião do conselho do programa ACT Accelerator – criado em Maio para financiar investigações sobre ferramentas médicas contra a pandemia e, posteriormente, distribuí-las em países sem poder aquisitivo para comprá-las em grandes quantidades -, o diretor-geral da OMS vincou que o tempo escasseia para encontrar soluções.

“Os 2.700 milhões de dólares [arrecadados desde o lançamento do ACT Accelerator] são generosos, mas ainda há um fosso de 35.000 milhões. Entre agora e o fim do ano temos uma pequena janela de tempo. Temos de elevar a nossa capacidade”, declarou o responsável, num momento em que a pandemia dá sinais de um recrudescimento em muitos países.

Sobre o aumento do número de novos casos e uma menor mortalidade nesta fase, a epidemiologista da OMS Maria Van Kerkhove justificou a situação com “uma combinação de fatores” e uma evolução nas faixas da população mais afectadas pelo novo coronavírus.

“Vemos uma mudança na faixa demográfica dos infetados, com maior número de jovens, e isso é expectável. Numa pandemia, é expectável que os mais vulneráveis sejam os primeiros a ser afectados. Temos de ter cuidado, mesmo que estejamos a ver uma redução da mortalidade, porque não sabemos totalmente os efeitos a longo prazo da infecção por covid-19”, sentenciou.