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Qui, Jul

Como a polícia responde aos protestos antirracistas nos EUA

Internacional
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Cenas de brutalidade policial convivem com registros de união entre forças de ordem e manifestantes, enquanto Trump fala em colocar o Exército nas ruas.

 

Os protestos raciais que irromperam nos EUA no dia 25 de maio são maioritariamente pacíficos, mas os episódios de vandalismo e as cenas de brutalidade policial registradas ao longo da semana terminaram por fazer da violência o assunto político mais importante do país.

As polícias estaduais e a Guarda Nacional têm sido filmadas em cenas de abuso do uso da força, que vão desde atropelamento de manifestantes com carros e cavalos, até disparos à queima roupa com balas de borracha, passando pela detenção arbitrária de jornalistas e por incidentes com mortos, que ainda estão sendo investigados.

Muitos manifestantes têm relatado que policiais estão a agir como parte interessada nos protestos. Como as manifestações são contra a violência policial, muitos deles reagem como se as demandas fossem ofensas pessoais, e, assim, tentam simplesmente dispersar concentrações pacíficas e impedir que as marchas aconteçam, violando um direito constitucional.

Ao mesmo tempo, grupos de policiais têm aderido voluntariamente aos protestos, segurando faixas durante as caminhadas ou até mesmo apoiando um dos joelhos no chão, num gesto celebrizado por atletas americanos na luta por igualdade racial no país.

Em Fort Lauderdale, na Flórida, um policial foi repreendido em público por uma colega negra fardada, depois de ter avançado contra uma manifestantes que estava de joelhos.

A multidão que presenciou a cena correu atrás do policial, atirando objetos como copos plásticos e garrafas d’água, enquanto o homem ouvia sua colega policial gritar, repreendendo-o pela atitude.

A mistura da brutalidade com as cenas de busca por diálogo e entendimento são o retrato de um país no qual há enormes disparidades sociais, além de uma convivência racial classificada por 58% dos americanos como “ruim”, e onde 80% dos habitantes consideram que os negros ainda hoje são desfavorecidos na sociedade por uma herança da escravidão. Os dados são de uma pesquisa feita pelo Pew Research Center em 2019.

A soma de três grandes crises

A onda de manifestações – e os choques violentos que se sucederam a ela – ocorrem no ano em que os EUA passam por uma eleição presidencial, disputada entre o atual presidente, o republicano Donald Trump, e seu rival democrata, Joe Biden.

O país também lida com uma pandemia de alcance inédito que, até terça-feira (2), tinha deixado mais de 100 mil mortos pelo novo coronavírus, além de um rastro de destruição económica sem paralelo desde a Grande Recessão de 2008.

A confluência dessas três grandes crises – política, sanitária e económica – explodiu no dia 25 de maio quando um homem negro de 46 anos foi morto por um policial branco diante das câmeras, na cidade de Minneapolis, no centro-oeste americano.

O homem, chamado George Floyd, foi asfixiado até a morte por oito minutos. A cena, filmada por transeuntes circulou pelas redes sociais, e a última frase de Floyd, “eu não consigo respirar”, transformou-se num grito de guerra dos protestos que se espalharam pelo país.

Quando o policial responsável pela morte de Floyd, Derek Chauvin, teve a prisão decretada, cinco dias após a ocorrência, em 30 de maio, os protestos já se tinham alastrado de tal forma pelo país que pelo menos 40 dos 50 estados americanos decretaram “estado de emergência”, muitos deles – incluindo a cosmopolita Nova York – com toque de recolher noturno.

Na Quinta Avenida, icônico ponto novaiorquino, lojas de grife foram depredadas e saqueadas. Em Los Angeles, grupos de saqueadores, a pé ou em caravanas de carro, percorreram a região de Hollywood durante a noite. Em Louisville, no Kentucky, um comerciante morreu alvejado quando a polícia disparou na direção de manifestantes, e pelo menos um manifestante morreu com disparo de arma de fogo em Austin, no Texas.

O sistema descentralizado de segurança pública nos EUA dificulta a contabilização do total de pessoas detidas, feridas e presas nos protestos. A imprensa local noticia inúmeros casos de pessoas feridas à bala e atropeladas deliberadamente por automóveis , em eventos que ainda estão sob investigação da Justiça.

TN - Com informações do Nexo